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O Posterous já era. E agora, José?

Como eu disse através do tweet acima, o Posterous está mesmo com os dias contados. À partir do dia 30 de abril de 2013, o serviço, que para mim foi sinônimo de revolução no que diz respeito   publicação de conteúdo online, permitindo que textos inteiros e outros tipos populares de mídia, como fotos e vídeos, fossem publicados através do e-mail, vai fechar suas portas depois de pouco menos de um ano de sua aquisição pelo Twitter.

A primeira sensação que eu tive quando li essa nota de despedida do Posterous foi de alívio. Me lembro de ter dado passos relativamente largos para realizar a migração, para o serviço, de todos os textos que escrevi ao longo dos anos neste blog. Assistir, agora, a este movimento de camarote, me faz pensar que eu tive razão em não continuar com a migração. Que eu fiz bem em continuar quietinho por aqui, escrevendo meus textos, ainda que cada vez mais raros, em um site que eu mesmo mantenho, com uma ferramenta que eu acredito que não deva sumir do mapa por pelo menos um bom tempo, ainda.

Mas fiquei me perguntando o que será do pessoal que está hospedado no Posterous, neste momento. O serviço acabou… E agora, José?

Something went wrong for Posterous!

O texto-saideira do pessoal do Posterous recomenda que seus soon-to-be-homeless users migrem para o WordPress.com — versão hospedada da ferramenta que uso para manter este blog — ou para o Squarespace, que é um serviço que,   primeira vista, é muito melhor do que o próprio Posterous. Na verdade, nos dias atuais, os dois serviços são melhores que ele.

Money, baby

Existe um motivo para que ambos sejam melhores, e não tem necessariamente nada a ver com espaço ilimitado, customização ou outras ferramentas e facilidades oferecidas. A coisa tem a ver com monetização. Sim: Tanto o Squarespace quanto a opção não-self-hosted do WordPress cobram de seus usuários determinados valores, quer mensal, quer anualmente, para que eles permaneçam em sua base de usuários. Se você não paga para usar, pode ficar limitado a recursos básicos da ferramenta — sem poder, por exemplo, hospedar vídeos ou utilizar temas premium para mudar a aparência do seu site, no caso do WordPress.com, ou ficar totalmente de mãos abanando — ou seja, ter a porta fechada na sua cara, após 14 dias, se não optar por um plano pago, no caso do Squarespace.

Você tem todo o direito de reclamar por ter que pagar para blogar. Mas não se engane: O futuro deste tipo de serviço é este. A analogia é mais ou menos a de piratear um software: Você não está repassando  s pessoas que se esforçaram para fazê-lo o devido valor que devem receber por terem investido seu tempo e inteligência na solução. Com blogs e redes sociais, é a mesma coisa. Todos os desenvolvedores vão querer um payback, e empresas como o Facebook e o próprio Twitter, que é o responsável pela machadada no Posterous, estão constantemente em busca de maneiras de ganhar dinheiro para recuperar seu investimento. No futuro — e escreva o que eu digo —, ou você pagará para não ver anúncios, ou estará fadado a linhas do tempo poluídas como a do Facebook, atualmente. Ou, se verá privado de recursos simples como anexar fotos e vídeos a um tweet. Só estou dizendo.

Outras opções para os órfãos do Posterous

Mas, além de Squarespace e WordPress.com, existem outros lares para quem perderá seu Posterous. Alguns são pagos, outros não.

A primeira opção? O Tumblr. Para quem gosta do estilo rápido que o Posterous era capaz de imprimir, acredito ser uma boa saída. Acredito, inclusive, que os estilos sejam bastante similares, embora o Tumblr não conte com a facilidade de enviar arquivos e textos através de email para publicação instantânea. De qualquer maneira, se a questão for pagamento, o Tumblr é completamente gratuito.

ATUALIZAÇÃO - 18/02/2013:
Descobri, através de notícia publicada no TechCrunch, uma alternativa interessante — e automática — para quem quer migrar do Posterous para o Tumblr. Trata-se de um serviço chamado JustMigrate, onde tudo o que é necessário é autorizar o Tumblr a acessar sua conta do Posterous (no caso de já ter múltiplos blogs no Tumblr, você pode escolher para qual os posts do Posterous irão). De qualquer maneira, mesmo neste caso, there’s no free lunch — dependendo do caso, inclusive, pode sair bem caro.

Moving 100 posts is free, and it’s $10 for 250 and $25 for 500 posts. Tumblr’s API allows 250 posts, or 75 photo posts to be uploaded daily, so JustMigrate will queue posts over days if you have a large Posterous blog.

Se você usa o Dropbox, pode também optar pelo Scriptogr.am. Até o momento, eles não mencionam nada que seja relativo   preços, ou seja: estão oferecendo o serviço completamente de graça. Nele, os textos que você escreve podem ser combinados com a mídia que estiver disponível em sua nuvem particular. O mesmo ocorre com o Marquee, que também permite usar imagens e vídeos hospedados no Dropbox, e também os de outros sites, e arquivos do seu próprio computador — aliás, me pareceu um serviço muito bem elaborado, mesma sensação que eu tive com relação ao já citado Squarespace.

Throwww

Um servicinho interessante — e até onde eu saiba, gratuito —, parece ser o Throwww. Dele, pode-se dizer, com certeza, vem uma das interfaces mais simples e minimalistas que existem atualmente. Quando você acessa o site por sua página principal, pode simplesmente digitar um título, um texto — com suporte   Markdown — e pronto. Ganha uma URL, um endereço para compartilhar através das redes sociais. O serviço aceita imagens e vídeos do YouTube, e você pode ser um escritor anônimo, ou se identificar no Twitter para levar crédito por seus textos e ter acesso a eles, no futuro. As páginas criadas, como a deste cara, são bem legais.

Posthaven

Finalmente, há um serviço chamado Posthaven, mencionado ainda ontem no Hacker News. Ele merece ser citado porquê foi criado por Garry Tan e Brett Gibson, co-fundadores do Posterous, que afirmam que o serviço nunca será vendido e nunca acabará. Isso será possível, adivinhem, graças   monetização:

It’s $5 a month and will have all of the ease of use and power of Posterous. It’s just the two of us and we’re coding it in our bedrooms right now.

Há ainda uma coisa interessante no Posthaven. Se você parar de pagar pelo serviço, perde apenas o direito de acrescentar novos posts e editar os antigos, e continua podendo visualizar suas páginas, com as criações antigas. Quando quiser voltar, paga novamente e tem seus acessos restaurados. Apesar de o serviço ainda não ter sido lançado — está programado para breve —, admito que esse modelo de negócio quase me lembrou o do Flickr. A diferença é que, no site de hospedagem de fotos, após 90 dias de inatividade, uma conta não PRO pode ser deletada. No Posthaven, não.

Ou será que…?!

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Comentário

  1. Otimo artigo!

    Isso me faz lembrar de uma coisa que me desanima. A maioria das pessoas acham um absurdo pagar por um serviço ou um software, seja um app de 1 real ou um serviço de 15 pilas por mês. Mas não pensa duas vezes em pagar 30 reais em um lanchinho no Mac Donalds.

    A conclusao que eu chego é que as pessoas valorizam o que pode ser tocado. Software não entra nessa categoria. Fica a dica para um proximo post. 😉

    • Interessante o ponto sobre as pessoas só darem valor àquilo que pode ser tocado. É uma ótima teoria, e na verdade, ocorre com muita frequência. As pessoas tendem a achar que tudo o que é virtual deve ser de graça. “Pagar para usar o Facebook? Pagar para usar o Twitter? Estes caras deven estar brincando, ou ficaram completamente malucos”.

      Como eu digo sempre, as pessoas se esquecem que por detrás do que usam na internet, há pessoas de carne e osso, com necessidades básicas como você ou eu.

    • Sexy, né? Eu só gostaria que serviços como esse não fossem 100% Dropbox-dependable… Se pudéssemos pagar por self-hosting, evitaria maiores problemas caso um dia o Dropbox seja comprado, ou suma do mapa… 🙂

      []s

      • Talvez como opção, mas o fato de rodar sob o Dropbox é uma das características que eu mais gostei. Remove a principal barreira para a maioria — assinar um host — e é extremamente fácil para qualquer um. Bonus points por usar Markdown e ter um layout-base (e outros temas) minimalistas e muito bonitos.

        Edit: e se nem a Apple conseguiu levar o Dropbox, é pouco provável que o serviço seja vendido algum dia. No mais, seria legal mesmo uma ferramenta de exportação — ainda que os arquivos sejam flat files, então não é como se você fosse ficar ou perder seus textos se algo catastrófico acontecesse com o Dropbox 🙂

        []’s!

        • Acho que hospedo este blog há tanto tempo que me esqueci do fato de que correr atrás de hosting é uma enooooorme barreira, principalmente para quem não tem muita intimidade com a coisa. Neste aspecto, o uso do Dropbox é realmente genial.

          No entanto, acho o Dropbox relativamente caro. Com o Google Drive podendo ser usado para hosting agora, quem sabe Scriptogr.am e outros ofereçam braços que alcancem também este serviço 🙂

          • O plano gratuito dá 2 GB. É mais que suficiente para um blog por um booooom tempo — isso, claro, considerando que a pessoa não use o Dropbox para mais nada, o que não é exatamente um cenário comum.

            []’s!