Corte bolo cientificamente

Hmmmm!!

Na última segunda-feira meu filho mais velho fez aniversário e ganhou um bolo — o favorito dele, diga-se de passagem — de presente da avó. Detalhe: O bolo começou a ser saboreado um dia antes, tamanho o apetite do filhote por comê-lo. Sendo assim, na segunda-feira propriamente dita, o papai aqui foi até a padaria comprar outro bolo, só para que pudéssemos cantar o famoso Parabéns pra você com alguma graça no dia correto do aniversário.

Este outro bolo foi cortado e ficou na geladeira depois de terminadas as comemorações, para que pudesse ser comido mais tarde e nos outros dias. Mas o que eu não sabia, sinceramente, é que vinha cortando bolo da maneira errada pelos últimos, bem… trinta e tantos anos. Pelo menos, não vinha cortando bolo da maneira cientificamente correta.

Brady Haran, videojornalista do canal de YouTube Numberphile — em que cientistas e matemáticos discutem o emprego… bem, da matemática no dia-a-dia — foi quem levantou esta questão, ao citar em um de seus vídeos uma carta enviada aos editores da revista Nature, publicada na edição de 20 de dezembro de 1906, escrita por ninguém menos do que Francis Galton, matemático e estatístico inglês que era primo de Charles Darwin, e que criou o controverso conceito de eugenia, sobre o qual, dada sua controvérsia, e também porquê estou falando de bolos, não vou me estender aqui.

Bem… ocorre que Francis Galton, em sua carta de 1906, argumenta que o método convencional de cortar bolo está errado porquê ao retirar uma fatia triangular expõe-se uma parte do interior do restante do bolo, que ficará irremediavelmente ressecada.

Método de Galton para cortar bolo

Para evitar tal ressecamento, ele propõe que, após retirar uma fatia do bolo, as partes restantes sejam aproximadas, de tal maneira que fiquem sempre unidas antes de guardar. Ou seja, a cada corte, que deve atravessar o bolo completamente, une-se o bolo novamente. Antes de guardá-lo, Galton sugere o uso de um elástico comum ao redor do bolo para garantir que seus pedaços fiquem bem unidos, e que assim a guloseima possa durar por até 3 dias seguidos sem ressecar.

Bem… Gosto muito de ciência — e de bolo. Mas convenhamos: esta técnica tem seus inconvenientes (no vídeo, por exemplo, Brady põe as mãos sobre o bolo todo) e acredito que não seria muito prática — ao menos aqui em casa.

Além disso, dado que a carta de Galton é de 1906, foi escrita antes da invenção da geladeira doméstica, em 1913 — aliás, dois anos depois da morte de Galton. Com uma geladeira, basta cobrir o bolo com papel alumínio — ou papel filme — para evitar que resseque, segundo uma carta dica que minha avó e minha mãe já conhecem há muito, muito tempo.

Olhe de novo pra essa garrafa de Coca-Cola…

Se você é minimamente igual a mim, com certeza joga no lixo as garrafas de Coca-Cola depois de terminar de beber, certo?

Mas e se você nunca mais precisasse jogar fora uma garrafa de Coca-Cola? A campanha 2nd lives, criada através de parceria entre a gigante dos refrigerantes de Atlanta, Estados Unidos, e uma agência de publicidade premiadíssima, a Ogilvy & Mather, parece mostrar o caminho pra essa realidade…

coca-cola-2nd-life

O objetivo da campanha, parte do programa de sustentabilidade global da Coca-Cola, é mostrar que as garrafas usadas podem se transformar nos mais diversos — úteis e divertidos — objetos do dia-a-dia, sendo usadas como apontadores de lápispistolas d’águapincéisapitosborrifadores e muito mais: Tudo isso graças   um conjunto de 16 tampas de garrafa diferenciadas, que operam as transformações.

A campanha, que começou em maio no Vietnã para incentivar a reciclagem e visa distribuir por lá, Tailândia e Indonésia, 40 mil “tampinhas especiais”, ilustra o quanto se consegue inovar com um objeto tão trivial — e, convenhamos, diariamente desprezado — do nosso dia-a-dia.

O único problema é que fiquei com vontade de operar transformações como essas nas garrafinhas daqui, e pra isso, das duas uma: Se você estiver voltando desses países, me traz uma tampinha dessas, ou a gente torce juntos pra que a campanha alce voo e aterrize por aqui  — que tal?

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