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Urnas Biométricas: O próximo passo

Quem me conhece sabe que eu não sou uma pessoa invejosa. No entanto, nestas eleições, eu preciso admitir que não tive como não sentir pelo menos uma pontinha de inveja dos moradores de três cidades brasileiras. Isso é porquê São João Batista (SC), Colorado D’Oeste (RO) e Fátima do Sul (MS) foram, efetivamente, as três primeiras cidades do país a contarem com um processo de votação auxiliado por urnas biométricas.

Infelizmente pelo que li, essas cidades não foram escolhidas por acaso. Os critérios para que o TSE as elegesse para serem as primeiras a entrar para a história de mais um avanço de nosso processo eleitoral incluíram, entre outras coisas, o fato de todas terem em média 15 mil eleitores e estarem necessitando de um recadastramento eleitoral.

Acontece que, como cada um dos eleitores dessas cidades teve previamente cadastradas as impressões digitais dos dez dedos das mãos, ontem, durante as eleições, bastou a cada um deles que pusesse o polegar sobre um sensor biométrico existente no terminal operado pelos mesários, aguardando assim a liberação para voto depois da confirmação de sua identidade.

Além disso, conforme reportagem da Globo News, mesmo que a identificação de qualquer eleitor falhasse depois, é claro, de tentativas de leitura de todos os seus dedos, o presidente da seção ainda contava com uma senha exclusiva que poderia liberar o voto do eleitor normalmente, já que eles não foram desobrigados de apresentar seus títulos.

Eu já mencionei as urnas biométricas por aqui algumas vezes, dizendo que elas podem ser responsáveis por pela eliminação da única fraude ainda possível no processo eleitoral, a de uma pessoa se passar por outra. Aliás, além das impressões digitais dos cidadãos, no momento em que o TSE começar a convocar todos os eleitores do Brasil para recadastrarem seus títulos de eleitor, deverão ser coletadas também suas fotos, que virão impressas nos cadernos de votação — espaço reservado para isso, aliás, já existe há algum tempo nos cadernos com os comprovantes de votação.

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Como mesário há vários anos, aliás, torço para que a urna biométrica acabe também com os cadernos de comprovantes de votação. Se o modelo de terminal atual fosse alterado para que contivesse também um display LCD com algumas polegadas a mais, a foto do eleitor poderia ser exibida na tela para ratificar sua identificação. Na seq¼ência, voto autorizado, concluído, e comprovante impresso pela própria impressora da urna. Só neste ponto seria possível dispensar o trabalho de pelo menos dois mesários.

Aconteça o que acontecer, eu fico na expectativa para que as urnas biométricas não demorem: Se as contas de Carlos Ayres Britto, presidente do TSE, estiverem certas, serão apenas oito anos de espera até que o Brasil inteiro esteja com a nova tecnologia 100% implantada. Enquanto isso, o mesmo Britto deixa uma incógnita: Declarou ontem   imprensa que, tão logo termine este processo eleitoral, deve ser implantada tecnologia que permita o voto em trânsito. Será o fim — tão sonhado por mim — das justificativas eleitorais? Urnas em rede? Quem sabe? Só esperando mais um pouco…

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Comentário

  1. Existe um projeto sendo desenvolvido em SC utilizando a tecnologia de Torpedos SMS. Não sei detalhes, mas parece que já está quase finalizado. Vamos aguardar.