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Admita: Você também esqueceu o Google Wave!

Esquecer um aniversário deve ser uma das maiores gafes que alguém pode cometer.

Eu me esqueci de um, esta semana. Me esqueci de comprar bolo. Me esqueci de comprar o presente. Olha, sinceramente, eu havia me esquecido, até mesmo, do nome do aniversariante. Eu estou falando do Google Wave, que fez aniversário no final de maio.

Me lembro, como se fosse ontem, o quanto fiquei ansioso pelo recebimento de um convite para testá-lo, e então constato, incrédulo, que já não acho que seja como se fosse ontem. Devo admitir que o Wave,  que  foi aberto ao público em geral no mês passado, e não precisa mais de convites, foi esquecido por mim. E, muito provavelmente, esquecido por você também.

Afirmar algo assim, para mim, acreditem, é um paradoxo. Como pude esquecer de algo que me deixou fascinado com as possibilidades que oferecia? O Wave nasceu, provavelmente, como a invenção mais revolucionária da humanidade desde a roda. Prometia ser o sucessor do e-mail como o conhecemos, da maneira como as pessoas trocam suas mensagens instantâneas, da forma como compartilhamos arquivos e imagens, e muito mais. Pergunto de novo: Como é que se pode esquecer de algo assim?

Bem… não sei. Mas quanto mais eu penso nisso, mais eu acredito que a resposta é uma só: O Wave está muito   frente do seu tempo. Tão   frente, que esta distância provavelmente só pode ser medida em anos-luz. Tão distante, que, quando entramos em nosso painel de waves, a sensação é a de, pelo menos pra mim, ter assistido   uma aula complicadíssima, e não ter o que perguntar simplesmente porquê não se compreendeu o mínimo possível sequer para podermos formular uma simples pergunta. Tão distante, que até mesmo o pessoal do Google se desculpou por não ter conseguido explicar a que veio o Wave.

Ora, que outra explicação pode existir? Digo, durante muito tempo, vi as pessoas se perguntando — e me perguntando, também — sobre como funcionava o Wave. Para que ele servia. E para estas pessoas, a desculpa de ser o sucessor do e-mail como o conhecemos já não era suficiente. Mas as respostas conhecidas, também não. “Outra hora eu substituo meu e-mail. Depois de esvaziar meu inbox“. “Outra hora eu vou experimentar o Wave pra mandar mensagens… deixa eu acabar de twittar“. “Já já eu vejo… deixa só eu acabar de compartilhar essas imagens no Facebook“. Sabem como é?

Então é isso. Wave, me desculpe por esquecer do seu aniversário. Mas eu sei que você me perdoa — afinal, você é só uma criancinha ainda. Quando você crescer e fizer um baita sucesso, daqui a uns anos, eu vou estar com a consciência tranq¼ila, porque vou reconhecer que finalmente essa distância que separa a nós, meros mortais, de você, todos estes anos-luz, terão sido finalmente transpostos. Por ora, feliz aniversário.

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Comentário

  1. Ah, eu tenho uma visão diferente do Wave… Acho uma grande ideia muito mal implementada. Opções confusas, interface confusa, waves confusas. O EtherPad, que a Google comprou para melhorar o Wave, faz quase a mesma coisa, mas de um jeito mil vezes melhor. Aliás, ele foi descontinuado após a aquisição, mas seu código liberado; se quiser vê-lo em ação, o TypeWithMe é um “sucessor” da comunidade.

    O maior problema da Google, no momento, é admitir a c*gada que fez. Deve ser difícil, mas cedo ou tarde, veremos mudanças drásticas no Wave.

    []’s!

    • Ghedin,

      Só de olhar para a interface do TypeWithMe já podemos perceber, na minha opinião, os ingredientes de sucesso. O primeiro, o visual do site, que ao menos pra mim lembra o de um wiki. O segundo, a proposta — você entra na página principal, é recebido por um trocadilho bem-humorado (“Will You TypeWith.me?”) e logo abaixo vê um botão lhe convidando a criar um novo documento.

      Em resumo, é tudo o que o Wave precisaria ser. Como o Google costuma aprender com seus erros, concordo com você: Mais cedo ou mais tarde veremos a ferramenta mudar, provavelmente da água pro vinho, e, possivelmente, pra melhor.

      Abração!

  2. O Google Wave já começou com o pé esquerdo. Quando eu entro me perco totalmente, nem sei pra que serve aquilo e pra que servirá.
    É tudo diferente e confuso.
    O Google mostrou de uma forma muito ruim pra que serve o Wave.
    Se o serviço não for reformulado e melhorado ninguém vai usar. Pode ter certeza.

    • Victor,

      Realmente a palavra-chave aqui será reformulação. Bem ou mal, foi essa confusão na interface e na proposta da ferramenta que levou o Wave à essa situação. Vamos só ver quanto tempo vai levar, não é mesmo? Quem é que quer, afinal, desperdiçar usuários?

      Abração!

  3. O Wave realmente foi mesmo a maior decepção do Google até aqui. Lembro de ter lido em algum lugar que o Wave não era ruim, as pessoas é que não tinham se adaptado a ele e aprendido a usar.

    • Marcio,

      Li em algum lugar — não me lembro onde — que a proposta do Wave, ao menos inicialmente, seria melhorar ambientes corporativos e de ensino, mas acho sinceramente que ainda não está no ponto pra isso. Em outras palavras, precisa de reformulação, mesmo.

      Quanto a ser o maior fracasso do Google, acho que pelo menos mais um projeto, o Knol, empata. Eu sei que neste caso a ideia é ser uma Wikipedia de nicho, mas acho que se fosse melhor explorada, a coisa poderia deslanchar. E não o vai, pelo menos no curto espaço de tempo.

      Abração!