em Crônicas do Cotidiano

Eu não pedi seguro nenhum e ponto

Parece que não tem jeito mesmo. Quando não é algum problema que passo graças aos atendimentos telefônicos aos quais me submeto com os serviços que possuo assinados, a coisa acontece ali, ao vivo, em carne e osso, mesmo.

Ocorre que ontem fui com a família dar uma volta no shopping — um programa típico para um domingo — e entramos nas Lojas Renner. Lá dentro, a esposa acabou gostando de uma blusinha de moleton pro filhote, e nós acabamos resolvendo levá-la.

Decidimos parcelar o valor total da compra — nada alto, aliás, de apenas R$ 29,90 — pelo cartão da loja, no máximo de vezes possível em que não me incorresse nenhum tipo de juros. Eu odeio juros. A moça que me atendia ao caixa disse que seria possível, nestas condições, um parcelamento em três vezes, o que solicitei que fosse feito.

Quando conclui o processo de compra, no entanto, vi que no slip do caixa constavam três parcelas de R$ 11,33, cuja soma arredondada era R$ 34,00. Imediatamente relatei   operadora do caixa que as parcelas tinham juros embutidos, pois não resultavam no valor original da blusa comprada.

Esta moça, por sua vez, me disse que os R$ 34,00 estavam ali porquê, incluído nas parcelas, estava um seguro desemprego que garantiria a quitação da minha dívida em qualquer eventualidade. Reclamei, pois não havia solicitado seguro de qualquer tipo, e me vi obrigado a ir até o crediário, pois no caixa o sistema não era capaz de fazer o cancelamento do seguro.

Já transtornado o meu domingo, lá fui eu para o crediário. Cheguei lá, disse que não era direito embutirem um seguro nas minhas parcelas sem que eu tivesse assim solicitado, e fui prontamente atendido. Tá, não fui atendido prontamente, levou uns 10 ou 15 minutos, mas, depois disso, um encarregado, após muita conversa, conseguiu tirar o tal seguro de minhas parcelas, que voltaram a ficar verdadeiramente sem juros.

Pedi ao mesmo atendente um formulário de reclamações e tive que encarar os olhos arregalados dele. Este, por sua vez, me entregou um formulário — “eu vou buscar lá dentro e trago pro senhor” —, que preenchi solicitando retorno, após reclamar que os funcionários da loja precisavam receber melhor orientação e treinamento, e que nenhuma loja em sã consciência deve incentivar comportamentos assim.

Saí do crediário sob comentários da esposa — “você cria caso por muito pouco” —, ao que respondi que o problema de nós, brasileiros, é justamente esse. Ninguém reclama daquilo que está errado, mesmo que esteja. O errado mesmo seria pagar por algo que não pedi. E aí ela me deu razão. Espero que a loja, que tem cinco dias úteis para me responder a reclamação, segundo a própria política estabelecida por ela, também dê. Agora é esperar…

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Comentário

  1. Ah, eu sou como você, não deixo quieto esses “golpes disfarçados”, não. Na ocasião em que encerrei a conta que eu tinha no Bradesco, por exemplo, fiquei tão furioso com o que me aprontaram, que mantiveram dois seguranças perto de mim. Está certo que ninguém precisa chegar a esse extremo, mas naquele dia não consegui evitar. Eu tolero erros, mas não suporto a sensação de ser enganado…

    Abraços!

  2. Quando tu chegas num caixa da Renner, o funcionário já saí logo empurrando: “Oito vezes?”. Fazendo em oito vezes, tem juros. Como diria minha mãe: “Cinco e sem seguro”.

  3. Falta de respeito com o cliente… eu, além de reclamar, nunca mais gastaria um centavo na loja, pois eles ganham comissão em cima de cada seguro vendido…
    Essas coisas também me deixam injuriado, o melhor é que o procon que DEVERIA fiscalizar esse tipo de coisa, só recebe reclamações…
    Abração