Eternally stuck in beta version

Fui parar no App.net

app_netBem, é oficial. Depois que o Otávio gentilmente me cedeu um convite, vim parar na ADN — ou App.net. As pessoas tendem a achar que se trata de um clone do Twitter, e blá, blá, blá, mas a ferramenta permite muito mais usos do que simplesmente postar status como naquela outra rede social. Você pode compartilhar fotos, jogar xadrez e criar blogs a partir de lá, só para citar alguns exemplos. Há um site com diversas ferramentas e dicas sobre a rede, e agora que o serviço se tornou freemium, não há desculpa para não experimentá-lo. Você pode me seguir por lá, se quiser.

Se você não sabe o que fazer com a cebola, jogue-a fora

Primo Levi

Primo Levi, químico e escritor italiano que sobreviveu ao Holocausto após ter sido prisioneiro em Auschwitz-Birkenau, escreveu em seu livro A Tabela Periódica uma história sobre a época em que trabalhou em uma fábrica de verniz.

Como ele era químico, ficou fascinado pelo fato de que a receita do verniz solicitava que, além da inclusão dos diversos elementos químicos já esperados, fosse também acrescentada uma cebola crua.

Para que serviria ela? Ninguém soube lhe responder. Só sabiam que era parte da receita.

Então ele resolveu investigar, e eventualmente descobriu que alguém tinha acrescentado a cebola anos antes, para verificar a temperatura do verniz — se estivesse quente o suficiente, a cebola fritaria.

Na época em que ele se deu conta disso, tecnologias mais avançadas — como os termômetros — fizeram com que jogar a cebola no verniz se tornasse desnecessário. Mesmo assim, as pessoas seguiram fazendo isso, pois se habituaram ao ingrediente, e deixaram de questionar.

Se está ali, é porquê deve estar certo.

Ao tomar conhecimento, quase que por acaso, da história contada por Primo, me pus a refletir. A primeira reflexão se deu no âmbito profissional — eu trabalho atualmente, de certa forma e em grande parte, com mapeamento e otimização de processos. Vejo as pessoas lidando com cebolas em seus vernizes o tempo todo, e o que é pior: Elas não se dão conta de que as cebolas podem não ser mais necessárias, e que, eventualmente, podem — e devem — ser substituídas.

Experimente olhar para um fluxograma. Observe as etapas ali descritas. Questione-se se ali, por acaso, não existem cebolas no verniz. Garanto que o exercício valerá   pena.

Finalmente, o texto de Primo Levi também é válido para o âmbito pessoal. Quantas não são as cebolas nos vernizes da vida? Quanto bem nos faria nos livrarmos delas, não é mesmo? E não se engane: Todos nós temos pelo menos uma cebola em nossas receitas de verniz. Eu garanto.

O Posterous já era. E agora, José?

Como eu disse através do tweet acima, o Posterous está mesmo com os dias contados. À partir do dia 30 de abril de 2013, o serviço, que para mim foi sinônimo de revolução no que diz respeito   publicação de conteúdo online, permitindo que textos inteiros e outros tipos populares de mídia, como fotos e vídeos, fossem publicados através do e-mail, vai fechar suas portas depois de pouco menos de um ano de sua aquisição pelo Twitter.

A primeira sensação que eu tive quando li essa nota de despedida do Posterous foi de alívio. Me lembro de ter dado passos relativamente largos para realizar a migração, para o serviço, de todos os textos que escrevi ao longo dos anos neste blog. Assistir, agora, a este movimento de camarote, me faz pensar que eu tive razão em não continuar com a migração. Que eu fiz bem em continuar quietinho por aqui, escrevendo meus textos, ainda que cada vez mais raros, em um site que eu mesmo mantenho, com uma ferramenta que eu acredito que não deva sumir do mapa por pelo menos um bom tempo, ainda.

Mas fiquei me perguntando o que será do pessoal que está hospedado no Posterous, neste momento. O serviço acabou… E agora, José?

Something went wrong for Posterous!

O texto-saideira do pessoal do Posterous recomenda que seus soon-to-be-homeless users migrem para o WordPress.com — versão hospedada da ferramenta que uso para manter este blog — ou para o Squarespace, que é um serviço que,   primeira vista, é muito melhor do que o próprio Posterous. Na verdade, nos dias atuais, os dois serviços são melhores que ele.

Money, baby

Existe um motivo para que ambos sejam melhores, e não tem necessariamente nada a ver com espaço ilimitado, customização ou outras ferramentas e facilidades oferecidas. A coisa tem a ver com monetização. Sim: Tanto o Squarespace quanto a opção não-self-hosted do WordPress cobram de seus usuários determinados valores, quer mensal, quer anualmente, para que eles permaneçam em sua base de usuários. Se você não paga para usar, pode ficar limitado a recursos básicos da ferramenta — sem poder, por exemplo, hospedar vídeos ou utilizar temas premium para mudar a aparência do seu site, no caso do WordPress.com, ou ficar totalmente de mãos abanando — ou seja, ter a porta fechada na sua cara, após 14 dias, se não optar por um plano pago, no caso do Squarespace.

Você tem todo o direito de reclamar por ter que pagar para blogar. Mas não se engane: O futuro deste tipo de serviço é este. A analogia é mais ou menos a de piratear um software: Você não está repassando  s pessoas que se esforçaram para fazê-lo o devido valor que devem receber por terem investido seu tempo e inteligência na solução. Com blogs e redes sociais, é a mesma coisa. Todos os desenvolvedores vão querer um payback, e empresas como o Facebook e o próprio Twitter, que é o responsável pela machadada no Posterous, estão constantemente em busca de maneiras de ganhar dinheiro para recuperar seu investimento. No futuro — e escreva o que eu digo —, ou você pagará para não ver anúncios, ou estará fadado a linhas do tempo poluídas como a do Facebook, atualmente. Ou, se verá privado de recursos simples como anexar fotos e vídeos a um tweet. Só estou dizendo.

Outras opções para os órfãos do Posterous

Mas, além de Squarespace e WordPress.com, existem outros lares para quem perderá seu Posterous. Alguns são pagos, outros não.

A primeira opção? O Tumblr. Para quem gosta do estilo rápido que o Posterous era capaz de imprimir, acredito ser uma boa saída. Acredito, inclusive, que os estilos sejam bastante similares, embora o Tumblr não conte com a facilidade de enviar arquivos e textos através de email para publicação instantânea. De qualquer maneira, se a questão for pagamento, o Tumblr é completamente gratuito.

ATUALIZAÇÃO - 18/02/2013:
Descobri, através de notícia publicada no TechCrunch, uma alternativa interessante — e automática — para quem quer migrar do Posterous para o Tumblr. Trata-se de um serviço chamado JustMigrate, onde tudo o que é necessário é autorizar o Tumblr a acessar sua conta do Posterous (no caso de já ter múltiplos blogs no Tumblr, você pode escolher para qual os posts do Posterous irão). De qualquer maneira, mesmo neste caso, there’s no free lunch — dependendo do caso, inclusive, pode sair bem caro.

Moving 100 posts is free, and it’s $10 for 250 and $25 for 500 posts. Tumblr’s API allows 250 posts, or 75 photo posts to be uploaded daily, so JustMigrate will queue posts over days if you have a large Posterous blog.

Se você usa o Dropbox, pode também optar pelo Scriptogr.am. Até o momento, eles não mencionam nada que seja relativo   preços, ou seja: estão oferecendo o serviço completamente de graça. Nele, os textos que você escreve podem ser combinados com a mídia que estiver disponível em sua nuvem particular. O mesmo ocorre com o Marquee, que também permite usar imagens e vídeos hospedados no Dropbox, e também os de outros sites, e arquivos do seu próprio computador — aliás, me pareceu um serviço muito bem elaborado, mesma sensação que eu tive com relação ao já citado Squarespace.

Throwww

Um servicinho interessante — e até onde eu saiba, gratuito —, parece ser o Throwww. Dele, pode-se dizer, com certeza, vem uma das interfaces mais simples e minimalistas que existem atualmente. Quando você acessa o site por sua página principal, pode simplesmente digitar um título, um texto — com suporte   Markdown — e pronto. Ganha uma URL, um endereço para compartilhar através das redes sociais. O serviço aceita imagens e vídeos do YouTube, e você pode ser um escritor anônimo, ou se identificar no Twitter para levar crédito por seus textos e ter acesso a eles, no futuro. As páginas criadas, como a deste cara, são bem legais.

Posthaven

Finalmente, há um serviço chamado Posthaven, mencionado ainda ontem no Hacker News. Ele merece ser citado porquê foi criado por Garry Tan e Brett Gibson, co-fundadores do Posterous, que afirmam que o serviço nunca será vendido e nunca acabará. Isso será possível, adivinhem, graças   monetização:

It’s $5 a month and will have all of the ease of use and power of Posterous. It’s just the two of us and we’re coding it in our bedrooms right now.

Há ainda uma coisa interessante no Posthaven. Se você parar de pagar pelo serviço, perde apenas o direito de acrescentar novos posts e editar os antigos, e continua podendo visualizar suas páginas, com as criações antigas. Quando quiser voltar, paga novamente e tem seus acessos restaurados. Apesar de o serviço ainda não ter sido lançado — está programado para breve —, admito que esse modelo de negócio quase me lembrou o do Flickr. A diferença é que, no site de hospedagem de fotos, após 90 dias de inatividade, uma conta não PRO pode ser deletada. No Posthaven, não.

Ou será que…?!

Ouviram do Ipiranga?

Quando meu filho mais velho veio me pedir ajuda com a tarefa hoje, achei interessante a pergunta que a professora havia pedido para que ele fizesse   algum adulto da casa: “Qual é uma lembrança que ele tem da época da escola?”.

Minha resposta poderia ter sido qualquer uma, pois tive diversos momentos memoráveis quando pequeno. No entanto, para permitir que ele percebesse certo constraste entre épocas, disse que me lembrava de, todos os meses, participar de um Culto   Bandeira, onde cantávamos o Hino Nacional. Depois de cada evento desses, aliás, havia apresentações que, nós, alunos, fazíamos para outros alunos, coordenados pelas professoras.

Meus pais já me contaram, certa vez, que na época deles, cantar o Hino Nacional era ponto obrigatório antes das aulas começarem. Isso mostra que, no espaço de apenas uma geração, o Hino deixou de ser um canto diário para ser mensal, e, no espaço de duas gerações, a dos avós do meu filho e ele, bem… O Hino deixou completamente de ser cantado.

Civismo

Qual a importância do Hino Nacional, e porquê eu deveria me importar com o fato de que as escolas tenham parado de realizar eventos como um Culto   Bandeira?

Devemos nos importar porquê aprender o Hino e celebrá-lo é o mínimo que devemos fazer para ensinar  s crianças o respeito pelo nosso país.

Ao contrário de Estados Unidos e França, só para citar dois países, onde as bandeiras nacionais estão   vista em escolas e outros prédios públicos, monumentos e vários outros lugares, não somos um país patriota.

O brasileiro reclama do país. Do governo, dos impostos, da educação. Critica o país como se não fosse culpa dele mesmo o governo que temos, os escândalos, a corrupção que todo dia está nas manchetes. Mas não move, muitas vezes, sequer uma palha para mudar a situação.

Quando vemos um ente querido doente, — e quem é pai sabe certamente disso — nossa vontade é muitas vezes tomar o lugar dessa pessoa, dado o amor que sentimos por ela. Fazemos isso porquê no fundo nosso desejo é ver essa pessoa melhor, porquê nós a amamos.

Não se quer mudar o que não se ama. Não estou generalizando, mas como ensinar amor pelo país se um ato simples como cantar o Hino Brasileiro não é mais praticado nas escolas? Se matérias como Educação Moral e Cívica, ainda que instituídas por outros governos em outros carnavais, que ensinavam aos alunos sobre nossos hinos, nossas armas nacionais e os principais cargos brasileiros e órgãos do governo, não fazem mais parte do currículo?

O brasileiro, ao contrário do francês ou do americano, não valoriza seu país. Por aqui só cantamos Hino Nacional em época de Copa do Mundo, e ainda assim sem ficar em posição de sentido e respeito, como eu me lembro de fazer quando estudava, e disse hoje ao meu filho.

Existe uma lei publicada no Diário Oficial da União em 21 de setembro de 2009, de número 12.031, que obriga escolas, sejam elas públicas ou particulares, a executarem o Hino Nacional pelo menos uma vez por semana. No entanto, quando perguntei ao meu filho, há pouco, se na escola dele cantavam o Hino Nacional, ele me disse:

— Só no 7 de setembro, papai.

Brasileiro é assim mesmo. Cria lei para tudo, mas esquece que falta braço — e pernas — para fiscalizar o cumprimento dessas leis. E é claro, existe lei muito mais importante do que a que obriga as escolas a executarem o Hino Nacional semanalmente para fiscalizar. Aliás, esse assunto não deveria ser regido por uma lei. Deveria ser natural que as escolas ensinassem respeito pela Pátria, automaticamente. Mas não.

A única coisa que me deixa tranquilo é saber que não dependo de que a escola ensine civismo aos meus filhos. Isso, eu mesmo posso — e vou — fazer. Questão de valores.

Nós não nascemos para assistir vídeos na vertical!

Você com certeza já assistiu. E, se usa bastante seu celular como eu, pode até já ter criado algum deles, ainda que de maneira inadvertida.

Estou falando, é claro, do vídeo gravado em orientação retrato. Aquele mesmo, em que o celular é mantido na posição vertical durante a captura, e que por isso mesmo pode ser chamado também de vídeo na vertical.

Os resultados de um vídeo gravado assim podem ser considerados desastrosos. Quando se assiste um vídeo na vertical, o resultado é uma imagem estreita, com barras pretas preenchendo os lados esquerdo e direito da tela. A coisa pode até funcionar direito em alguns um único caso, que é quando desenvolvedores querem fazer um vídeo de demonstração de seus aplicativos para smartphones, mas, fora isso, é algo que deveria ser repensado.

E convenhamos: Com tablets e smartphones ostentando seus acelerômetros, seria muito fácil que os sistemas operacionais ao menos alertassem os usuários de que os seus aparelhos estão na vertical antes de começarem a gravar os vídeos.

Não me entendam mal… Esta posição sobre vídeos na vertical é extremamente pessoal. Eu acho que eles são completamente errados. E acabei encontrando por acaso, na internet, o vídeo que está acima, exibindo de maneira divertida as consequências da chamada síndrome do vídeo vertical.

Eu entendo que a orientação retrato é remanescente das câmeras digitais, e, na verdade, da época das câmeras analógicas. Mas enquanto parece completamente correto virar a câmera na vertical para tirar uma foto em pé, a mesma naturalidade não existe para os vídeos. Há, aliás, uma questão deveras importante neste caso: A posição default da câmera digital é paisagem, ou seja, na horizontal — talvez por isso não nos deparemos com vídeos em pé capturados por elas. E, como diz o vídeo acima, filmes, televisão, telas de cinema e até mesmo nossos olhos sempre foram horizontais. Porquê mudar isso?

Oba! Papai Noel me trouxe um Kindle!

Papai Noel se atrasou um pouquinho, mas me trouxe uma coisa que eu sempre quis muito ter: um Kindle. Trata-se do modelo mais simples, com tela de 6″, vendido pela Amazon por US$ 89, sem special offers, mas eu não poderia estar mais satisfeito e feliz, mesmo que o presente de muita gente por aí neste Natal tenha sido, na verdade, um tablet.

Aliás, eu li não há muito tempo atrás um texto questionando se ainda fazia sentido comprar um leitor de ebooks como um Kindle, já que justamente os tablets custam apenas um pouco mais ââ?¬â? ao menos na terra do Tio Sam, é claro ââ?¬â? e têm uma infinidade de recursos extras. Com a mídia especializada praticamente fazendo a caveira do leitor de livros eletrônicos, esta dúvida parece completamente plausível:

Shipments of ebook readers by year-end will fall to 14.9 million units, down a steep 36 percent from the 23.2 million units in 2011 that now appears to have been the peak of the ebook reader market. Another drastic 27 percent contraction will occur next year when ebook reader shipments decline to 10.9 million units. By 2016, the ebook reader space will amount to just 7.1 million units�equivalent to a loss of more than two-thirds of its peak volume in 2011.

Mas minha verdadeira paixão pelo Kindle basicão que eu ganhei de Natal não se dá apenas pelo fato de ele ser considerado o favorito do criador do Instapaper, Marco Arment. Acontece que por mais que os tablets sejam versáteis ââ?¬â? prova disso é que eu estou escrevendo este post no meu iPad ââ?¬â?, servindo desde reprodutores de filmes até GPS e tabuleiros de jogos virtuais, há algumas coisas que apenas meu Kindle me proporciona.

Este foi o melhor presente de todos os tempos!!
Este foi o melhor presente de todos os tempos!!

Por exemplo: Tente você, numa casa com duas crianças, usar o iPad ââ?¬â? ou qualquer outro tablet, for that matter ââ?¬â? para ler um livro. É impossível, e olha que meu filho mais novo tem apenas 1 aninho e 3 meses. O mais velho, então, já se convenceu de que o tablet é maior que a tela do celular e mais legal que meu monitor de 21″ do escritório. Agora, do Kindle, eles nem querem saber ââ?¬â? talvez em parte, é verdade, porquê 90% do que eu esteja lendo está em inglês. Mesmo assim

Outra coisa: A iluminação traseira realmente cansa a vista quando você resolve ler um livro por, digamos, mais do que vinte ou trinta minutos. Um Kindle, como possui a tal tecnologia e-ink, além de não cansar a vista, ainda permite que você leia ao sol e conte com uma bateria que dura infinitamente mais do que a de smartphones e tablets.

Um último fator que me chamou a atenção foi o peso do Kindle: são apenas 240 gramas!! Com este peso, posso levá-lo por aí sem maiores incômodos. Para se ter uma ideia de comparação, o iPad onde estou escrevendo, um modelo com retina display e wi-fi only, pesa absurdos 652 gramas. Some a isto o fato de que, com um Kindle, eu posso me dedicar completamente e tão somente   leitura, sem ser interrompido pelas constantes notificações de email, Facebooks e Twittes da vida, e temos um vencedor total.

Em tempo, as madrugadas do final de semana ainda podem servir para usar o iPad, como agora. Nestas ocasiões, até uso o app do Kindle, da mesma forma que o fazia, até então, no ônibus, a caminho do trabalho, só que no iPhone. Agora, no ônibus mesmo, só o Kindle: palmas para o last reading position syncing!!