Eternally stuck in beta version

Nanoblog? Não sei não…

A evolução do ato de blogar parece estar chegando a níveis absurdos.

No começo os blogs eram pra quem gostava de escrever textos mais longos, que exigiam aquela preparação mínima, uma série de pesquisas e horas e horas de redação que podia ser alterada a qualquer momento — e até completamente descartada — antes de decidir que aquela era a hora certa para apertar o botão publicar.

Mas as pessoas perceberam que além de textos estruturados e elaborados   exaustão, também deveria haver lugar para textos mais rápidos e diretos — portanto, menos estruturados — em que se pudesse opinar rapidamente sobre um filme, compartilhar uma foto, música ou comentar uma notícia sem maiores pretensões. Foi assim que a blogosfera viu nascer o chamado sideblog — ou aside blog —, que, como o próprio nome sugeria, passou a integrar a barra lateral dos blogs, e mais tarde até mesmo rechear o blog principal, posicionando asides entre um artigo com mais conteúdo e outro.

Seguindo essa linha, alguém teve a idéia de juntar estes asides e montar um blog só de asides. Isso deu origem ao chamado thumblelog, assim chamado justamente pelo tamanho diminuto de seus posts — thumb em inglês significa polegar. Este modelo de blog começou a chamar a atenção de muita gente que, até então, não tinha paciência para manter um blog  s antigas, com todos aqueles textos longos e preparações cansativas, e que agora podia compartilhar frases pequenas, textos curtos, fotos e imagens.

Atualmente, a maioria já sabe, a sensação é o microblog, formado por posts com mensagens extremamente curtas, de no máximo 140 caracteres, justamente com o mesmo comprimento de uma mensagem SMS de celular. Talvez por isso, ainda mais pessoas resolveram que podiam ter um blog, ou melhor, um microblog, e passaram a compartilhar o que estão fazendo, dizendo, pensando, amando, odiando e muito mais.

Mas surgiu um possível novo membro nessa história.

No Adocu — que tem, convenhamos, um nome pra lá de estranho —, lançado no último dia 27 de maio, a proposta é responder qual é o seu status, usando, para isso, não os 140 caracteres aos quais muita gente já se habituou, mas sim, apenas uma palavra. Isso mesmo. Não vale espaço. No máximo, pontos de exclamação ou interrogação.

Eu criei uma conta lá. No entanto, com apenas um post no serviço, já vi que essa coisa de nanoblogging — que é como as pessoas estão chamando isso — não é para mim. Isso porquê tenho que admitir que já tenho dificuldades em microblogar com freq¼ência, porquê tenho o vício de querer escrever demais. Assim, se dizer algo com poucas palavras já é complicado pra mim, dizer algo com apenas uma palavra é virtualmente impossível.

Assim só me resta levantar algumas questões.

Primeira questão: Qual é a graça em se nanoblogar?

Segunda questão: Qual é a originalidade do serviço, já que, se eu quiser, posso twittar ou plurkar com apenas uma palavra? É mais fácil, e eu não preciso ficar criando mais uma conta em mais um serviço. Além disso, os serviços existentes já se integram — ou estão em fase de integração — com as ferramentas de blog mais robustas, como o WordPress.

Posso estar exagerando e sendo super reativo, mas estou falando honestamente. Não sei se é uma visão muito unilateral, mas não vejo futuro nessa história de nanoblog. Ou então, esta atividade se limitará a um nicho específico, formado pelas pessoas de poucas palavras, ou melhor dizendo, de uma palavra só. O que me lembra de minha terceira e última questão: Se o nanoblog efetivamente pegar, qual será a próxima etapa da miniaturização dos blogs?


Reader Comments

  1. Vou lançar o one-letter-blog, onde o usuário deve expressar todos os seus sentimentos através de uma única letra. Gostou de algo? l (de love). Odiou? h (de hate). E assim por diante.

    Ainda há espaço, também, para o emoticon-blog, onde a expressão se dá através dos emoticons super transados do Windows Live Messenger. Gostou? (l). Odiou? :@. É GLS? (r).

    Haha 😀 .

    []’s!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *