iSaw, a serra USB

É verdade que todos os dias surgem os mais diversos tipos de gadgets ao redor do mundo. No entanto, também é verdade que ninguém jamais imaginaria que uma motoserra — do tamanho de um teclado — pudesse ser ligada ao computador, para que fosse recarregada através de uma porta USB 2.0.

Pois bem, eis o vídeo de demonstração da i.Saw, a primeira do gênero que garante realizar tal feito:

O produto, que começou a ser anunciado esta semana através de seu site oficial pela bagatela de US$ 59,95, chamou a atenção não apenas de sites especializados como o Gizmodo, mas também do site de notícias brasileiro G1:

i.Saw no G1

Tudo, no entanto, não passou de uma bela brincadeira, como acabou esclarecendo posteriormente o próprio pessoal do Gizmodo. O intuito de seus idealizadores era despertar nas pessoas um pouco mais de consciência ecológica. Todos os interessados no produto na verdade receberam mensagens de e-mail com o seguinte conteúdo:

Hello.

We love that you liked the i.Saw enough to pre-order.

Truth is, you already own a chainsaw. Your keyboard.

Help save more trees by cutting down on unnecessary printing. Download PaperCut, a free application that plays the sound of a chainsaw each time you press Ctrl-P.

Available for Mac and PC.

Thanks for the support. Help spread the buzz, if you will 🙂

PaperCut Team
(formerly known as i.Saw Team)

Ao acessar o site do PaperCut, você é convidado a baixar um programa, disponível para Windows e Mac, que imita o som de uma motoserra todas as vezes em que você decide imprimir alguma coisa.

Site do PaperCut

Eu, que há tempos imprimo tudo o que gero aqui em casa apenas em formato PDF, achei a brincadeira extremamente interessante, porquê mexe com um lado das pessoas — aquele, que todos tem em maior ou menor grau, relacionado ao interesse pela tecnologia — para transmitir algo totalmente diferente, sobre o que não pensamos todos os dias…

Quanto ao G1, pelo menos até agora, não atualizou a notícia original. Todos os que chegam   nota original continuam pensando — provavelmente, é claro — que se trata de algo verdadeiro.

TinEye: (Quase) nenhum logotipo é páreo para ele!

Hoje no escritório, durante a hora do almoço, um amigo nos chamou para que tentássemos ajudá-lo a completar um desafio. Tratava-se de conseguir completar o já extremamente famoso Jogo dos Logotipos. Você provavelmente também já deve ter se deparado com ele:  Em uma simples planilha do Excel, são exibidas 99 imagens que representam parcialmente algum logotipo famoso, e nosso trabalho é adivinhar qual é a marca sendo representada.

Eis que começamos a nos empenhar arduamente para ajudá-lo a identificar os logotipos que estavam faltando — aliás bem poucos, eu devo confessar. Um acerto aqui, alguns erros a mais, e desconfiamos que as últimas respostas não seriam nada fáceis de se obter. Um amigo inclusive chegou a brincar, dizendo que devíamos usar o Google Image Search para nos ajudar, mas de uma forma a princípio bem inusitada. Ele comentou que deveria existir alguma maneira de “mandarmos uma imagem pra lá, e a partir dela obter vários resultados que nos dessem pistas a respeito do que estamos procurando“.

Detalhe de parte dos logotipos do jogo

É claro que demos boas risadas depois de pensar na idéia. Mas eis que, como mais pura prova de que — pelo menos  s vezes — nossos desejos podem se tornar realidade, acabei encontrando agora há pouco — e totalmente sem querer, acreditem! — um site de busca reversa de imagens, chamado TinEye.

Assim como descrito em seu FAQ, a proposta do serviço é bem simples: A partir de uma imagem que você possua em seu computador — ou que esteja localizada na própria web —  é criada uma pequena assinatura digital exclusiva, apelidada carinhosamente de impressão digital. Esta assinatura é então rapidamente comparada com cada outra imagem que esteja indexada, em busca de similaridades — mesmo que as assinaturas coincidam apenas parcialmente. Na prática, uma imagem parcial que seja submetida pode encontrar a imagem total, até mesmo em versões de maior resolução.

Ainda segundo descrito no próprio site do TinEye, entre suas várias aplicações estão a possibilidade de descobrir de onde uma imagem veio, descobrir com que diferentes aparências ela é apresentada na web, localizar páginas que usam uma imagem criada por você, ou descobrir versões modificadas e/ou editadas de imagens originais. É claro que, dentre estas possíveis aplicações, logo me veio   mente a idéia de testar o grau de auxílio que eu obteria do serviço para completar um Jogo dos Logotipos. E lá fui eu, com um espírito sobretudo disposto a ver até onde essa brincadeira me levaria.

Quem não conhece?Comecei com um logotipo que já conhecíamos: Com a ajuda do magnífico PicPick, recortei da planilha — que o autor originalmente protege justamente para que não seja possível copiar imagens ou visualizar as respostas corretas — parte de um logotipo muito famoso ao redor do mundo. Em seguida, enviei o arquivo gerado para os servidores do TinEye, e obtive uma — ou, na verdade, várias — respostas matadoras, como é possível perceber a seguir:

hsbc_logo_tineye

Com a resposta correta em mãos, foi o momento de partir para alguns outros logotipos que estavam na planilha, desta vez tratando de me focar naquelas respostas que meu amigo ainda não tinha obtido quando nos chamou para ajudá-lo, entre elas, as marcas dos logotipos abaixo:

8 logotipos a mais que testei com o TinEyeTendo como base a figura a cima, da esquerda para a direita, encontrei 26 resultados para o logotipo da Cisco Systems e outros 31 resultados para o logotipo da Timberland. O logotipo da Danone aparentemente é menos difundido através da grande rede, uma vez que obtive míseros 9 resultados quando o procurei. De qualquer maneira, isso não foi nada comparado   total falta de resultados com a qual me defrontei logo em seguida:

Image too simple!!

No caso do logotipo da Basf, o TinEye simplesmente não conseguiu gerar nenhum resultado, e usou como justificativa o seu mecanismo de criação de assinaturas digitais das imagens que são submetidas ao serviço: TinEye requires a basic level of visual detail to properly fingerprint your image. Try uploading a larger or uncropped version if possible, or another more detailed image. Outra explicação que acompanha o erro é a de que certos sites mascaram suas imagens, colocando-as por detrás de uma camada vazia ou transparente, sendo estes casos em que a busca não é efetiva, sendo recomendada a submissão de outra imagem, proveniente, por exemplo, de outro site.

Os dois resultados subsequentes, logotipos, respectivamente, da Tetrapak e da Polaroid, também não constituíram, para mim, uma busca bem sucedida. No primeiro caso, o argumento apresentado pelo serviço foi o de que seu banco de dados de imagens ainda é muito pequeno — só uma fração, comparado   todas as imagens disponíveis na web. No entanto, o TinEye nos encoraja a tentar a mesma busca mais tarde, visto que sua base de dados está sempre em expansão. No caso do logotipo da Polaroid, a mensagem apresentada foi, também, a de que tratava-se de uma imagem pouco complexa para a criação de uma fingerprint. Hunf.

Felizmente, as duas últimas buscas voltaram   linha das identificações positivas: O logotipo da Copag forneceu 9 resultados, enquanto que o da Starbucks, o logotipo com maior número de ocorrências dentre aqueles que eu busquei, afastou qualquer dúvida com relação   sua identidade, após apresentar 71 resultados que a suportavam.

Não posso deixa de mencionar que o TinEye também conta com um plugin para Firefox, que basicamente permite comparar imagens encontradas em qualquer página da web com várias outras, para poupar o trabalho de ter que navegar até o site. No final das contas, essa brincadeira com os logotipos serviu apenas como pano de fundo para demonstrar o quanto pode ser interessante contar com uma ferramenta de busca reversa de imagens. Se não para qualquer das aplicações práticas defendidas pelos seus desenvolvedores, pelo menos para garantir algumas horas de diversão com buscas bem interessantes