em Web

Adeus, Delicious. Olá, Pinboard.

What’s next for Delicious?

A frase de efeito que agora estampa a página onde antes era mantido o blog do site de social bookmarking mais famoso de todos os tempos é, para os ainda desavisados, fruto de uma série de notícias desencadeada esta semana com relação ao provável fechamento do serviço, adquirido pelo Yahoo! em 2005, graças a uma reestruturação da empresa, que vai de mal a pior em matéria de sobrevivência, e agora começa a anunciar o desmantelamento não apenas deste, mas de uma série de sites que estão sob sua administração.

Embora quem se dê ao trabalho de continuar a ler sobre o destino do serviço em seu ex-blog possa até se convencer de que o Delicious não chegou ao fim — e que será mantido até que seja vendido para algum possível interessado —, eu confesso logo de cara que não sou tão otimista assim, e, assim sendo, me enquadro na categoria daqueles que temem pelo futuro de tantos bookmarks armazenados durante anos de navegação. Assim sendo, me coloquei   procura de serviços alternativos.

E achar alternativas   altura para ele, aviso logo, não é nem de perto algo fácil.

A primeira coisa que me ocorreu foi recorrer   memória. Lá pelos idos de 2008 — em que eu me dedicava muito mais do que hoje em dia a ficar desbravando a internet —, eu havia criado uma conta no Diigo, um dos sites que hoje está se aproveitando da maré de azar do Delicious para angariar novos usuários. Sendo assim, fui correndo (tá bom, vai… só digitei o endereço no navegador) até o site, para ver a quantas ele andava. E relembrei o porquê de tê-lo abandonado tão rápido, no passado: Sua interface, muito lenta e carregada. Cheia de anúncios. Cheia de coisas que eu simplesmente não precisava na época — e que ainda não preciso. Não tive coragem de elegê-lo como um substituto   altura.

Outro que cogitei foi o XMarks, pois li em alguns sites alguns bons comentários a respeito do serviço. No entanto, me perdoe se você optou por esta alternativa, pois, a despeito de me parecer muito promissora a busca por novos sites e notícias — uma das coisas que mais gosto de fazer com o Delicious —, a exemplo do que acabo de descrever em relação ao Diigo, também não tive coragem de experimentar o serviço a fundo, porquê novamente me vi frente   uma interface onde faltam simplicidade e leveza.

Talvez seja chatice minha, essa história de simplicidade. Mas o que posso fazer, se fui tão mal acostumado? Ora, o que torna o Delicious tão delicioso (ai…) é a sua simplicidade. Então, se for pra trocar por algum outro serviço, é de se esperar, ao menos na minha opinião, que ele seja simples também. Simples ao identificar links populares. Simples ao me permitir buscar conteúdo armazenado anteriormente. E simples, entre mais tantas outras coisas, ao cruzar tags — ou seja, combiná-las com operadores, tal como em tag1 + tag2 + tag3 —, do jeitinho como eu estou acostumado a fazer.

Foi aí que eu li algo que o Rodrigo Ghedin tinha escrito a respeito deste assunto, e fiquei sabendo do Pinboard. Nas palavras do próprio Rodrigo:

O Pinboard é o equivalente digital a um trabalho artesanal. Tem um ano e meio de idade e é mantido por duas pessoas, Maciej Ceglowski e Peter Gadjokov (co-fundador do Delicious, FYI). Dão suporte por email (e respondem rápido),  Twitter e mantêm um blog-família onde detalham os avanços e relatam curiosidades do Pinboard.

Interface do Pinboard

Apesar de ser praticamente um trabalho artesanal, o Pinboard possui uma série de recursos muito interessantes para um serviço tão novo. Vários deles — como o uso de bookmarklets para inserir novos favoritos, ou a possibilidade de armazenar seus links em modo privado — são similares aos do Delicious, e não decepcionam o usuário que resolve fazer a migração. Mas há muitas coisas que o diferenciam do serviço que o Yahoo! adquiriu em 2005, dentre as quais:

  • Fazer download de bookmarks para visualização offline: Os últimos 25 bookmarks de qualquer página que você tiver armazenado podem ser baixados integralmente para que você os visualize sem uma conexão de internet. Ao solicitar o download, é possível obter uma pasta com uma cópia local de todos os endereços salvos, jntamente com um indice em formato HTML para abrir em seu navegador favorito.
  • Integração direta com o Twitter: Todos os links citados em seus tweets e também os que estiverem em tweets que você marcou como favoritos podem ser automaticamente gravados pelo Pinboard. Além disso, se você assim determinar, poderá criar um arquivo de todos os seus tweets, que poderá ser visualizado a qualquer momento,   parte de seus outros bookmarks. Ou seja, back-up instantâneo do Twitter.
  • Marcar itens para leitura posterior: Você está navegando em uma página e quer ler seu conteúdo depois. Com apenas um clique — e através de um bookmarklet, pode incluir o endereço em sua lista de “to read” e marcá-lo como lido posteriormente, também sendo capaz de visualizar este tipo de conteúdo   parte. E há um detalhe extra que é muito legal: Integração total com o Instapaper e o Google Reader.

Apesar de contar com muito menos usuários do que o Delicious, o Pinboard já tem alguns frutos. Entre os seus recursos disponíveis, além dos bookmarklets, estão uma extensão para o Google Chrome (estranhamente indisponível enquanto escrevo este artigo) e um plugin para WordPress, que permite listar os últimos sites publicamente armazenados. Se você usa o Firefox, também há pelo menos dois plugins interessantes, o Pinboard Quick Bookmark Button e o Pinboard.in, que permite usar o botão direito do mouse para interagir com o serviço.

Mas sou obrigado a concordar com o Rodrigo em outro de seus comentários, no que diz respeito   provável não popularização do Pinboard. Isso se deve ao fato de que, para começar a usar o serviço, deve-se pagar uma taxa que hoje está na casa de US$ 8. Os fundadores do serviço justificam o valor, que é pago uma única vez (ênfases por minha conta):

The signup fee helps discourage spammers and defrays some of the costs of running the site.

Thanks to the entry fee, Pinboard has remained spam-free since launch. Not having to expend resources on spam fighting means having more time to work on features, and keeps the site fast and small.

The fee is based on the formula (number of users * $0.001), so the earlier you join, the less you pay.

Se você gostou da ideia como eu gostei, sugiro que tome uma decisão rápida. Antes que o preço suba mais. E, qualquer coisa, passe pelo meu novo endereço para uma visitinha.

Escreva um comentário

Comentário