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Sobre tomar notas e Cintanotes

Estava lendo o texto que o Ghedin escreveu sobre como seria o aplicativo de notas ideal para Windows e resolvi escrever este texto como uma espécie de resposta, sobretudo porquê eu, mais do que ninguém, vivo experimentando aplicativos — deste e de outros gêneros.

Antes de mais nada, no entanto, quero deixar claro que, pessoalmente, costumo fazer anotações de três tipos.

Primeiro, aquelas que se referem às tarefas que eu preciso executar, o que alguns costumeiramente chamariam de uma lista de to-do. Em segundo lugar, aquelas que me serão úteis em algum momento, seja no trabalho, seja na vida pessoal, como por exemplo, referências, tutoriais, artigos e manuais, entre muitas outras coisas. Esta utilidade pode variar ou se ampliar, e esta categoria de notas que eu crio tende a ser bastante editada.

Finalmente, faço anotações para compor textos que escrevo, especificamente para meu blog — este que você está lendo. Esta categoria de anotação tem sido bastante esparsa — mais do que eu gostaria, na verdade —, e, para ela, eu procuro trabalhar à frente do meu computador desktop, usando o fantástico WriteMonkey, que, além de leve e grátis, ainda impede que eu me distraia quando estou compondo algum texto.

Para as duas primeiras categorias de notas que eu citei, já usei diversas soluções. No primeiro caso, inclusive, escrevi aqui mesmo no blog sobre um programa chamado Noteliner, que eu usei por quase dois anos para dar conta dos meus to-dos e que, mais recentemente, no entanto, foi trocado pelo Remember the Milk, que possui diversos recursos interessantes como reminders e um app para iPhone e iPad que me quebra um galho enorme, e que por isso mesmo tomou facilmente o lugar do anterior.

Para a segunda categoria de notas usei por muito tempo um programa chamado Keynote, que era na verdade um outliner muito versátil e que permitia a criação de notas — na verdade arquivos de texto organizados como um verdadeiro banco de dados — com recursos como formatação richtext e inserção de imagens, além de permitir organizá-las e procurá-las de diversas maneiras. Embora a Tranglos Software tenha encerrado seu desenvolvimento em 2006, o projeto foi levado adiante e transformou-se no Keynote NF, ativamente mantido e com mais recursos que seu antecessor, e que eu também usei para não ficar órfão.

Só parei de usar o Keynote e o Keynote NF porquê com a mobilidade dos tempos mais recentes, não pude mais depender de um programa cuja base de dados era local. Com aparelhos smartphone, tablets e outros dispositivos em mãos, acabei me rendendo ao Evernote, que não deixa de pertencer, a meu ver, a uma categoria avançada de outliner, e que conta com tudo o que o Keynote possuía e muito mais: sobretudo, capacidade de sincronização e, aqui também, um app para iPhone.

Mas e o texto do Rodrigo Ghedin?

Depois de ter dito tudo isso — e dividido com vocês algumas de minhas preferências pessoais atuais no mundo da tomada de notas, vou direto ao assunto: Para solucionar as questões descritas por ele, eu escolheria um notável software chamado Cintanotes.

Trata-se de um aplicativo gratuito muito simples e leve, voltado para a tomada de notas e que recentemente ganhou também uma versão comercial, que por menos de 10 Obamas habilita alguns recursos extras e, convenhamos, ajuda o autor a comprar o leite das crianças.

De qualquer maneira, porquê essa escolha?

Bem, primeiro porquê ele menciona o Notational Velocity e o Resoph Notes, e, a meu ver, o Cintanotes é fortemente inspirado por — ou pelo menos muito parecido com — ambos.

Além disso, o Rodrigo fala em seu texto que procura algo que apresente bom desempenho. O Cintanotes é escrito em Visual C++ e recorre apenas à chamadas de API puras do Windows, ou seja, nada de .NET ou MFC.

É um download pequeno — cerca de 1,5 MB e possui uma assinatura de memória baixa, além de ficar no system tray quando minimizado e responder rapidamente à uma tecla de atalho que pode ser acionada para capturar o que quer que esteja na área de transferência do Windows e transformar em nota.

Quanto à pesquisa em tempo real, o que é facilmente atendido pela ferramenta, que tem uma interface simples com uma lista de notas à direita e uma barra de busca find and highlight as you type na região superior, que é uma das mais rápidas que eu já vi.

Sobre a questão de aparência e usabilidade — embora neste caso seja a minha vez de dizer que esta não é bem a minha praia —, o Cintanotes possui apenas e tão somente caixas de busca e de filtro, uma lista de notas e, à esquerda, uma barra com tags que pode ou não, dependendo da vontade do usuário, ser escondida.

Quanto à suporte ao Aero Glass, é algo nativo, e você pode configurar as fontes e seus tamanhos — inclusive, assim, usando a Segoe UI, que o Rodrigo mencionada. Talvez o único senão se dê em relação ao espaçamento entre linhas, que não pode ser alterado.

O próximo ponto que ele aborda são menus e teclas de atalho.

Teclas de atalho estão presentes no programa, e permitem a edição básica de texto, como torná-lo negrito, itálico, sublinhado e tachado, acrescida da possibilidade de destacar (highlight) trechos de texto, e de transformá-los em monospace. Além disso, pode-se pressionar F2 para edição rápida de notas, F4 para adicionar tags (falo delas mais adiante) e configurar teclas de atalho para captura rápida de notas, como mencionei acima, para exibição da janela principal do programa e para a criação de notas em branco.

No caso dos menus, há um com operações básicas de arquivo, inclusive com direito a backup, importação e exportação de notas nos formatos unicode e XML para a versão gratuita do programa, e destes formatos e mais HTML para a versão paga. Existem outros menus, e, das opções desejáveis pelo Ghedin para edição de texto, só não existe a de find and replace, embora ela exista para a edição de tags.

Tags, aliás, são possivelmente uma característica muito interessante para muitas pessoas (eu, inclusive). Talvez não para uma resposta ao texto, mas sim quando se trabalha com diversas categorias de notas. No Evernote, por exemplo, poderiam-se usar tags e notebooks, embora no Cintanotes as tags já atuem bem, e possam ser agrupadas, movidas e excluídas com muita facilidade.

No quesito seguinte markdown e HTML, já mencionei a exportação para HTML caso se opte por adquirir a versão paga do Cintanotes. O programa, no entanto, não possui uma exportação para markdown — a-há, WriteMonkey! —, embora o autor da ferramenta abra espaço para a sugestão de novas features.

Agora, uma questão muito importante. A sincronização. Para aqueles que usam múltiplos computadores — como, por exemplo, um desktop e um ou mais notebooks —, o Cintanotes é perfeito. Existem instruções para efetuar sincronização com o Dropbox, baseadas na cópia do arquivo onde estão armazenadas suas notas para uma pasta sincronizada com o serviço. Simples e funcional, e ainda melhor se levarmos em conta que quando eu fecho uma nota após editá-la ela é automaticamente salva neste arquivo.

Mas, ao contrário do Noteliner e do Keynote, que mencionei aqui, as notas não são salvas em arquivos texto, e sim em formato proprietário. Assim, se a intenção for visualizar e concluir a edição de um texto em um smartphone ou tablet, por exemplo, nada feito — mesmo com a aplicação nativa do Dropbox para iPhone, por exemplo. É melhor, mais uma vez, optar pelo Evernote.

No entanto, ainda cito o Cintanotes para resolver o questionamento do Ghedin por seu oferecimento de alguma alternativa de sincronia online, e pelo simples fato de ser o que é: um aplicativo amigável, agradável aos olhos, ativamente desenvolvido e muito funcional. Creio que valha, ao menos, experimentar…