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O Chrome é promissor!

Não é raro que ouçamos pessoas dizendo que, mais dia, menos dia, o Google vai acabar desenvolvendo um sistema operacional completo. Um dos passos nesse caminho foi o desenvolvimento de uma suite de aplicativos de produtividade — o Google Docs —, e não me espantaria nada que amanhã eles realmente levassem essa idéia adiante e desbancassem, ao longo do tempo, muitas empresas por aí.

Mas enquanto o amanhã não chega, me prendi ao dia de hoje. Dia em que, aliás, baixei, para experiências, mais uma novidade do pessoal de Mountain View, na California: Trata-se do Chrome, que é, nada mais, nada menos, a proposta de navegador web de código aberto do Google.

De acordo com informações contidas na página do programa — que por enquanto só está disponível para os sistemas operacionais Windows Vista e Windows XP —, a idéia de desenvolver um navegador web surgiu porquê “…no Google, passamos a maior parte de nosso tempo trabalhando dentro de um navegador (… e …) Já que passamos tanto tempo on-line, começamos a pensar seriamente sobre que tipo de navegador poderia existir se pudéssemos começar do zero e construir a partir dali os melhores elementos“.

Nesse começo do zero, dizem os desenvolvedores, alguns elementos do WebKit da Apple e do Firefox foram amplamente usados. Aliás, um dos principais desejos deles, o minimalismo e a rapidez, são facilmente notados. O Chrome, todo em tons de azul googliano, não possui barra de menus — o que dá a sensação de que estamos navegando o tempo todo em modo tela cheia. Quando você navega um pouco utilizando a ferramenta, sente justamente uma agradável leveza.

Preciso admitir, no entanto, que começar a navegar com o novo navegador do Google foi um pouco complicado. Talvez seja o fato de o trabalho dos desenvolvedores estar só no começo — afinal, lembrem-se de que tudo o que o Google desenvolve recebe instantaneamente uma tag beta, mas o fato é que ao tentar executar o programa logo de cara em meu computador não parava de receber duas insistentes mensagens de erro, após o que o Chrome ia para o beleléu instantaneamente.

Chrome travado

Felizmente, a segunda mensagem me levou a uma pista para solucionar o problema: O travamento repetitivo acontecia por causa de um vilão, o arquivo winhttp.dll — responsável, no Windows, por ser a ponte de comunicação do sistema com o protocolo HTTP. Para resolver o problema, segui uma sugestão de outra alma que já havia passado pelo mesmo aperto, adicionando ao atalho do Chrome a chave –new-http — notem que há dois hífens no início. A partir daí, o navegador funcionou que foi uma beleza.

Na seq¼ência, me fiz uma pergunta, que não queria calar: Seria o Chrome um páreo   altura do Firefox?

Para tentar responder   esta pergunta, a primeira coisa que fiz foi procurar no site do novo navegador do Google as principais características da ferramenta para compará-las, de alguma forma, com a raposa de fogo. A seguir estão as minhas impressões:

Uma caixa para tudo

A primeira característica do Chrome destacada em sua página de features implica na possibilidade de usar a barra de endereços do navegador para tudo, desde pesquisas na web — através do Google, claro —, até o acesso ao histórico de navegação e sugestões de sites.

Esse recurso não me chama a atenção. Usando o Firefox 3 é possível realizar as mesmas operações: Acessar o histórico de navegação seja pelo endereço parcial do site ou digitando-se algumas palavras do seu título, além de marcar qualquer site como favorito lançando mão para isso de uma estrelinha que fica posicionada ao lado da barra de endereços.

Página Nova Guia

No Chrome funciona assim: Cada vez que uma nova guia ou janela é aberta, o navegador apresenta um resumo visual dos sites mais visitados pelo usuário, que podem ser imediatamente clicados para acesso rápido. Enquanto o Firefox não conta com essa característica nativa, é possível adicioná-la graças aos já conhecidos plugins do navegador da Mozilla. Neste caso, o Speed Dial executa a mesma coisa, e pode ser configurado para apresentar páginas favoritas quando são abertas guias ou janelas.

O diferencial do Chrome, então, fica mesmo na apresentação, na mesma página, dos mecanismos de pesquisa mais usados, das páginas recentemente adicionadas aos favoritos e das guias fechadas recentemente, o que pode não ser lá muito empolgante pra muita gente…

Guias Dinâmicas

Uma coisa interessante do Chrome é a sua capacidade de criar novas janelas de conteúdo diretamente a partir de guias abertas pelo usuário. Na prática, significa que se você estiver visitando um site e quiser mantê-lo em uma janela separada, pode destacá-la da janela atual, reorganizar guias ou o que mais quiser e, mais tarde, devolver a guia   janela de origem.

Criei um rápido vídeo que demostra a capacidade das guias dinâmicas:

[flv:chrome_tabs.flv 480 368]

Embora exista um plugin para Firefox que permita o mesmo tipo de operação, esta não ocorre diretamente e apenas com o arrastar do mouse, como no navegador do Google. Pela forma inovadora de permitir esta possibilidade, neste caso tiro meu chapéu para o Chrome. Ah, e dá pra duplicar abas no navegador diretamente através do clique do botão direito do mouse, selecionando-se a opção Duplicar.

Controle de Falhas

Uma característica realmente bacana do Chrome é o funcionamento de cada guia que você abre para navegar na grande rede de computadores de maneira independente: Na prática, o navegador vem com um gerenciador de tarefas próprio — que pode ser acessado pelo atalho SHIFT+ESC.

Neste gerenciador, é possível observarmos a quantidade de memória em uso, a quantidade de CPU usada e a atividade da rede (bytes enviados e recebidos). O mais interessante é que você pode fechar qualquer página ou objeto que esteja se comportando mal, bastando usar o botão Encerrar processo.

Aliás, o gerenciador de tarefas vem com um link super interessante no canto inferior esquerdo, as estatísticas para nerds, que detalham — na verdade, destrincham — a utilização de memória. Tais estatísticas também podem ser acessadas digitando-se about:memory na barra de endereços do navegador. Se você for paranóico, estará bem servido.

Na prática, essa independência de guias e objetos também é a chave para um aumento na satisfação de qualquer usuário, mesmo os mais exigentes: Digo isso porquê quando ocorrer algum problema, apenas o item ou página problemático será encerrado, e você poderá continuar suas atividades na web tranquilamente.

Isso, a raposa de fogo não propicia.

Navegação Anônima

Eis aqui outro ponto muito bacana do Chrome: É possível abrir guias para fazer o que os desenvolvedores do navegador chamam de navegação em modo furtivo. Isso pode ser útil para, por exemplo, para planejar surpresas, aniversários e outros eventos.

Quando se abre uma guia neste modo, as páginas web acessadas pelo usuário não são gravadas no histórico de navegação, ou seja, você não deixa rastros pra trás. Todos os cookies e demais dados são excluídos assim que se fecha a janela invisível.

Sinceramente, deve ter muita gente de olho nesse recurso pra visitar sites pornô, por exemplo — desculpem, a lembrança, e até mesmo a sugestão, foram inevitáveis. 😀

Aliás, para quem quer obter uma navegação similar no Firefox, o plugin Stealther pode ser a solução: Com ele você desabilita temporariamente a gravação de seu histórico de navegação, dos arquivos baixados para o computador e muitas outras coisas.

Conclusão

Após ter usado o Chrome por poucas horas — e após a resolução do bug que eu mencionei no começo desse texto —, a sensação predominante é mesmo a de conforto e simplicidade. É verdade que na comparação de seus recursos com os do Firefox pouco se nota de diferente, mas até mesmo isso pode ser encarado de maneira positiva, e eu explico.

Acontece que todos nós sabemos que o Google sempre foi capaz de inovações fantásticas. Como o Chrome ainda se encontra num estágio praticamente embrionário, o fato da comparação com o Firefox ficar empatada em vários aspectos só demonstra que a estratégia de reiniciar do zero dos desenvolvedores é fabulosa, pois tudo o que levou algumas versões para a Mozilla realizar já foi instantaneamente incorporado   novidade.

Com o desenvolvimento continuado que certamente será empregado ao novo navegador pelo Google, logo logo deveremos ver plugins para enriquecer a experiência dos usuários e novas maneiras de enriquecer a sua navegação, e muito mais, principalmente se considerarmos que tudo é open source. Se os usuários que são fãs fervorosos do Firefox vão ou não deixar a velha raposa de lado, isso são outros quinhentos, e só o tempo dirá. Mas o fato é que, pelo menos na minha percepção, tudo parece indicar que essa será uma boa e promissora briga de gigantes.

Em tempo, leiam essa história em quadrinhos publicada pelo Google, explicando mais a fundo o Chrome. É uma leitura que considero imperdível. Depois de baixarem o programa, experimentem digitar about:internets.

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Comentário

  1. Eu gostei do Chrome (estou usando ele agora), mas por enquanto ainda não deixar de usar o Firefox, principalmente por causa das extensões. Algumas fazem falta no meu dia-a-dia se não estiverem lá.

    A propósito, você notou que no Chrome as caixas de texto, como esta aqui dos comentários, podem ser redimensionadas?

  2. @Mário: Pois é, eu também não vou deixar o Firefox por enquanto, mas vou ficar acompanhando o Chrome no dia-a-dia, pois presumo que à medida em que as extensões (que eu também considero essenciais) forem surgindo, ele vá tomar o lugar no meu coração.

    Com relação às caixas de texto, agora que reparei!! Genial, hein? Muito, muito bom mesmo.

    Abração!

  3. Não devemos deixar de destacar também a rapidez do chrome, ele é bem mais rapido que o firefox. Acho que vai ser uma boa briga entre os gigantes, firefox e chrome, mas também muitos navegadores não falados tanto, como o opera, vão acabar sumindo, pelo menos é o que eu acho, a não ser que eles criem algo muito diferente, entretanto acho dificil

  4. @Matheus: A rapidez é sem dúvida a grande proposta do Chrome. Acredito que nessa briga de gigantes — que pode levar muito tempo pra terminar, claro —, quem vai acabar ganhando somos nós, os usuários.

    Abraço.

  5. cara… eu to testando ele, realmente é muito rapido, mais ainda irei continuar usando o FireFox, mais concerteza tudo que der para usar o Chrome irei usar pois é muito leve, so senti falta da opção de salvar uma lista dos favoritos, faz muita falta, fora isto esta até agora muito bom….

Webmentions

  • Caneta Tinteiro 08/09/2008

    Google Chrome…

    Não é recente o primeiro boato de que a Google estaria trabalhando em um navegador próprio. Com o tempo nos acostumamos a descartar tal notícia, cada vez que a hipótese era recordada em algum blog ou portal.
    Entretanto, ontem, uma notícia revelou…