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Mesclando blog, microblog e tumblelog: Um tutorial

Ainda não faz tanto tempo assim desde que integrei ao blog uma página de onde pode ser acompanhado o meu lifestream — a corrente que traz, listadas em ordem de ocorrência, todas as minhas atividades online, sobretudo nas redes sociais como o del.icio.us, e em microblogs como o Plurk ou o Twitter.

Minha intenção com a integração do lifestreaming ao Back-up Brain sempre foi muito clara: Participar meus poucos — mas fiéis — leitores daquilo que eu venho fazendo na Internet enquanto busco a inspiração para escrever novos artigos por aqui. Penso que o compartilhamento de músicas, links, vídeos, imagens e pequenos pensamentos rápidos demonstra, a quem possa interessar, no mínimo, que eu não sumi, e que, mesmo demorando a dar sinais mais evidentes de vida, continuo nas redondezas.

Ocorre que depois de ter trazido o lifestreaming para o blog, primeiro na barra lateral do layout, e depois também numa página própria só para isso, pensei comigo mesmo que, num mundo em que microblogs e outras atividades sociais se misturam cada vez mais com os blogs tradicionais — e, muitas vezes, também com a falta de tempo de seus autores —, o ideal mesmo seria transformar meu espaço num combinado entre blog, microblog e o que mais fosse preciso, desde que isso pudesse ser lido em um único stream, de cima a baixo.

A primeira coisa que eu pensei — pra variar, eu admito — foi abandonar a utilização do WordPress. Numa época em que estou louvando a chegada da nova versão 2.7 isso pode parecer bizarro, eu sei. Mas me veio um desejo fortíssimo de substituir minha velha ferramenta de blogar pelo Sweetcron, que, aliás, nasceu especificamente com a finalidade de permitir a qualquer um que hospede por conta própria seu lifestream. A definição do autor da ferramenta para sua criação, aliás, é mais do que perfeita:

Blogs are evolving. You’re looking at my Lifestream, a real-time flow of my activity across various websites, with the occasional blog post for nourishment.

Ou seja, eu reconheço que o ponto de vista dele está correto, pois a coisa tem realmente caminhado para uma situação em que a pessoa mantém um fluxo de atividades em vários sites, e de vez em quando, escreve um ou outro artigo em seu blog para — coloquemos assim — alimentar a alma.

Outra coisa que me ocorreu ao pensar em dar adeus ao WordPress foi começar um tumblelog. Segundo me diz a Wikipedia, esta seria uma outra forma mais do que perfeita para conectar o mundo convencional dos blogs ao mundo dos pequenos status updates e dos compartilhamentos de mídia:

A tumblelog (also known as a tlog or tumblog) is a variation of a blog that favors short-form, mixed-media posts over the longer editorial posts frequently associated with blogging. Common post formats found on tumblelogs include links, photos, quotes, dialogues, and video. Unlike blogs, tumblelogs are frequently used to share the author’s creations, discoveries, or experiences while providing little or no commentary.

Mas vejam só: Os motivos para não trocar minha ferramenta velha de guerra pelo Sweetcron ou por um tumblelog — neste caso, admito, optaria pelo Tumblr, a mais famosa e reconhecida ferramenta e site de hospedagem para tumblelogs — foram os mesmos:

  1. Eu gosto de controle total sobre o site e o que acontece nele.
  2. Eu adoro a diversidade de opções que o WordPress permite que eu desfrute.
  3. E, sobretudo, eu adoro feedback. Assim, eliminar ou reduzir a possibilidade de envio de comentários, como normalmente exigiria a manutenção do formato clássico de um tumblelog, nem pensar!

Mas, vejam só: Mesmo tendo chegado a esta conclusão — a de não abandonar novamente o caminho, a verdade e a vida —, também me dei conta de que apenas uma página de lifestreaming não seria mais suficiente para mim. Eu continuei a querer provocar mudanças aqui, desde que promovidas com a utilização de artifícios 100% relacionados ao WordPress.

Este artigo é o anúncio — e, mais do que isso, o relato — de que eu consegui atingir meu intuito. Ainda tenho que cuidar de alguns aspectos e concluir pequenas modificações, mas posso dizer que transformei o formato do blog para algo mais voltado a lifestreaming e tumblelog. E mais: Para não prejudicar a leitura de fiéis leitores, tudo isso só pode ser observado por quem visita meu blog ao vivo: Nada mudou nos feeds RSS, graças também a certas alterações com as quais me preocupei, e que descrevo a seguir.

O retorno dos Asides

O substantivo aside, em inglês, tem pelo menos um sentido interessantíssimo: No teatro, trata-se de um monólogo, algo dito por um ator para a platéia e não “ouvido” pelos outros atores que eventualmente estejam em cena.

Ora, asides, tumblelogs e microblogs têm tudo a ver. Quando você realiza updates em sites como o Twitter, não está fazendo nada mais do que criando asides, com a diferença, é claro, de que estes podem receber respostas ou comentários — tais como seriam as reações da platéia a um monólogo interessante, ou tocante, em uma peça de teatro.

Muitos blogueiros não são fãs dos asides. Outros, por outro lado, usam e abusam do formato curto para divulgar links, compartilhar imagens e mais uma série de coisas. Por aqui, no passado, implementei o fantástico plugin AsideShop, que, em resumo, permite dar uma aparência diferente a posts criados sob uma certa categoria do blog, através de templates, justamente para que possam ganhar formatos de pequenas citações,   parte do conteúdo normal de um site.

Com o tempo, acabei me esquecendo do plugin e de postar novos asides. Até que, já movido pela idéia de integrar um tumblelog ao meu blog normal de alguma maneira, acabei esbarrando num tópico de fórum bastante interessante da comunidade WordPress.

Basicamente, após a leitura de tal tópico, percebi que, se eu criasse alguns templates para certas categorias do blog, poderia fazer com que alguns posts ficassem diferentes ao serem exibidos na página principal do site. Resolvi arriscar mexer com um pouco de CSS, e acabei criando um layout que julgo ser bem bonito para os asides.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, criei uma formatação em CSS diferente para exibir posts rápidos que contêm apenas uma ou mais imagens. Neste caso, resolvi adotar como convenção usar o título do que seria um artigo mais longo como legenda das fotos.

Com o uso do AsideShop, e fazendo apenas estas pequenas alterações, vi que minha página principal começava a se parecer com a minha idéia original, integrando textos mais curtos — os asides — aos posts mais longos, ao mesmo tempo em que passou a ser possível misturar ao caldo também imagens que eu julgue interessantes.

Mas faltava alguma coisa: Como integrar o meu lifestream — um dos motivadores das mudanças por aqui — ao restante do blog, também fazendo com que meus status updates aparecessem em meio ao conteúdo normal, os asides e as fotos?

A salvação, com o WP-o-Matic

Graças a mais uma de muitas investidas ao oráculo na busca por respostas, me familiarizei com um outro fantástico plugin para WordPress. Trata-se do WP-o-Matic.

Segundo seu autor:

WP-o-Matic makes autoblogging a snap by automatically creating posts from the RSS/Atom feeds you choose, which are organized into campaigns.

Em resumo, imagine o seguinte: Você diz ao WP-o-Matic quais são os feeds que você quer que ele pesquise, e quais são as categorias de destino dentro do seu blog. Configura, de preferência, um cron job para que tudo ocorra sozinho, e assiste, periodicamente,   importação de todo o conteúdo dos feeds para posts em seu blog: Criação automática de novos artigos!

O passo seguinte do raciocínio foi natural: Associar as categorias utilizadas pelo WP-o-Matic   templates criados com a ajuda do plugin AsideShop. Assim, tudo o que vier do Twitter ou do Plurk, por exemplo, e não apenas dos asides, poderia aparecer na página principal com um formato diferenciado.

Não vou mentir: A utilização do plugin para importar todos os feeds dos sites que compõem o meu lifestream — e, é claro, sua associação a templates dentro do WordPress não é uma atividade que leva pouco tempo. É exatamente o trabalho que eu ainda estou fazendo, e que vou concluir somente aos poucos.

Mantendo os feeds limpos

Uma coisa que me pareceu óbvia desde o momento em que juntar blog, microblogs e tumblelog em um único lugar me passou pela cabeça foi como fazer para despoluir meus feeds. Pequenos posts como os asides e atualizações dos microblogs não precisam, apesar de fazerem parte do mesmo site, compor a leitura de quem me acompanha por agregadores como o Google Reader.

Assim sendo, fui atrás de mais uma resposta, desta vez para a pergunta “como excluir determinadas categorias do feed do WordPress“. Encontrei quatro maneiras diferentes de chegar ao mesmo resultado e, desta vez, para não precisar agregar mais um plugin ao blog, adotei a inclusão de uma pequena função ao arquivo functions.php, que reside na pasta onde está instalado o tema atual do blog.

Aliás, para quem não sabe — eu não sabia —, o arquivo functions.php é um dos três componentes de um tema padrão do WordPress, e atua como se fosse um plugin, sendo automaticamente carregado na exibição do tema atual e do painel de administração do site.

Ao conteúdo deste arquivo, acresci as linhas a seguir:

function myFeedExcluder($query) {
 if ($query->is_feed) {
   $query->set('cat','-12');
 }
return $query;
}

add_filter('pre_get_posts','myFeedExcluder');

No exemplo acima, retirado diretamente da origem, todos os posts que façam parte da categoria 12 serão excluídos do feed, permanecendo na listagem original, dentro do blog.

Para eliminar mais de uma categoria, basta separá-las por vírgulas:

   $query->set('cat','-12,-25,-33');

Em resumo, a dica funciona que é uma maravilha, e, por ser algo que está sendo carregado a cada vez que a minha instalação de WordPress é inicializada, processa as alterações imediatamente, sem qualquer dor, e mantém o feed limpo.

Assim que tiver tempo, também seguindo uma dica derivada do mesmo site, minha idéia é disponibilizar um feed específico para as categorias excluídas, para o caso de alguém se interessar por esses pequenos compartilhamentos de conteúdo que agora também fazem parte do recheio do blog — mas isso é assunto pra outro artigo.

Toque final: Templates para as páginas individuais

Apesar de ser fã incondicional do AsideShop e de reconhecer que nada nesta transformação do blog em um misto de lifestream, blog e tumblelog teria acontecido sem a sua utilização, há um ponto falho no plugin, pelo menos do ponto de vista de quem, como eu, se atreveu a utilizá-lo para fazer esta mistura.

Acontece que na concepção original do autor, os templates definidos pelo administrador do blog são utilizados apenas na exibição da página principal, nas páginas de tags e nas páginas de arquivos e de autores. Apesar de parecer muita coisa, um detalhe fundamental escapa: As páginas individuais dos artigos — aquelas para onde seus permalinks apontam — não contam com a exibição dos templates que são definidos para cada categoria.

Isso me incomodou bastante pelo fato de que, se eu defini um formato para exibir um post que contenha apenas imagens ou citações rápidas — como um aside —, gostaria de manter tal formato, independentemente da página exibida pelo visitante. Pra mim, isso dá um charme extra   coisa, principalmente quando se quer provocar a sensação de estar em meio   uma grande mistura de conteúdos.

Precisava mexer com os arquivos do tema atual do blog de alguma forma para que isso pudesse se tornar realidade. Pesquisando por aí afora, descobri algo que começou a trilhar o caminho que eu queria. De novo para a minha surpresa, vi que o WordPress usa uma hierarquia de arquivos — que podem ou não estar presentes na pasta onde o tema atual do blog está instalado — para determinar como exibir cada categoria.

Na prática, se o blog possui uma categoria que você deseja exibir de uma forma diferente, deve-se obter o código desta categoria e criar um arquivo especial chamado, por exemplo, category-23.php. Este arquivo deve ser colocado na pasta do tema, para que, sempre que a página desta categoria for carregada, ele seja usado para a exibição dos artigos relacionados.

O problema é que esta solução “bateu na trave“. Ocorre que o AsideShop já exibe seus templates nas páginas das categorias, então tudo isso é gerenciado automaticamente pelo próprio plugin, uma vez ativo. Eu precisava, como já disse antes, encontrar uma forma de exibir artigos individuais com os templates que eu criei.

Felizmente, mais uma vez obtive resposta  s minhas preces. Um novo tópico de fórum da comunidade WordPress, uma nova fórmula mágica, também a ser implantada no arquivo functions.php. Desta vez, a idéia é direcionar a exibição de artigos individuais — regida normalmente pelo arquivo single.php do tema — para arquivos personalizados com o nome single-xx.php, onde xx é o código da categoria.

No arquivo functions.php, coloquei então um filtro para ser utilizado na exibição das páginas individuais:

   term_id}.php") ) return TEMPLATEPATH . "/single-{$cat->term_id}.php"; } return $t;' )); ?>

Neste ponto, para fazer a coisa funcionar, admito que deu um pouco de trabalho. Precisei criar uma cópia do arquivo single.php do meu tema atual e fazer modificações em sua estrutura básica, trocando basicamente o CSS do autor do tema pelo CSS que eu havia definido nos templates.

Em resumo, cada vez que eu crio um novo template para uma categoria do blog com a finalidade de transformar a coisa numa integração com lifestream e tumblelog, preciso, além de criar os templates com o AsideShop, criar estes arquivos individuais.

Mas, admito, pelo menos para mim, que o resultado parece estar ficando magnífico.

Conclusões

Eu não sei quantas vezes eu precisei escrever e reescrever este artigo. Animado com os resultados que obtive, queria compartilhar logo com o maior número de pessoas — e da forma mais rápida possível — cada passo que dei para criar esta verdadeira mescla de conteúdo no Back-up Brain. Não sei se o resultado final ficou didático o suficiente, mas espero honestamente que sim.

No fim das contas fiquei feliz porquê, na prática, mesmo com algum trabalho que eu não estava prevendo, provei para mim mesmo que criar uma mescla interessante de conteúdos e formatos num blog não exige que você abandone o WordPress.

É verdade que ferramentas como o Sweetcron ou o Tumblr têm seu próprio brilho e comunidades de usuários, mas para pessoas que têm o WordPress no sangue, como eu, ficaria difícil abandonar algo conhecido. Seria quase como quebrar uma amizade de infância.

Além disso, mesmo no auge dos pensamentos que me levaram a querer mudar um pouquinho o formato do site, nunca pensei em parar de blogar da maneira convencional: E, para isso, nada melhor do que o WordPress. Aliás, que venha logo a versão 2.7, pois quero que este novo formato do blog se adapte também   ela.

Ah… e não se esqueçam de opinar sobre os resultados até agora, hein?

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Comentário

  1. Daniel, eu não consegui parar de ler enquanto não cheguei no fim do post. Esse teu trabalho foi genial, cara!!!!!

    Agregar tudo "em casa" de uma forma que forneça essa boa experiência ao leitor que acompanha nosso blog é uma das únicas coisas que está faltando hoje em dia pra eles, nossos blogs, se tornarem definitivamente 2.0.

    Meus parabéns pela excelente pesquisa. Com certeza lerei tudo novamente no dia que for fazer isso no meu próprio blog, quem sabe quando sair a versão 2.7 aí.

    Um grande abraço!!!

  2. Xará, eu fiquei realmente muito contente com o seu comentário… escrevi, como disse, tantas vezes esse artigo que no final estava com medo de não ficar bom o suficiente, ou de não registrar como eu gostaria tudo o que eu fiz.

    Com relação à questão de tornar os blogs 2.0, concordo 100% com você. E, no final, toda essa pesquisa que eu fiz me deu uma solução totalmente caseira, na qual eu não dependo de nenhum dos sites citados por mim acima, e nem de serviços como o FriendFeed. É tudo 100% caseiro… 🙂

    Olha, eu vou cobrar essa modificação no seu blog, hein? Me aguarde, assim que sair a versão 2.7 do WP…

    Abração, e obrigado pela visita!