em Crônicas do Cotidiano

Contra a censura ao CQC!

O meu nobre amigo Kadu nem deve saber, mas por conta dele eu me tornei um assíduo espectador do programa Custe o Que Custar — muuuuuito mais conhecido por CQC —, exibido  s segundas-feiras,  s 22h15 da noite e aos sábados,  s 20h15, pela Rede Bandeirantes de Televisão.

Para quem ainda não o conhece, o CQC trata os principais fatos da semana — sejam eles políticos, artísticos ou esportivos — de maneira irreverente, satírica e humorística, brincando com as informações de maneira descontraída. Apresentadores e repórteres — todos vestidos de terno, gravatas pretas e óculos escuros, no melhor estilo homens de preto — comentam suas abordagens a pessoas públicas, como políticos, celebridades e jornalistas, com perguntas pouco discretas e picantes.

Para mim, trata-se de uma mistura inteligente de humor e informação.

Mesmo sendo fã de carteirinha do CQC, acabei não acompanhando o programa na última semana. Foi justamente nesse período que seus repórteres foram proibidos de obter credencial para entrar no Congresso Nacional, o que pra mim é um absurdo total para a época e o regime democrático em que vivemos, assim como diz Marcelo Tas — âncora do show — em seu blog:

Trabalho fazendo entrevistas no Congresso Nacional desde 1984, na pele do repórter Ernesto Varela, quando o Brasil vivia sob a ditadura militar do Presidente João Figueiredo, (…) 25 anos depois, por conta do mesmo tipo de pergunta, não previsível e irreverente, o eminente primeiro-secretário do Senado veta a emissão de credencial para que jornalistas do CQC, da Band, tenham acesso   Casa. Nem durante a ditadura sofri esse tipo de privação do direito da livre expressão na Casa do Povo. (…) Mais do que nunca é hora de lutar contra a censura, que bate novamente   nossa porta.

Eu estou particularmente indignado.

Não vivemos mais no regime militar, ou em época de censura. Mesmo assim, o primeiro secretário do Senado, senador Efraim Moraes (DEM) decidiu impedir a obtenção das credenciais. No último dia 18 de junho os jornalistas da Rádio Bandeirantes e da Bandnews FM, André Giusti, Sonia Blota, José Paulo de Andrade, Salomão Ésper e Joelmir Beting comentaram a censura e se indignaram contra ela, assim como eu:

[audio:http://danielsantos.org/midia/18062008_cqcnocongresso.mp3]

Felizmente, um abaixo-assinado para que os repórteres do CQC possam voltar a entrar no nosso Congresso Nacional está online e, se você quiser — assim como eu já fiz — pode colaborar e fazer valer a voz do povo, cobrando a volta da permissão de acesso destes profissionais  s dependências da Casa.

No fundo, acho que essas coisas acontecem porquê o nosso país ainda não está acostumado com esse tipo de jornalismo — uma vez que o CQC muitas vezes coloca o dedo na ferida sem dó nem piedade e faz essas perguntas picantes, mas que são coisas que todo brasileiro mais esclarecido já sentiu vontade de perguntar a nossos governantes. Espero que essa história mude em breve, porquê senão sentirei vergonha desse tipo de episódio na nossa história.

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Comentário

  1. eu ja disse no plurk que lamentava ser culpado por isso =D

    sério, exatamente como escrevi no post, que acabaria esquecendo o programa, eu não lembro de ligar a tv para assistir o cqc, e quando o pessoal avisa no twitter e etc sempre estou fazendo/assistindo algo mais interessante. o chato é que o programa tem momentos muito bacanas…

    sei lá, ando meio off da tv, só assistindo jornais “tradicionais” mesmo =/

  2. @kadu: Pois é, eu entendo como é isso… de qualquer forma, você tem mesmo razão, o programa tem momentos muito bacanas, e é por isso que o assisto sempre que posso.

    Quanto à estar off, eu também ando mais distante da televisão — e na verdade, de tudo o mais — do que gostaria. Espero que seja apenas uma fase.

    Abração!

  3. Juro que me esforcei pra conseguir gostar desse programa… mas não consegui, os caras não faziam entrevista com algumas espetadas, os caras só espetavam e isso era muito chato e inconveniente.
    Todas as vezes eu ficava nervoso assistindo aquilo 😀

  4. @Neto

    Pois é, cara… eu sei como é isso… Meu pai, por exemplo, tem uma opião 50/50. Gosta dos quadros que têm um fundo de tentar ajudar a resolver problemas (“Reclame”), mas também não gosta da maneira como fazem as entrevistas em geral.

    Eu confesso que acho legal 🙂

  5. Pois é, eu entendo como é isso… de qualquer forma, você tem mesmo razão, o programa tem momentos muito bacanas, e é por isso que o assisto sempre que posso.