Siri, por que não me entendes?

Encontrei hoje um infográfico que me fez lembrar do que ocorreu há pouco mais de um mês, quando troquei meu iPhone 3GS por um iPhone 4S e o mostrei a uma de minhas amigas no trabalho, que foi logo me perguntando: — “Mas me diz aí, o seu iPhone novo tem Siri?“.

Para aqueles que não estão familiarizados, ela estava me perguntado sobre o Speech Interpretation and Recognition Interface — Siri —, software que passou a integrar o iOS 5, sistema operacional da Apple, justamente a partir da versão 4S do iPhone, e que serve para automatizar tarefas do dia-a-dia, como o envio de mensagens de e-mail, o agendamento de reuniões, a reprodução de música a partir do aparelho, além da realização de buscas pela internet, dentre muitas outras coisas.

Minha resposta pra ela foi muito simples: “Sim, tem Siri sim. Mas acontece que achei esse negócio lá essas coisas, não“.

Não me levem à mal aqueles que são entusiastas da ferramenta — ela tem um potencial muito grande, é verdade. Mas o que me faz ter tal opinião são três motivos realmente muito simples:

  • Primeiro, não uso muito o recurso de assistência por voz do iPhone, quer o antigo, quer o Siri. Na verdade, o único momento em que normalmente isso ocorre é quando estou ao volante e preciso fazer uma ligação: Neste caso, meu carro, que está interligado ao aparelho por bluetooth, acaba me permitindo usar o comando de voz para completar ligações. Embora eu possa ativar o aparelho por voz em outras circunstâncias, praticamente nunca me lembro de fazer isso
  • Segundo, Usar o Siri requer conectividade com a internet. E o bichinho é um verdadeiro consumidor de banda, já que, desde para me dizer a quantas anda a temperatura na cidade até para me dizer os filmes que estão em cartaz (nos cinemas norte-americanos, é claro), é necessário estar conectado. Isto é outro fator potencial que inviabiliza a utilização frequente do Siri, sobretudo considerando-se a péssima infraestrutura de telefonia e dados que atualmente está instalada em nosso país.
  • Finalmente, o terceiro motivo: Pelo menos até agora, o Siri está disponível apenas em inglês, francês, alemão e japonês. Assim, fica complicado para a maioria das pessoas tirar proveito total de todas as funcionalidades oferecidas por conta da barreira linguística.

O inglês não é uma barreira para mim, é verdade — e o francês está deixando de ser — mas convenhamos que sacar o iPhone e ativar o Siri perguntando-lhe “What’s the capital of New York?” não é particularmente animador para, por exemplo, esta minha amiga que queria ver todo o potencial da coisa.

Além disso, o controle de voz convencional do iPhone atualmente ganha de goleada do Siri quando lhe peço para “Ligar para casa“, ou “Reproduzir Legião Urbana“, comandos incompreendidos pelo Siri, já que o novo software se atrapalha sobretudo por não reconhecer a entonação brasileira — ou seja, o Siri não me entende, pelo menos não em minha língua mater, com meu sotaque original.

[infográfico via This Blog Rules]