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Ouviram do Ipiranga?

Quando meu filho mais velho veio me pedir ajuda com a tarefa hoje, achei interessante a pergunta que a professora havia pedido para que ele fizesse   algum adulto da casa: “Qual é uma lembrança que ele tem da época da escola?”.

Minha resposta poderia ter sido qualquer uma, pois tive diversos momentos memoráveis quando pequeno. No entanto, para permitir que ele percebesse certo constraste entre épocas, disse que me lembrava de, todos os meses, participar de um Culto   Bandeira, onde cantávamos o Hino Nacional. Depois de cada evento desses, aliás, havia apresentações que, nós, alunos, fazíamos para outros alunos, coordenados pelas professoras.

Meus pais já me contaram, certa vez, que na época deles, cantar o Hino Nacional era ponto obrigatório antes das aulas começarem. Isso mostra que, no espaço de apenas uma geração, o Hino deixou de ser um canto diário para ser mensal, e, no espaço de duas gerações, a dos avós do meu filho e ele, bem… O Hino deixou completamente de ser cantado.

Civismo

Qual a importância do Hino Nacional, e porquê eu deveria me importar com o fato de que as escolas tenham parado de realizar eventos como um Culto   Bandeira?

Devemos nos importar porquê aprender o Hino e celebrá-lo é o mínimo que devemos fazer para ensinar  s crianças o respeito pelo nosso país.

Ao contrário de Estados Unidos e França, só para citar dois países, onde as bandeiras nacionais estão   vista em escolas e outros prédios públicos, monumentos e vários outros lugares, não somos um país patriota.

O brasileiro reclama do país. Do governo, dos impostos, da educação. Critica o país como se não fosse culpa dele mesmo o governo que temos, os escândalos, a corrupção que todo dia está nas manchetes. Mas não move, muitas vezes, sequer uma palha para mudar a situação.

Quando vemos um ente querido doente, — e quem é pai sabe certamente disso — nossa vontade é muitas vezes tomar o lugar dessa pessoa, dado o amor que sentimos por ela. Fazemos isso porquê no fundo nosso desejo é ver essa pessoa melhor, porquê nós a amamos.

Não se quer mudar o que não se ama. Não estou generalizando, mas como ensinar amor pelo país se um ato simples como cantar o Hino Brasileiro não é mais praticado nas escolas? Se matérias como Educação Moral e Cívica, ainda que instituídas por outros governos em outros carnavais, que ensinavam aos alunos sobre nossos hinos, nossas armas nacionais e os principais cargos brasileiros e órgãos do governo, não fazem mais parte do currículo?

O brasileiro, ao contrário do francês ou do americano, não valoriza seu país. Por aqui só cantamos Hino Nacional em época de Copa do Mundo, e ainda assim sem ficar em posição de sentido e respeito, como eu me lembro de fazer quando estudava, e disse hoje ao meu filho.

Existe uma lei publicada no Diário Oficial da União em 21 de setembro de 2009, de número 12.031, que obriga escolas, sejam elas públicas ou particulares, a executarem o Hino Nacional pelo menos uma vez por semana. No entanto, quando perguntei ao meu filho, há pouco, se na escola dele cantavam o Hino Nacional, ele me disse:

— Só no 7 de setembro, papai.

Brasileiro é assim mesmo. Cria lei para tudo, mas esquece que falta braço — e pernas — para fiscalizar o cumprimento dessas leis. E é claro, existe lei muito mais importante do que a que obriga as escolas a executarem o Hino Nacional semanalmente para fiscalizar. Aliás, esse assunto não deveria ser regido por uma lei. Deveria ser natural que as escolas ensinassem respeito pela Pátria, automaticamente. Mas não.

A única coisa que me deixa tranquilo é saber que não dependo de que a escola ensine civismo aos meus filhos. Isso, eu mesmo posso — e vou — fazer. Questão de valores.

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