O papel da Internet na democracia brasileira precisa mudar

Não sei quantos de vocês já sabiam disso, mas foi comentado pela mídia recentemente que, na corrida rumo   Casa Branca, Barack Obama anunciou o nome do candidato a vice-presidente de sua chapa, Joseph Biden, através de mensagens enviadas por email e SMS para interessados que se pré-cadastraram. Só neste único movimento, o alcance foi de 2,9 milhões de eleitores.

Além disso, a Technology Review Maganize, revista editada pelo MIT, publicou recentemente em seu site um artigo de seis páginas que achei bastante informativo, com o sugestivo título How Obama really did it, ou Como Obama realmente chegou lá. No texto, os passos por detrás da criação do MyBO, a rede social que certamente contribuiu para a escolha do candidato dos democratas  s eleições presidenciais norte-americanas.

O MyBO é um conglomerado de ferramentas sociais desenvolvidas, entre outras pessoas, por Chris Hughes, co-fundador do Facebook, que permitiram aos voluntários do candidato, entre outras coisas, realizarem doações, imprimir panfletos baixados diretamente do site e distribui-los na vizinhança aos indecisos, acompanhar eventos, recrutarem outros voluntários e se organizarem em grupos de discussão para debaterem propostas e pontos de vista comuns.

Outro aspecto interessante que alavancou a campanha de Barack Obama foi o que o artigo considera marketing viral da internet: A divulgação, através do YouTube, de vídeos dos discursos do candidato, e de um clipe entitulado Yes, we can, em que um desses discursos foi sincronizado a uma música de Will.i.am renderam-lhe milhões e milhões de visitas, somadas   mais de 69 mil seguidores de seu perfil no Twitter.

Arrematando meu comentário sobre o candidato americano, uma visita a seu site mostra que há uma preocupação muito grande com a comunicação: Propostas de governo para muitas questões, como a educação, por exemplo, são amplamente detalhadas. Blog e outras ferramentas permitem o envio de dúvidas e a capacidade de seguir o candidato onde ele estiver.

Toda essa exposição de argumentos que fiz até agora tem uma única finalidade: Comparar o cenário americano com o brasileiro — mesmo que lá eles estejam para eleger um novo presidente, e nós, prefeitos e vereadores. Quando olho para nosso país, percebo que é ainda muito pequeno o número de candidatos que faz uso de qualquer um dos recursos que citei acima para alavancarem suas campanhas utilizando a internet.

Em parte, a culpa é de duas legislações brasileiras: A primeira, a Lei 9.504, de setembro de 1997. Essa lei impede “…veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou representantes“, bem como…veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente, exceto programas jornalísticos ou debates políticos“.

A segunda, a resolução 22718 do TSE. Em seu capítulo IV, a resolução, criada especialmente para as Eleições de 2008, limita a propaganda eleitoral dos candidatos, que “…somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente   campanha eleitoral“. Para mim, essas duas resoluções em conjunto inviabilizam a utilização do mesmo sistema empregado por Barack Obama nos EUA por aqui. Em tese, não são permitidas as criações, quer por parte do eleitorado ou dos candidatos, de blogs, vídeos no YouTube, podcasts ou perfis no Orkut e Twitter. Os infratores podem ser multados e até presos.

Pra mim, essas duas leis ferem não apenas a democracia, mas também o direito   liberdade de expressão. Vejamos o lado do eleitor: Se eu gosto de um ou outro candidato, nada me impede de circular com camisetas alusivas   candidatura, ou de pendurar um cartaz com o número dele na minha casa. Também posso fazer propaganda boca-a-boca com a vizinhança, amigos e parentes e colar adesivos no meu carro. Nada mais natural seria permitir que isso ocorresse também na internet, já que muita gente, assim como eu, tem perfil em redes sociais ou mantém blogs. Ao invés de adesivos, podcasts. Ao invés de camisetas, um link ou banner num site, oras.

Vejamos, agora, o lado do candidato: A web, apesar de ainda não alcançada por parcelas significativas da população brasileira, poderia ser o canal perfeito não apenas para a realização de marketing, mas também para a apresentação de propostas detalhadas dos candidatos, e espaço aberto para o debate de suas intenções diretamente com o eleitorado. Assim, não vejo porquê não poderiam ser criados os tais perfis em redes sociais, vídeos no YouTube e travados debates nas salas de bate-papo dos sites dos próprios candidatos, principalmente os candidatos   vereador.

Falo especialmente destes últimos porquê considero que a maneira como nos são apresentadas tais candidaturas a vereador nos horários eleitorais da televisão e rádio chegam a ser surreais. Cada candidato tem menos de 10 segundos pra falar sobre si e sobre suas propostas, o que, na prática, acaba gerando aqueles estereótipos que toda cidade tem — aqui, na minha, por exemplo, um candidato de apelio Tang conclama votos da população para si, sob o pretexto de que “…os outros são todos ki-suco”.

Enfim, a livre utilização de sites, blogs, vídeos, redes sociais e demais ferramentas web por um candidato a vereador durante o período eleitoral aqui no Brasil poderia ser a via para apresentação, também por parte dele, de propostas e pontos de vista, rebatidas ou defendidas por seu eleitorado, num grande debate online. Sinceramente, é assim que eu vejo o papel da Internet na democracia brasileira.

Back-up Cast #005: Rejaw + Os órfãos do SMS do Twitter

É isso aí, pessoal. Depois de um longo e tenebroso inverno sem criar programas, eis aqui a mais recente edição do Back-up Cast, a de número cinco! A bola da vez é o Rejaw, um site de microblogging que vem chegando pra tentar tomar pra si um pouco dos usuários do Twitter e do Plurk. Será que ele realmente consegue?

É claro que eu também falo sobre outras coisas. Um pouquinho sobre a participação brasileira nas Olimpíadas de Pequim (bem pouquinho mesmo) e também dou uma dica genial sobre o Get Me Out of Here, um serviço inusitado, e que alguns podem achar bem útil. De quebra, falo sobre serviços que estão surgindo na esteira do Twitter, depois que eles anunciaram, desde 13 de agosto desse ano, que não mais enviariam boletins via SMS com updates das redes de contatos dos usuários.

Apesar da pressa — queria aproveitar o quanto antes pra criar o podcast, pras idéias não esfriarem —, realmente espero que vocês gostem. Por favor, deixem comentários e sugestões, se quiserem. Como sempre, seguem os links que de alguma maneira são úteis para quem for ouvir o podcast:

  • Getmooh. O “salvador da pátria” pra quem quer dar uma escapadinha dos compromissos, reuniões ou pessoas chatas. Ouça o podcast pra ver que tipo de arma ele nos fornece pra isso.
  • Changes for Some SMS Usersââ?¬â?Good and Bad News. Post no blog oficial do Twitter em que eles mencionam a interrupção do envio de mensagens SMS com updates da rede de contatos dos usuários através do número de telefone antes disponível no Reino Unido.
  • TwitSMS. site australiano que, desde a interrupção por parte do Twitter do envio de updatesvia SMS, oferece pacotes com preços variados para quem quer continuar a ter esse privilégio.
  • TweetSMS. Site britânico cuja proposta é idêntica   do site australiano, mas que não tem pacotes, e cobra o envio de cada mensagem individualmente.
  • Rejaw. New kid on the block dos microblogs, que vem, também ele, tentar conquistar para si uma fatia dos usuários do Twitter e do Plurk, e que até parece ser interessante. Criei uma conta por lá, caso alguém queira experimentar e me adicionar.
  • Além de informações olímpicas sobre o Brasil retiradas do site Quadro de Medalhas.
[audio:http://danielsantos.org/podcasts/backupcast005.mp3]

Eu gostei do LinkAlert!

Sabe aquelas coisas que te conquistam pela simplicidade mais do que por qualquer outro motivo?

Pra mim, a extensão LinkAlert para o Firefox é um exemplo destas coisas. A função dessa extensão é exibir um pequeno ícone ao lado de qualquer link do navegador, alertando o usuário — como seu próprio nome sugere — com relação ao tipo de conteúdo que está prestes a ser processado caso ele vá em frente.

Eu não sei quanto a vocês, mas eu preciso admitir uma coisa: Sou muito desatento com relação aos links que clico, neste sentido. Às vezes, com pressa, penso logo em sair clicando para baixar arquivos PDF, um torrent de seriado ou até mesmo um arquivo MP3, tudo para descobrir na seq¼ência — frustrado — que na verdade lá vem uma página intermediária, uma propaganda, um 404 ou sei lá o que mais.

Suportando todos estes tipos de arquivo que mencionei — e mais uma pá de outros —, o LinkAlert evita a perda de tempo por propiciar um feedback visual ao usuário, sem que ele precise recorrer ao método padrão, esticar os olhos até a barra de status da raposa de fogo. Pra mim, já virou favorito.

O fim da novela da acentuação com o Ping.fm

Para quem não sabe, o Ping.fm é um serviço genial. Com a enxurrada cada vez maior de redes e sites sociais que pipocam pela Internet, a proposta do site é permitir que qualquer um cadastre ali todas as suas contas e as atualize a partir de um único painel, em que mensagens são digitadas e enviadas para os respectivos destinos.

Aqueles que, assim como eu, se encontram impossibilitados de utilizar o site diretamente — por conta, principalmente, do bloqueio imposto por firewalls — ainda têm no próprio Ping.fm uma saída genial: A possibilidade de enviar uma mensagem de email para um endereço gerado especialmente para o usuário, sendo esta mensagem posteriormente encaminhada para todas as suas redes sociais como uma atualização de status ou presence update.

Pois bem. Usuário assíduo do Plurk como venho me tornando e bloqueado justamente por um firewall no trabalho, optei pelo envio de updates por email, e descobri que todas as mensagens que continham acentuação nunca chegavam aos seus destinos. Assim, ao mesmo tempo em que passei a enviar para o Ping.fm uma série de emails com mensagens sem acento, resolvi botar a boca no trombone no GetSatisfaction, serviço utilizado pelo site para receber feedbacks de seus usuários.

Abri duas reclamações por lá. Para a primeira, pelo menos até o momento em que estava escrevendo este artigo, nunca recebi uma resposta. No caso da segunda, recebi a solidariedade de um usuário francês, já que o idioma deles também é cheio de acentos. Resposta satisfatória e que resolvesse o problema efetivamente, no entanto, nenhuma.

Dashboard da minha conta no Ping.fm

Dashboard da minha conta no Ping.fm

Eis, no entanto, que hoje pela manhã tive uma dessas idéias inusitadas. Ao verificar na minha lista de mensagens recentemente enviadas via Ping.fm que alguns caracteres apareciam estranhos, me ocorreu a idéia de verificar se não poderia ser um problema de codificação dos caracteres.

Instantaneamente abri minha conta do GMail e, indo até as configurações, descobri que não estava usando o padrão UTF-8. Na prática, o que isso representa? Que eu estava de fora do padrão favorito para mensagens de email e websites desde 2005, pelo menos no que dizia respeito ao email, já que este blog é codificado neste padrão desde sua proposição.

Minha resposta ao meu próprio tópico no GetSatisfaction

Minha resposta ao meu próprio tópico no GetSatisfaction

Constatado este meu deslize, foi só trocar a configuração de codificação de caracteres e voil . As minhas atualizações acentuadas passaram a alcançar seus destinos regularmente. Como usuário consciente do Ping.fm, relatei no meu próprio tópico do GetSatisfaction a minha descoberta, e assim espero ajudar outros que estejam passando pelo mesmo problema…

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Diga-me como digitas e te direi quem és

Eu não sou nenhum perito em datilografia — mal uso todos os dedos para fazer minhas digitações —, mas isso não impede os amigos do trabalho de fazer brincadeiras do tipo “Calma, Daniel… desse jeito o teclado vai pegar fogo! Vá mais devagar“, ou “Ele digita rápido assim, mas provavelmente 97% do tempo fica pressionando mesmo o backspace“, quando me vêem digitar.

Nenhuma das afirmativas é verdadeira, claro: Os teclados não podem simplesmente pegar fogo graças   velocidade de digitação de alguém. Se isso fosse verdade, imaginem só o número de acidentes que teríamos, principalmente envolvendo operadores de caixas bancários e outros profissionais que precisam digitar muito mais rápido. Da mesma forma, não é em 97% do tempo que eu aperto o backspace, e sim cerca de, digamos, 15% a 20%. De qualquer forma, essas brincadeiras servem para me dizer que os amigos reconhecem, por assim dizer, o meu padrão de digitação.

A novidade é que, talvez, no futuro, não sejam apenas os meus amigos os que serão capazes de reconhecer o meu padrão: Isso graças   biometria e aos estudos, nesta área, do pesquisador cearense Leonardo Torres. Ele está desenvolvendo uma ferramenta que poderá eventualmente começar a ser aplicada para melhorar a segurança nas transações via Internet e também nos terminais de atendimento eletrônico, como os caixas rápidos, por exemplo:

“Cada um de nós tem um padrão de comportamento no ato da digitação. Temos um ritmo próprio e padrões de erros, por exemplo. O que estamos propondo é a implantação de uma ferramenta complementar de segurança capaz de identificar não apenas se uma senha digitada na web ou em um terminal eletrônico está correta, mas se foi o proprietário dela que realmente a digitou (…)

A grande finalidade da ferramenta é evitar fraudes, reforçando os sistemas de segurançaââ?¬Â, resume.”

Na prática, para fazer uso da nova ferramenta de biometria, o usuário deve primeiro preencher um cadastro com suas informações pessoais. Posteriormente ele digita estes dados e aciona uma espécie de “inspetor de qualidade“, na verdade uma rotina que verifica a qualidade da digitação observando se há erros durante o processo.

Se tudo correr bem, um “extrator de características” captura o tempo de digitação entre uma tecla e outra e o tempo de pressionamento de cada tecla. Estas informações são então cruzadas e o usuário identificado conforme seu padrão de digitação.

Segundo o pesquisador, a novidade tende a chegar ao mercado com um custo muito mais baixo do que o normal, pois deve precisar de muito menos equipamentos e dispositivos eletrônicos do que as demais soluções de segurança que envolvem a biometria.

Mas eu tenho que dizer que a primeira coisa que me chamou a atenção nesta história foi o fato de se tratar de tecnologia 100% em desenvolvimento no Brasil. Isso porquê eu, que gosto muito do tema biometria, vejo que quando falamos disso os exemplos de aplicação vêm muito mais do exterior, e este caso, somado   provável adoção de 100% de urnas eletrônicas biométricas para nossas eleições em cerca de 10 anos, são raros e louváveis exemplos.

Bebeu durante seu vôo? Prepare-se para pagar mais

Igual   pipoca no cinema, oras.

Igual pipoca no cinema, oras.

A US Airways, sexta maior companhia aérea norte-americana, começou, desde a última sexta-feira, a cobrar pelas bebidas em seus vôos domésticos. É isso mesmo: Sendo passageiro da empresa, a partir de agora, se você quiser um copo d’água, terá que pagar US$ 2. O mesmo preço se aplica a refrigerantes, enquanto que chás e cafés sairão mais em conta, por apenas US$ 1.

De fora da nova medida ficarão apenas os passageiros da primeira classe, além daqueles que estiverem em vôos internacionais e algumas outras poucas excessões. Li no Wall Street Journal que a mídia especializada no assunto vê essa medida como uma manobra inteligente da companhia para mascarar o aumento no custo operacional da aviação comercial, sem que os preços das passagens sejam reajustados diretamente.

É verdade que as empresas aéreas têm buscado mais e mais maneiras de diminuir suas despesas. Cobrar pelas bebidas, aliás, já é uma medida adotada por outras companhias low cost — aquelas popularmente conhecidas por servirem amendoins ao invés de refeições a seus passageiros — como a US Airways, em troca de preços mais baixos nas passagens.

Sinceramente, acho que essa medida vai acabar se transformando numa tendência mundial, inclusive com reflexos nas companhias brasileiras como a Gol, por exemplo. Enquanto há casos como o da Continental Airlines — que declarou que não deve cobrar pelas bebidas dos passageiros por acreditar que isso diminuiria o seu conforto —, outras empresas aéreas, como a American Airlines, a Delta Air Lines e a Northwest Airlines já anunciaram que, embora não pensem no mesmo tipo de cobrança imediatamente, continuarão a procurar outros meios de evitá-la.

As empresas aéreas que já fazem essa cobrança, por exemplo, como as — para mim, pelo menos — desconhecidas Spirit Airlines e Allegiant Air, argumentam que seus passageiros aprovam a idéia de adquir passagens “mais baratas” e de maneira descasada: Voam pagando apenas pelo vôo, consumindo — apenas se quiserem — bebidas e lanches a um custo extra.

Pode parecer estranho que eu defenda essa medida da US Airways como uma tendência, mas acontece que, pensando bem sobre o assunto, a coisa não é diferente de quando se vai ao cinema: Lá, quando queremos pagar apenas pelo ingresso para assistir a um filme, isso é possível. Por lá, pipoca, refrigerante e balas já são pagos   parte…