Lost, express

O final de Lost no último dia 23 de maio certamente mobilizou muita gente.

Milhões de fãs ansiosos por saber o desfecho de seis temporadas inteiras de mistérios após mistérios certamente se acumlaram em frente a seus televisores, ávidos por respostas. Como muitas delas vieram — mas muitas outras não vieram — a série deve se tornar assunto de bar, ônibus, hora do almoço — e por aí afora — ainda durante muito tempo. Desta maneira, aqueles que nunca viram sequer um único episódio da série podem precisar ouvir muito a respeito dela. Para estas pessoas, o vídeo abaixo é um resumo perfeito. E em apenas 3 minutos.

Pode não ser o melhor resumo. Mas é muito criativo.

Meu blog foi atacado pelo zettapetta.js

Depois de estar ausente do site por — praticamente três semanas seguidas, descobri hoje que meu site foi vítima de um ataque em massa a blogs que são movidos a WordPress. A descoberta não ocorreu instantaneamente: Tudo começou porquê, ao logar no dashboard do WordPress, percebi que a aparência das coisas estava um tanto quanto diferente, como se houvessem apagado todos os arquivos css (da área administrativa) do site. Intrigado por não entender a origem do problema — afinal, eu não havia feito grandes atualizações ou instalado novos plugins recentemente —, já havia me rendido à solução desesperada padrão, reinstalar a última versão da ferramenta.

Durante a reinstalação, graças a um vício que possuo — ficar apertando F5 freneticamente para ver todas as mensagens (temporárias) de erro que aparecem enquanto os arquivos estão sendo recolocados no lugar —, percebi que meu site estava se conectando ao domínio zettapetta.com, e logo imaginei que provavelmente havia mais caroços neste angu do que eu realmente gostaria. Um pouco de investigação me levou a descobrir que um script injection prejudicou vários sites que usam o WordPress a partir dos dias 6 e 7 de maio de 2010.

Dentre os possíveis comportamentos inadequados encontrados nos sites invadidos, identifiquei, com a ajuda de um programa de FTP, que próximo ao cabeçalho de todos os arquivos .php da minha instalação de WordPress havia um código malicioso que começava da seguinte maneira:

<?php /**/ eval(base64_decode(“aWYoZnVuY3Rpb25fZXhpc3RzKCdvYl9z.

Este era um indicador claro de que eu havia sido vítima do malware MW:MROBH:1, que se infiltra em sites como o meu e tenta instalar, nas máquinas de usuários desavisados, uma série de códigos maliciosos. Percebi que eu deveria fazer alguma coisa imediatamente.

Quando já estava me conformando com o fato de que perderia todo o conteúdo deste blog — pois as instruções iniciais de recuperação citavam medidas realmente drásticas, como excluir todos os arquivos do site —, acabei encontrando uma solução de clean up muito simples, graças ao site de segurança digital sucuri.net. Tal solução pode ser aplicada com o uso de SSH ou baixando um arquivo texto de lá — neste último caso, é necessário mudar a extensão do arquivo para .php, fazer o upload para o servidor do seu blog e executá-lo a partir de qualquer navegador. Em alguns instantes, uma mensagem similar a esta será exibida:

Tirei duas grandes lições deste episódio. A primeira, que nem sempre rodar a última versão disponível de um software te garante imunidade a algumas ameaças. A segunda, que ficar muito tempo sem visitar o próprio blog pode fazer com que estejamos executando ameaças como estas sem nem mesmo sabermos disso. Neste último caso, peço desculpas a quem quer que tenha visitado meu blog neste período de infecção, e seriamente recomendo que passem um anti-vírus atualizado em seus computadores.

Agora, voltaremos à programação normal.

O Chá da Questão

É muito divertido passar por algumas situações junto das crianças. Estou passando a tarde na casa dos meus pais, e, ainda agora, meu filho, que está esperando a avó terminar de preparar um bolo de milho, veio me procurar com uma expressão toda preocupada que só ele tem. Fiquei esperando pra ver no que ia dar.

- Papai… – ele começou.

- O que foi, filho?

- Chá tem gosto de que?

Meu pai, que estava do meu lado enquanto conversávamos, tratou de ajudar:

- Depende… tem chá de maçã, chá de limão, chá de hortelã… chá de um monte de coisas.

- Mas é gostoso, né? – ele emendou, falando com o avô.

Eu fiquei pensando e não aguentei:

- Eles são gostosos sim, mas me diz uma coisa. Porquê a preocupação, pequeno?

Ele, mantendo a expressão mais preocupada do mundo, disse:

- É que a vovó disse que vão duas xícaras de chá no bolo, e eu não sei se vou gostar.

Os verdadeiros gestores do país somos nós

O vídeo acima — que me foi mostrado hoje pela manhã por um amigo e vem do competente time de humoristas liderados por Marcelo Adnet, do Comédia MTV — é um dos mais inteligentes que já vi: Na medida certa critica todos os políticos deste país utilizando o artifício da primeira pessoa, através de um estereótipo que na verdade retrata exatamente o perfil de 99% de nossos representantes governamentais.

Mas notem que o vídeo também tem espaço para criticar os cidadãos brasileiros. Tudo isso porquê nosso país — ao menos a meu veu ver —, não está preparado para eleições sérias.

Outro dia, conversando com o mesmo amigo que me mostrou hoje este vídeo, argumentávamos que, se nas grandes corporações — como aquela em que nós dois trabalhamos atualmente —, os funcionários são cobrados e avaliados através de planos de ação, que contém metas e objetivos a serem cumpridos ao longo de um determinado período de tempo e que, se ao término deste período, não se cumprem as metas, existem consequências — como a falta de pagamento de bônus ou até mesmo a demissão por falta de produtividade, também deveria ser assim com os nossos representantes de governo.

O grande mecanismo para que as grandes corporações privadas e os órgãos públicos sejam mais iguais neste aspecto, na verdade, já existe. Chama-se plano de governo, um equivalente perfeito ao plano de metas pelas quais os funcionários de iniciativas privadas são cobrados. O problema é que nosso país não parece estar, nem de longe, preparado para eleições sérias. Se estivesse, deveria cobrar mais consistentemente daqueles que resolvem concorrer a qualquer vaga do legislativo um plano de metas consistente, com prazos estabelecidos e metas claras, tal qual um empresário precisa desenvolver um plano de negócios e apresentá-lo a credores, antes de conseguir financiamento para seguir adiante, abrir e administrar sua empresa.

Como não estamos preparados, nos vemos às voltas, como bem lembrou o Gilson, com candidaturas, por exemplo, das celebridades da moda, que se aproveitam de seus 15 minutos de fama para angariar votos de eleitores desavisados. “Olha, filha… não é aquele bonitinho daquele reality show? Vou votar nele”. Sem qualquer plano de governo mais estruturado — às vezes com uma única meta, ou nenhuma — esses famosos — e também, é claro, um monte de gente anônima —- chegam ao poder por meio da população desavisada e por lá ficam, sendo pagas por nosso dinheiro, protegidas pelo esquecimento coletivo da população, que não usa meios para cobrá-las pelas ações que nos prometeram realizar uma vez que nós, após confiarmos nossos votos à elas, as elegêssemos.

Essa nossa curta memória também é responsável pela corrupção. Quantos não são os casos de representantes públicos envolvidos em escândalos, CPIs, mensalões e assim por diante? Notícias alardeadas pelos meios de comunicação diariamente nos dão informações sobre os rombos nos cofres públicos, tudo para que apenas alguns dias se constate que as pessoas já não se lembram mais, porquê a novela é mais importante, ou porquê a Copa do Mundo é. Voltando ao vídeo que me inspirou a escrever este texto, o que quero dizer é que se a crítica feita por Marcelo Adnet cabe como uma luva em nós, é por nossa própria culpa.

Se nós resolvêssemos ser mais como as grandes empresas — cobrando e advertindo nossos candidatos eleitos sobre a falta de andamento de seus planos de governo, e até mesmo solicitando suas demissões ao governo por falta de cumprimento das metas ou de produtividade —, seríamos mais preparados para eleições sérias. E as ferramentas estão cada vez mais em nossas próprias mãos, já que a cobrança, nos tempos de hoje, pode ser feita através de mensagens de email, de perfis do twitter, de comentários em blogs dos parlamentares, e, em última instância, para aqueles que ainda não tem acesso aos meios mais modernos, o bom, velho e tradicional embate olho-no-olho. Só na medida em que as pessoas criarem mais consciência do poder que tem em mãos, apoiando o Ficha Limpa, fazendo uso de informações históricas e destes canais de cobrança, é que nos colocaremos mais à vontade em nossos papéis de gestores de um país que usa de nossos representantes para alcançar os melhores interesses para o bem coletivo.

O naufrágio do futebol paulista

Precisa acrescentar alguma coisa ao comentário do Diogo Salles, em seu blog no Estadão?

O futebol paulista é um naufrágio geral. O São Paulo vai afundando pouco a pouco. Primeiro sofreu para ganhar de um time de piratas — e teria perdido, não fosse o comandante Rogério Ceni para pegar 2 pênaltis e salvar a nau tricolor. Agora vem o Cruzeiro pela frente… e a água já está subindo pelas canelas.

O Palmeiras também tem um grande goleiro — e ele conseguiu fazer ainda melhor: pegou 3 pênaltis. Bem que o Atlético (GO) ajudou a empurrar o barco palestrino, mas ninguém esperava tamanha incompetência do time verde para converter as suas cobranças… O Marcão pode ser santo, mas não pode remar sozinho.

E, finalmente no Corinthians, o comandante Mano Menezes começou a perder o controle do timão quando o barco corintiano sofreu um súbito ataque de urubus fanfarrões. Ronaldo Fenômeno bem que tentou, mas a embarcação alvinegra rumo a Tóquio já estava seriamente avariada e acabou ficando pelo caminho.

A exceção aqui é o Santos… mas esse é peixe nadando na água. Aí é covardia.

Ah, e a ilustração também é dele. Perfeito.

Tem figurinha aí?

Pergunte à maioria do público feminino sobre um certo fenômeno que costuma ocorrer em época de Copas do Mundo como a que teremos este ano, e elas responderão não entenderem como ele pode sequer acontecer. As moças — sejam elas esposas, namoradas, amigas ou irmãs, entre outras, provavelmente se valherão de argumentos como “Não vejo graça“, “É desperdício de tempo e dinheiro“, e muitos outros que não me vem à cabeça neste exato momento, tudo com a finalidade de protestar contra a febre que é colecionar o álbum de figurinhas oficial do campeonato mundial de futebol.

Entre o público masculino, ao contrário do anteriormente citado, o fenômeno é inverso: Homens de todas as idades praticamente voltam a ser crianças, e, justamente ao lado destas, também se amontoam em bancas de jornais e revistas por todo o país para comprar envelopes com cinco figurinhas cada, na expectativa de completar a coleção com 640 cromos. Conforme vão se comprando mais e mais destes envelopes, dezenas — e às vezes, não vou mentir, centenas — de figurinhas repetidas vão se acumulando com cada colecionador, que passa a negociá-las em um sistema de troca todo próprio, em que figurinhas prateadas, com os escudos dos times, mais difíceis de serem tiradas na sorte, são trocadas, por exemplo, por dois ou mais cromos considerados comuns.

Evidentemente, contra todos os argumentos femininos, posso dizer que colecionar figurinhas da Copa é uma arte, e que acompanhar uma competição dessas sem fazer um álbum em paralelo praticamente não tem o mesmo gosto. Aliás, em minha defesa para este argumento, tiro por base os colegas no trabalho: Mais de 90% deles está fazendo a coleção este ano, muita gente crescida, alguns bem mais velhos do que eu, e tudo pelo prazer de correr atrás de uma coleção completa, uma diversão só.

Eu, depois de ficar sem colecionar álbuns da Copa desde o mundial de 1994, este ano me senti particularmente motivado por conta de algo muito simples: Quero tentar completar o álbum junto com meu filho, o que não havia sido possível na última edição da competição, ocorrida na Alemanha, em 2006, porquê ele estava apenas com pouco mais de 1 aninho de idade. Agora que ele já está maior, ficou radiante, primeiro porquê ontem, depois de ter ganho há alguns dias um álbum da avó, viu o papai chegar em casa com 10 envelopes de figurinhas todos para ele. A diversão durou a tarde inteira — inclusive com toques de sorte, porquê não houve sequer uma repetida —, e agora não acabará tão cedo. Bom… pelo menos não até o final da Copa do Mundo.