em Crônicas do Cotidiano

Os livros favoritos da minha infância

Sabe aqueles raros momentos em que um simples bate-papo com amigos começa a trazer uma série de boas recordações   tona? Pois bem. Esta semana, isso aconteceu comigo enquanto começamos a discutir, na hora do almoço, lá no trabalho, sobre gostar ou não de ler.

Embora eu não comente muito sobre leitura por aqui — talvez pelo fato de, atualmente, estar com muito menos tempo livre para ler do que realmente gostaria —, eu gosto muito de ler. Aliás, eu costumo dizer que leio qualquer coisa que me caia em mãos — menos a lista telefônica, é claro.

Nunca cheguei a me perguntar sobre quando foi exatamente que meu gosto pela leitura começou. No entanto, observar meu pai sempre  s voltas com livros, revistas e jornais em casa e ter a sorte de ter tido contato com uma série de bons títulos quando eu era criança, lá na escola onde eu estudei, com certeza contribuíram totalmente para o fato.

Depois de citar alguns títulos dos quais me lembrei quase que instantaneamente durante o bate-papo, achei que não deveria perder a chance de registrá-los por aqui. Afinal de contas, um pouco de nostalgia nunca é demais. Assim sendo, seguem cinco daqueles que, por terem surgido em minha memória tão rapidamente esta semana, são certamente os meus livros favoritos de infância.

O Mistério do Cinco EstrelasO Mistério do Cinco Estrelas, escrito pelo paulistano Marcos Rey, foi o primeiro dos livros que me veio   cabeça. Apesar de escrever contos e crônicas também para adultos, o autor se especializou em obras dedicadas ao público infanto-juvenil.

A trama desta história gira em torno de Léo, um bellboy do Emperor Park Hotel, um luxuoso cinco-estrelas de São Paulo. O rapaz encontra o cadáver de um estrangeiro, Ramón Varga, na lavandeira do hotel, e a partir de então se vê  s voltas com surpresas e suspense.

Além de me impressionar   época de leitura, foi este livro — parte da consagradíssima Coleção Vaga-Lume — que me levou a gostar do gênero policial, e de histórias de ficção.

A Ilha PerdidaA Ilha Perdida, escrito pela paulista Maria José Dupré, nascida no que era então Botucatu, também é um livro da Coleção Vaga-Lume. Trata-se, com 99% de certeza, do primeiro dos livros desta coleção que eu li, e também, o primeiro livro de maior volume de páginas do qual me lembro.

A história do livro tem início quando dois meninos, Henrique e Eduardo, resolvem explorar uma ilha localizada nas imediações da fazenda de seu padrinho, em Taubaté — que, aliás, é a cidade vizinha a São José dos Campos, onde eu moro –,   qual as pessoas chamam de A Ilha Perdida. Lá, acabam se perdendo e se separando. Henrique  encontra Simão, uma espécie de eremita misterioso que habita o lugar, enquanto Eduardo fica completamente sozinho.

Embora até hoje eu me pergunte como é que dois meninos conseguem se perder em uma ilha que, ao que tudo indica, tem no máximo o tamanho de um quarteirão, a história é divertida e certamente capaz de emocionar os leitores mais novos.

O Menino do Dedo VerdeO Menino do Dedo Verde, do francês Maurice Druon, entra para a minha lista de memórias basicamente porquê foi um livro até então diferente de tudo o que eu havia lido.

A história — única para o público infantil escrita por Druon em toda a sua vida — gira em torno de Tistu, um menino nascido em uma família rica, e que mora em uma cidade chamada Mirapólvora, numa grande casa, a Casa-que-Brilha, junto com o Sr. Papai, a Dona Mamãe e seu pônei, Ginástico.

O Sr. Papai, que tem uma fábrica de canhões, resolve fazer com que Tistu aprenda as coisas vendo-as e vivenciando-as, depois que descobre que seu filho dorme durante as aulas na escola. As aulas do menino são com o jardineiro da casa, o Sr. Bigode, e com o gerente da fábrica de canhões, o Sr. Trovões.

Na primeira aula com o Sr. Bigode, o jardineiro descobre um dom fantástico em Tistu: o menino tem o dedo verde! Isto significa que, onde ele colocar o dedo, nascerão flores. No entanto, este fato é mantido em segredo e,   medida que o livro evoluí e Tistu é apresentado, pelo Sr. Trovões, ao lado triste da vida, passa a usar seu dom para transformar a vida das pessoas da cidade, que nunca mais será a mesma.

Uma coisa da qual eu não sabia é que O Menino do Dedo Verde fez tanto sucesso aqui no Brasil que acabou sendo adaptado para o teatro, sendo que a peça é exibida até os dias de hoje. Uma ótima notícia, pois a mensagem por detrás deste livro é uma das mais belas que poderiam ser transmitidas  s crianças.

A Mina de OuroA Mina de Ouro, também de Maria José Dupré, é, para mim, o melhor dos livros que fazem parte da Coleção Cachorrinho Samba, que também tem os títulos O Cachorrinho Samba, O Cachorrinho Samba na Fazenda, O Cachorrinho Samba na Floresta e A Montanha Encantada.

A história começa quando quatro meninos, Henrique, Eduardo, Quico e Oscar — aliás, todos nomes mencionados também em A Ilha Perdida, que citei acima — vão fazer um piquenique no morro do Jaraguá, com suas primas Vera e Cecília. Levam também o cachorrinho Samba.

A caminho do piquenique, eles encontram uma velha escada, que desce para o interior de uma mina. Henrique diz que antigamente havia muito ouro ali. Então eles resolvem descer e se perdem. A questão passa então a ser como sobreviver até que eles consigam sair de onde entraram. Ou até que alguém os encontre.

A história é bastante rica em detalhes, e eu confesso que até hoje, me lembrando do texto, fico imaginando o interior daquela mina, e como eu mesmo teria me virado se estivesse numa situação parecida.

As Invenções do Dr. Lelé da CucaAs Invenções do Dr. Lelé da Cuca, que fecha esta minha nostalgia e me coloca na lista de fãs número um da paulista de Jaú, Maria Teresa Guimarães Noronha — ou simplesmente Teresa Noronha, é um livro que li muito antes destes outros que mencionei, mas que, sem sombra de dúvida, é até hoje, para mim, o mais divertido de todos.

O livro narra, de uma forma muito divertida, as invenções do Dr. Lelé – cientista que tem a preocupação de resolver os problemas das pessoas através de suas invenções
e que sempre é auxiliado por
seu sobrinho Lulu.

A história, como não poderia deixar de ser, trata das invenções do Dr. Lelé — um cientista que tem a preocupação de resolver os problemas das pessoas através de suas invenções malucas, e que tem em seu sobrinho, Lulu, o maior ajudante de todos os tempos.

Como todo cientista que se preze, o camarada tem seu laboratório — com a única diferença de que prefere chamá-lo de Inventório. E entre suas principais invenções estão o Pé-Lelé, que nada mais é do que um chinelão gigante, e que voa, e o Cobre Nariz — porquê, afinal de contas, é uma discriminação deixar apenas o nariz sem proteção em um daqueles dias frios de inverno.

Mas de todos os memoráveis inventos que estão no livro, o que mais me divertia — e o primeiro do qual me lembro ao falar do livro, é mesmo a Polifruta, uma árvore que, se existisse, faria a alegria de muita gente, já que reunia em um único pé vários tipos de fruta diferentes.


Com esta lista concluída, tenho apenas uma única expectativa: A de, eventualmente, encontrar alguém que por ventura também tenha lido — e gostado — dos livros acima, uma vez que todos me trouxeram, como já disse antes, ótimas memórias.

Finalmente, gostaria também de registrar que pensei inicialmente em criar este artigo como uma espécie de meme, eventualmente indicando pessoas que também listassem seus livros favoritos de infância, mas acabei por não o fazer. De qualquer maneira, fica o convite, se alguém se sentir tentado a fazê-lo.

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Comentário

  1. Li três desses livros que tu citaste: O Mistério do Cinco Estrelas, A Ilha Perdida e O Menino do Dedo Verde. Esses dois últimos eu ainda tenho em casa, o primeiro era da biblioteca da escola. A Ilha Perdida também foi o meu primeiro da série Vagalume, ganhei da minha mãe quando eu era guri. Mas o meu favorito sempre foi O Menino do Dedo Verde! 😀

  2. Li o do hotel tmbm, corri do dedo verde e no dia que me ofereceram o da ilha, preferi O ESCARAVELHO DO DIABO.
    hehehe nunca fui muito fã de ler quando criança.
    Abração

  3. @Neto: Cara, sabe que eu pensei em O Escaravelho do Diabo? Todas aquelas pessoas ruivas morrendo, vitimadas por um serial killer, até que mereceriam estar na lista hein??

    No mais, apesar de você dizer que nunca foi fã de leitura na infância, vejo que a Coleção Vaga-Lume também fez parte dela, hehehe.

    Abração, cumpádi.

  4. Oi.
    Eu li “O Menino do Dedo Verde,” e “As Invenções do Dr. Lelé da Cuca”.
    Até conversei coma Teresa Noronha quando ela foi no Colégio Magister em 1983.
    Abraço!