em Crônicas do Cotidiano

Os verdadeiros gestores do país somos nós

O vídeo acima — que me foi mostrado hoje pela manhã por um amigo e vem do competente time de humoristas liderados por Marcelo Adnet, do Comédia MTV — é um dos mais inteligentes que já vi: Na medida certa critica todos os políticos deste país utilizando o artifício da primeira pessoa, através de um estereótipo que na verdade retrata exatamente o perfil de 99% de nossos representantes governamentais.

Mas notem que o vídeo também tem espaço para criticar os cidadãos brasileiros. Tudo isso porquê nosso país — ao menos a meu veu ver —, não está preparado para eleições sérias.

Outro dia, conversando com o mesmo amigo que me mostrou hoje este vídeo, argumentávamos que, se nas grandes corporações — como aquela em que nós dois trabalhamos atualmente —, os funcionários são cobrados e avaliados através de planos de ação, que contém metas e objetivos a serem cumpridos ao longo de um determinado período de tempo e que, se ao término deste período, não se cumprem as metas, existem consequências — como a falta de pagamento de bônus ou até mesmo a demissão por falta de produtividade, também deveria ser assim com os nossos representantes de governo.

O grande mecanismo para que as grandes corporações privadas e os órgãos públicos sejam mais iguais neste aspecto, na verdade, já existe. Chama-se plano de governo, um equivalente perfeito ao plano de metas pelas quais os funcionários de iniciativas privadas são cobrados. O problema é que nosso país não parece estar, nem de longe, preparado para eleições sérias. Se estivesse, deveria cobrar mais consistentemente daqueles que resolvem concorrer a qualquer vaga do legislativo um plano de metas consistente, com prazos estabelecidos e metas claras, tal qual um empresário precisa desenvolver um plano de negócios e apresentá-lo a credores, antes de conseguir financiamento para seguir adiante, abrir e administrar sua empresa.

Como não estamos preparados, nos vemos  s voltas, como bem lembrou o Gilson, com candidaturas, por exemplo, das celebridades da moda, que se aproveitam de seus 15 minutos de fama para angariar votos de eleitores desavisados. “Olha, filha… não é aquele bonitinho daquele reality show? Vou votar nele”. Sem qualquer plano de governo mais estruturado —  s vezes com uma única meta, ou nenhuma — esses famosos — e também, é claro, um monte de gente anônima —- chegam ao poder por meio da população desavisada e por lá ficam, sendo pagas por nosso dinheiro, protegidas pelo esquecimento coletivo da população, que não usa meios para cobrá-las pelas ações que nos prometeram realizar uma vez que nós, após confiarmos nossos votos   elas, as elegêssemos.

Essa nossa curta memória também é responsável pela corrupção. Quantos não são os casos de representantes públicos envolvidos em escândalos, CPIs, mensalões e assim por diante? Notícias alardeadas pelos meios de comunicação diariamente nos dão informações sobre os rombos nos cofres públicos, tudo para que apenas alguns dias se constate que as pessoas já não se lembram mais, porquê a novela é mais importante, ou porquê a Copa do Mundo é. Voltando ao vídeo que me inspirou a escrever este texto, o que quero dizer é que se a crítica feita por Marcelo Adnet cabe como uma luva em nós, é por nossa própria culpa.

Se nós resolvêssemos ser mais como as grandes empresas — cobrando e advertindo nossos candidatos eleitos sobre a falta de andamento de seus planos de governo, e até mesmo solicitando suas demissões ao governo por falta de cumprimento das metas ou de produtividade —, seríamos mais preparados para eleições sérias. E as ferramentas estão cada vez mais em nossas próprias mãos, já que a cobrança, nos tempos de hoje, pode ser feita através de mensagens de email, de perfis do twitter, de comentários em blogs dos parlamentares, e, em última instância, para aqueles que ainda não tem acesso aos meios mais modernos, o bom, velho e tradicional embate olho-no-olho. Só na medida em que as pessoas criarem mais consciência do poder que tem em mãos, apoiando o Ficha Limpa, fazendo uso de informações históricas e destes canais de cobrança, é que nos colocaremos mais   vontade em nossos papéis de gestores de um país que usa de nossos representantes para alcançar os melhores interesses para o bem coletivo.

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