Uma alternativa ao “Mãos no volante”?

Mãos no Volante -- AndroidVi em mais de um telejornal hoje que o Ministério das Cidades e o Denatran lançaram há alguns dias um aplicativo gratuito para Android — e para alguns outros modelos de smartphone — chamado Mãos no Volante. A ideia do programa é muito simples: Você o acessa e o configura informando que vai passar um tempo dirigindo — e durante aquele tempo, seu aparelho fica impossibilitado de receber chamadas.

Além disso, logo depois de recusar uma chamada, o app também envia uma mensagem SMS para quem tenha tentado te ligar, com um texto padrão — “Estou dirigindo no momento. Ligo mais tarde.” — que também pode opcionalmente ser configurado. A iniciativa vem do fato de que, de acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,3 milhão de pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito, sendo o uso do celular a principal distração.

O movimento e a divulgação do aplicativo são interessantes, é verdade, mas me pergunto efetivamente quanto do número de acidentes provocados por falar ao celular será de fato reduzido pelo uso da ferramenta. Afinal de contas, elogios e mensagens positivas dos usuários que fizeram o download no Market   parte, creio que grande parte das pessoas continuará cometendo o erro de falar ao telefone ao volante, seja porquê não tem acesso   um smartphone, seja porquê mesmo com o aplicativo instalado no telefone, não lembrarão de configurá-lo, ou deixarão de fazê-lo com o tempo — estou só dizendo, é claro.

Mesmo que eu me prove estar errado ao longo do tempo — e eu juro, espero que esteja errado —, creio que medidas muito mais simples podem ser aplicadas para reduzir o número de mortes provocadas por bate papo ao celunar enquanto se dirige. A principal delas, honestamente, é criar o hábito de desligar o aparelho antes de começar   dirigir, e só voltar a ligá-lo quando chegar ao seu destino, uma alternativa que funciona sem que seja necessário dispender nem sequer o custo das mensagens SMS que o Mãos no Volante envia para seus contatos.

E se você não pode passar sem desligar o aparelho, tente o modo silencioso. Qualquer telefone que se preze — mesmo não sendo um smartphone — pode ser ajustado para este modo quando você for pegar o carro, e, ao chegar ao seu destino, basta procurar nos registros alguma ligação perdida, e retornar a chamada.

Em tempo, vejam o vídeo abaixo: Ele ilustra experimentos realizados na Alemanha com um carro que se autodirige. Será uma solução para o futuro, em que mesmo dentro de um carro, as pessoas estarão livres para falar ao celular?

(há uma versão em português de Portugal da notícia relacionada ao vídeo acima,também)

Au revoir, sacolas plásticas

Uma das lembranças mais vivas que eu tenho dos tempos em que eu era criança é que, quando ia   feira ou ao mercado, minha avó levava consigo pelo menos um de seus fiéis escudeiros — o carrinho de compras ou a sacola de feira, feita de nylon xadrez e com alça revestida de borracha em forma de tubo.

Nas vezes em que eu a acompanhava, aliás, me lembro de ajudar a colocar frutas, verduras e legumes no carrinho, sempre tomando o cuidado de deixar as coisas mais pesadas, como laranjas, limões e melancia, na divisória inferior. Se era com a sacola que ela ia, eu me oferecia para carregá-la se estivesse muito pesada.

A lembrança que eu tenho é de uma época já mais de 20 anos distante, uma época em que ir ao supermercado significava encontrar empacotadores trabalhando, sempre a postos para nos ajudar a guardar as compras em sacos de papel marrom timbrados com o logotipo das lojas — particularmente, achava o máximo os sacos do Jumbo Eletro, com seus elefantinhos azuis.

Com o passar dos anos, sacos de papel marrom, carrinhos de feira e também as sacolas de nylon como as que a minha avó costumava usar foram substituídas por sacos plásticos, sobretudo em supermercados. Não só os sacos plásticos foram deixando seus antepassados para trás, como também passaram a ser utilizados de maneira alternativa quem nunca usou um saco de supermercado como saco de lixo que atire a primeira pedra.

Deste ponto até chegar  s cenas que muitas vezes vemos nos telejornais e outras mídias, em que ambientalistas alertam que as sacolas de plástico são prejudiciais ao meio ambiente, é apenas um pequeno passo. Aliás, não é novidade que, movidas por esta questão, diversas cidades brasileiras passaram a criar legislações proibindo o uso das sacolas plásticas em supermercados, sempre esbarrando no fato de que tais leis são atualmente consideradas inconstitucionais em nosso país, ainda que se esteja pensando no bem estar da humanidade e do mundo como um todo.

Mas, como também bem dizia minha avó, quando uma coisa tem que ser, ela será.  A partir da quarta-feira que vem, dia 25 de janeiro, cerca de 80% dos supermercados do estado de São Paulo deixarão de oferecer sacolas plásticas como alternativa a quem visita suas lojas. Consumidores precisarão trazer caixas de papelão e sacolas retornáveis  s compras, e, porquê não, carrinhos e sacolas de feira exatamente iguais  s que a minha avó usava. A diferença é que a iniciativa não será desencadeada por uma lei, e sim, por um acordo feito entre o governo do estado e a Associação Paulista dos Supermercados (APAS), sendo assim, voluntária a adoção da medida pelas lojas.

Graças a essa adoção voluntária, por sinal, uma das coisas que deve passar a acontecer é a cobrança de um valor de cerca de R$ 0,20 por sacolinha plástica que alguém ainda queira levar para casa. Por mais estranho que isso possa parecer, a coisa não é novidade. Me lembro de visitar uma das lojas do Carrefour quando estive na França, em 2010, e por lá ver exatamente isso acontecendo — quem não tinha sacola retornável, ou levava as compras na mão, ou pagava por elas. Nem mesmo no Brasil isso é novo: O modelo é empregado há anos nas lojas do Sam’s Club, cadeia de atacado da mesma rede do Walmart.

Podem até dizer — como já dizem — que iniciativas como esta não são nada perto do problema geral, da situação como um todo. Pode bem ser verdade, mas o que foi que já mudou sem que ninguém fizesse nada? Anos atrás, também na época em que minha avó fazia compras, o cinto de segurança não era obrigatório e as mortes no trânsito atingiam números muito maiores do que hoje em dia. Apenas após muita conscientização a coisa mudou. Pode ser assim também no caso das sacolas de plástico.

O que é certo é que grandes redes de supermercado como Pão de Açúcar, Extra, Carrefour e Walmart farão sua adesão   iniciativa. Aqui em São José dos Campos, aliás, a coisa tem sido anunciada não apenas em suas lojas, mas também através de campanha publicitária realizada no rádio, com o slogan Vamos Tirar o Planeta do Sufoco. Para mim, toda essa movimentação traz justamente esse saudosismo, essa lembrança da época em que ia  s compras quando criança, e já me faz, também, levar ao supermercado minhas caixas de papelão e sacolas retornáveis. Quem sabe assim eu contribuo para mudar o mundo, um pouquinho de cada vez?

Do Fences para o Bins

Dezenas de ícones sempre ficaram espalhados pelo meu desktop — basicamente, os atalhos para os programas que mais utilizo, cuidadosamente colocados ali para que eu sempre consiga acessá-los rapidamente. E, justamente devido   esta grande quantidade de ícones, eu vinha utilizando a versão gratuita do Fences, um desktop organizer que permite criar várias regiões na área de trabalho — as fences —, onde os arquivos, pastas e atalhos podem ser arrastados.

Exemplo da aparência de um desktop com Fences

Apesar de ser sem sombra de dúvida um programa genial, minha principal insatisfação com o Fences sempre foi o fato de que o número de fences que eu utilizo também é muito grande. Assim, quem olha para o meu desktop se vê na frente de um grande número de ícones dispostos em um grande número de containers na tela, o que, na prática, me incomoda bastante — tão paradoxal quanto isso possa parecer, porquê a área de trabalho, na prática, acaba passando  a mesma sensação de aglomeração. Além disso, algumas pessoas podem dizer, com certa razão, que o uso do Fences é um retorno   época — nada saudosa — do Windows 3.1 e de seu progman.exe.

Mas eu descobri um primo do Fences — isso porquê é desenvolvido pelos mesmos criadores do primeiro. O programa se chama Bins, e também é um organizador, só que da barra de tarefas. A proposta, aliás, é muito simples: Ao ser instalado, o Bins permite emular o recurso de criação de stacks, amplamente conhecido entre os usuários de OSX, ao mudar o comportamento dos ícones do taskbar, que podem ser arrastados para cima uns dos outros, criando o efeito similar ao conhecido no sistema operacional da Apple.

Arrastar os ícones um para cima do outro faz com que seja exibido um grupo vazio na barra de tarefas, para onde os atalhos, pastas e arquivos podem ser arrastados. O ícone correspondente a este container, então, passa a exibir até quatro miniaturas dos ícones que ali estão contidos, sendo possível clicar o botão esquerdo do mouse sobre ele para executar o primeiro dos programas da lista, ou fazer mouseover para exibir e executar as demais aplicações.

Organização de ícones com o Bins

Programas em execução tem o ícone em destaque, enquanto que aqueles que não estão abertos no momento ficam ligeiramente transparentes e esmaecidos. No final das contas, ao fazer o download e instalação, me vi eliminar uma série de ícones que não precisava de fato que estivessem ali, ao mesmo tempo em que pude agrupar aplicativos em arranjos mais lógicos — como deixar juntos os ícones do Firefox, Google Chrome e do uTorrent, por exemplo, entre outros, e também aplicar o mesmo princípio para minhas ferramentas e jogos do Steam, entre outros.

Há, no entanto, três pontos importantes a serem considerados com relação ao Bins:

  • Ele só pode ser executado em computadores com o Windows 7 — nada de Vista, e nem de XP;
  • É um programa razoavelmente novo ainda e, como tal, pode ser necessário esperar por uma ou outra característica mais avançada, e por um gerenciamento de memória melhor — o footprint do programa na memória pode chegar a 60Mb em algumas situações;
  • O Bins não é um freeware. Seu custo é de US$ 4,99. Especificamente com relação   isso, é verdade que existem alternativas gratuitas, como o StandaloneStack, ou o 7stacks, mas não as considero tão simples de configurar como o Bins.

No final das contas, fiquei com uma área de trabalho muito mais limpa — apenas a lixeira e alguns documentos com os quais estou trabalhando no momento permaneceram ali —, o que me deixou muito mais satisfeito, com certeza.