Information Cards: Uma revolução nas senhas?

cone do InfocardA empresa onde eu trabalho tem implantado gradativamente, desde o começo do ano, um programa chamado single sign-on. A intenção é acabar com um problema extremamente freq¼ente — e extremamente perturbador, diga-se de passagem: Esquecer as senhas.

Vamos admitir: Quem nunca esqueceu uma senha na vida deve jogar as mãos para o céu e agradecer. Afinal de contas, mais do que a enorme quantidade de sistemas offline que necessitam de autenticação — e que, no caso da empresa onde estou foi o grande motivador para o single sign-on —, a Internet é um grande player nessa história: Por causa dela nós vivemos de cliques e de senhas, não é mesmo? E basta um único serviço que não usemos por algum tempo e lá vamos nós esquecer uma senha e ter transtornos.

A solução para esse tipo de problema, muitas vezes, é usar uma única senha para todos os sites. Na prática, apesar de ser mais fácil, é menos seguro, todos sabemos disso. Afinal, alguém que descubra sua senha poderá invadir todos os sites que você usa e fazer sabe-se lá o que. Na prática, conforme diz Paul Trevithick, praticar esse hábito é quase como não ter senha nenhuma.

Mas quem é Paul Trevithick, afinal? Ele é o presidente da Information Card Foundation, empresa que pretende revolucionar a forma como nos autenticamos nos diversos sites que visitamos. A chave para que isso aconteça está no uso dos chamados information cards, ou simplesmente i-cards, cartões eletrônicos que os internautas baixariam para suas máquinas locais, e usariam diretamente a partir de seus navegadores, se autenticando e verificando seus acessos através de um código PIN — personal identification number, tal como nos celulares — remotamente validado sempre que entrassem em um site compatível.

I-Cards na prática

Os membros da fundação que defende o uso dos i-cards — entre os quais gigantes como Google, Microsoft, Novell e Oracle — acreditam que a prática melhoraria consideravelmente a segurança dos usuários, principalmente no que diz respeito a combater o phishing, processo pelo qual vários sites que agem de má fé tentam se passar por empresas honestas, visando obter senhas e demais informações sensíveis dos internautas menos avisados.

Para prover maior segurança na prática, o sistema de i-cards tem que sincronizar cada transação entre três participantes: Numa ponta o usuário com seu i-card, que solicita uma conexão criptografada com um fornecedor de identificação (como um banco ou empresa de cartão de crédito) e também com a parte relevante (que, neste caso seria uma faculdade, site financeiro ou de comércio eletrônico). Nada acontece enquanto estas conexões não estiverem realizadas em tempo real.

Espero que, já que essa iniciativa está sendo puxada por gente grande, ela decole. Se será uma solução final para os problemas de segurança, eu não sei, e até duvido. Mas é bom termos novidades deste porte em breve. Só não sei quanto tempo levará para um padrão desses atingir escala mundial… mas aí é outra história.

Fringe promete. Ah, se promete.

A data mais esperada da paróquia é 26 de agosto de 2008.

Neste dia estréia oficialmente Fringe, a mais nova série do criador de Lost, J.J. Abrams, em produção pela Warner Brothers e pela Bad Robot. Ocorre que o episódio piloto da história — uma produção de aproximadamente US$ 10 milhões — vazou para a internet há alguns dias atrás, e vários internautas já puseram suas mãos nele, tendo o prazer de desfrutar de cerca de 1’20” de uma história pra lá de misteriosa. O que eu não sei é se esse vazamento foi intencional ou não.

De qualquer forma, graças a uma ajudinha do Otávio Cordeiro via Plurk, eu também pude assistir   premiere. E posso dizer, com todas as letras, que trata-se de uma das obras mais impressionantes que já vi nos últimos tempos. A sensação, ao terminar de acompanhar o episódio, foi de ansiedade por ter que esperar por mais aproximadamente 60 dias até continuar seguindo os acontecimentos.

Para mim, aliás, a melhor definição para os acontecimentos que ocorrem no primeiro episódio dá série é a dada pelo site Omelete:

Fringe começa com um episódio-piloto de duas horas e, de certa forma, homenageia Lost logo no comecinho. O início — a cena pré-créditos — se parece muito com os primeiros minutos da série dos ilhados. Temos um avião com sérios problemas, voando numa tempestade — e somos apresentados a alguns personagens dentro dele. Mas o problema aqui, acredite, é muito pior (e bem mais grotesco) que o dos sobreviventes do Oceanic 815.

O vôo 627 de Hamburgo a Boston será o estopim da primeira investigação que veremos dos agentes do FBI Olivia Warren e John Scott. Mas não pense que teremos a velha dinâmica Mulder & Scully aqui. A cena que apresenta os dois se passa num motel – e eles não estão ali para investigar um crime…

Não demora, porém, para que Olivia desponte como a verdadeira personagem principal do programa. Nas costas dela, pessoal e profissionalmente, estará a responsabilidade de desvendar o mistério do vôo. Essa obsessão a levará até o Iraque e de volta aos Estados Unidos, onde ela terá a ajuda de um cientista louco (literalmente) e se envolverá na chamada fringe science (ciência alternativa), que estuda, na descrição do próprio roteiro, “as fronteiras da possibilidade e além“. Isso significa que palavras como controle da mente, teletransporte, projeção astral, invisibilidade, mutações genéticas e reanimações estarão na pauta do seriado. Prato cheio para os fãs de Lost…

Após assistir ao episódio Piloto, fiquei realmente com uma ótima sensação. Existem elementos dignos de Lost no enredo, mas também se misturam a ele situações dignas do Arquivo X, de Além da Imaginação e, até mesmo, na minha visão, de Heroes. Isso tudo só fez com que eu me prendesse   tela de uma maneira como há muito tempo eu não fazia.

É certo que eu não sei o quanto o segundo ou terceiro episódios de Fringe serão capazes de manter o mesmo ritmo frenético de seu movimentado antecessor. Normalmente, aliás, quando analisam-se os episódios de todas as séries famosas por aí, vocês hão de concordar comigo que o que se percebe são episódios realmente bons misturados   episódios completamente desnecessários. É claro que isso é uma estratégia para postergar as revelações mais importantes para o final…

Meu veredito final: Se você ainda não viu, veja. Vale a pena cada minuto investido. E embora eu não vá descrever aqui spoilers, deixo algumas imagens que eu capturei da cópia de Fringe que estava assistindo há poucos instantes, só para provocar um pouco…

A lupa do Plurk

E hoje no blog oficial do Plurk, a bola da vez foi destacar a novíssima capacidade de realizar buscas através da interface do sistema. Eu, particularmente, devo admitir que gostei muito dessa história, pois estava entre os que faziam coro pra que a novidade não tardasse a ser implementada. E agora ela chegou pra ficar.

Discretamente posicionada no canto inferior direito da timeline, uma lupa permite selecionar o escopo do que se deseja buscar. Entre as opções estão buscas no próprio timeline, buscas entre todos os plurks e buscas por humanos.

As buscas por humanos permitem encontrar outros usuários da ferramenta, o que pode ser útil, por exemplo, para verificar se um amigo já caiu nas graças do Plurk. Mas são as demais que, na minha opinião, estavam sendo mais aguardadas pelos plurkonautas.

Na prática, as buscas em nosso próprio timeline nos ajudam a filtrar informações, facilitando encontrar um ou outro plurk que deixamos pra responder depois, ou aquele falando sobre um assunto específico, sem que para isso precisemos necessariamente usar tags — ou seja, acrescentar o caractere # a uma palavra. As buscas gerais — ou seja, em meio a todos os plurks do universo — também podem ser úteis para encontrar informações ou links interessantes.

Mas melhor do que ficar apenas falando é demonstrar o novo recurso. Para isso, usarei como exemplo a nova série do criador de Lost, J.J. Abrams, Fringe, que deve começar a ser exibida agora no segundo semestre na TV americana. Como demonstra uma busca no meu timeline, além de mim, o Rodrigo Muniz também já está falando dela:

Obviamente, uma busca geral sobre a série me trará muito mais resultados, como é possível observar a seguir. Em meio a outros assuntos com a palavra-chave, é possível verificar diversos comentários de pessoas de todos os lugares do mundo sobre o seriado:

Como se vê, a busca de plurks é realmente algo que merece ser explorado com calma — uma vez que pode abrir infinitas possibilidades — e que felizmente veio pra ficar. No entanto, embora eu quisesse terminar este artigo dizendo que a busca sobreviveu   todos os meus testes em flawless victory, isso infelizmente não será possível.

Digo isso porquê ainda usando a série Fringe como referência enquanto terminava de escrever este meu texto, a busca em meu próprio timeline não trouxe este plurk do Otávio Cordeiro, que está em minha linha do tempo e mesmo assim ficou de fora. No entanto, não acredito ser este um problema para muita preocupação. Na velocidade em que as coisas mudam, são implementadas e corrigidas no
Plurk, isso não deve demorar para ser arrumado. Quem sabe, aliás, foi um problema com a indexação de plurks, que talvez — a exemplo do que ocorre com os pontos de karma — também só aconteça três vezes por dia. Vou esperar.

Contra a censura ao CQC!

O meu nobre amigo Kadu nem deve saber, mas por conta dele eu me tornei um assíduo espectador do programa Custe o Que Custar — muuuuuito mais conhecido por CQC —, exibido  s segundas-feiras,  s 22h15 da noite e aos sábados,  s 20h15, pela Rede Bandeirantes de Televisão.

Para quem ainda não o conhece, o CQC trata os principais fatos da semana — sejam eles políticos, artísticos ou esportivos — de maneira irreverente, satírica e humorística, brincando com as informações de maneira descontraída. Apresentadores e repórteres — todos vestidos de terno, gravatas pretas e óculos escuros, no melhor estilo homens de preto — comentam suas abordagens a pessoas públicas, como políticos, celebridades e jornalistas, com perguntas pouco discretas e picantes.

Para mim, trata-se de uma mistura inteligente de humor e informação.

Mesmo sendo fã de carteirinha do CQC, acabei não acompanhando o programa na última semana. Foi justamente nesse período que seus repórteres foram proibidos de obter credencial para entrar no Congresso Nacional, o que pra mim é um absurdo total para a época e o regime democrático em que vivemos, assim como diz Marcelo Tas — âncora do show — em seu blog:

Trabalho fazendo entrevistas no Congresso Nacional desde 1984, na pele do repórter Ernesto Varela, quando o Brasil vivia sob a ditadura militar do Presidente João Figueiredo, (…) 25 anos depois, por conta do mesmo tipo de pergunta, não previsível e irreverente, o eminente primeiro-secretário do Senado veta a emissão de credencial para que jornalistas do CQC, da Band, tenham acesso   Casa. Nem durante a ditadura sofri esse tipo de privação do direito da livre expressão na Casa do Povo. (…) Mais do que nunca é hora de lutar contra a censura, que bate novamente   nossa porta.

Eu estou particularmente indignado.

Não vivemos mais no regime militar, ou em época de censura. Mesmo assim, o primeiro secretário do Senado, senador Efraim Moraes (DEM) decidiu impedir a obtenção das credenciais. No último dia 18 de junho os jornalistas da Rádio Bandeirantes e da Bandnews FM, André Giusti, Sonia Blota, José Paulo de Andrade, Salomão Ésper e Joelmir Beting comentaram a censura e se indignaram contra ela, assim como eu:

[audio:http://danielsantos.org/midia/18062008_cqcnocongresso.mp3]

Felizmente, um abaixo-assinado para que os repórteres do CQC possam voltar a entrar no nosso Congresso Nacional está online e, se você quiser — assim como eu já fiz — pode colaborar e fazer valer a voz do povo, cobrando a volta da permissão de acesso destes profissionais  s dependências da Casa.

No fundo, acho que essas coisas acontecem porquê o nosso país ainda não está acostumado com esse tipo de jornalismo — uma vez que o CQC muitas vezes coloca o dedo na ferida sem dó nem piedade e faz essas perguntas picantes, mas que são coisas que todo brasileiro mais esclarecido já sentiu vontade de perguntar a nossos governantes. Espero que essa história mude em breve, porquê senão sentirei vergonha desse tipo de episódio na nossa história.

Nanoblog? Não sei não…

A evolução do ato de blogar parece estar chegando a níveis absurdos.

No começo os blogs eram pra quem gostava de escrever textos mais longos, que exigiam aquela preparação mínima, uma série de pesquisas e horas e horas de redação que podia ser alterada a qualquer momento — e até completamente descartada — antes de decidir que aquela era a hora certa para apertar o botão publicar.

Mas as pessoas perceberam que além de textos estruturados e elaborados   exaustão, também deveria haver lugar para textos mais rápidos e diretos — portanto, menos estruturados — em que se pudesse opinar rapidamente sobre um filme, compartilhar uma foto, música ou comentar uma notícia sem maiores pretensões. Foi assim que a blogosfera viu nascer o chamado sideblog — ou aside blog —, que, como o próprio nome sugeria, passou a integrar a barra lateral dos blogs, e mais tarde até mesmo rechear o blog principal, posicionando asides entre um artigo com mais conteúdo e outro.

Seguindo essa linha, alguém teve a idéia de juntar estes asides e montar um blog só de asides. Isso deu origem ao chamado thumblelog, assim chamado justamente pelo tamanho diminuto de seus posts — thumb em inglês significa polegar. Este modelo de blog começou a chamar a atenção de muita gente que, até então, não tinha paciência para manter um blog  s antigas, com todos aqueles textos longos e preparações cansativas, e que agora podia compartilhar frases pequenas, textos curtos, fotos e imagens.

Atualmente, a maioria já sabe, a sensação é o microblog, formado por posts com mensagens extremamente curtas, de no máximo 140 caracteres, justamente com o mesmo comprimento de uma mensagem SMS de celular. Talvez por isso, ainda mais pessoas resolveram que podiam ter um blog, ou melhor, um microblog, e passaram a compartilhar o que estão fazendo, dizendo, pensando, amando, odiando e muito mais.

Mas surgiu um possível novo membro nessa história.

No Adocu — que tem, convenhamos, um nome pra lá de estranho —, lançado no último dia 27 de maio, a proposta é responder qual é o seu status, usando, para isso, não os 140 caracteres aos quais muita gente já se habituou, mas sim, apenas uma palavra. Isso mesmo. Não vale espaço. No máximo, pontos de exclamação ou interrogação.

Eu criei uma conta lá. No entanto, com apenas um post no serviço, já vi que essa coisa de nanoblogging — que é como as pessoas estão chamando isso — não é para mim. Isso porquê tenho que admitir que já tenho dificuldades em microblogar com freq¼ência, porquê tenho o vício de querer escrever demais. Assim, se dizer algo com poucas palavras já é complicado pra mim, dizer algo com apenas uma palavra é virtualmente impossível.

Assim só me resta levantar algumas questões.

Primeira questão: Qual é a graça em se nanoblogar?

Segunda questão: Qual é a originalidade do serviço, já que, se eu quiser, posso twittar ou plurkar com apenas uma palavra? É mais fácil, e eu não preciso ficar criando mais uma conta em mais um serviço. Além disso, os serviços existentes já se integram — ou estão em fase de integração — com as ferramentas de blog mais robustas, como o WordPress.

Posso estar exagerando e sendo super reativo, mas estou falando honestamente. Não sei se é uma visão muito unilateral, mas não vejo futuro nessa história de nanoblog. Ou então, esta atividade se limitará a um nicho específico, formado pelas pessoas de poucas palavras, ou melhor dizendo, de uma palavra só. O que me lembra de minha terceira e última questão: Se o nanoblog efetivamente pegar, qual será a próxima etapa da miniaturização dos blogs?

O guia extra-oficial para plurkeiros

Não há como negarmos que o Plurk está aos poucos tomando conta do gosto da blogosfera nacional. São cada dia mais usuários brasileiros se juntando  s colunas do serviço, tudo em prol de compartilhar momentos divertidos com os amigos que estiverem online naquele instante.

Como se trata de um serviço novo, é natural que as dúvidas sejam inúmeras: Como é que eu uso o Plurk de maneira a obter dele o máximo de produtividade? — ou seria improdutividade?

Bem, seja como for, para ajudar aqueles que precisam, decidi começar a compilar uma lista de funcionalidades e respostas a respeito desta que é uma das invenções mais sensacionais dos últimos tempos. Mesmo quem ainda está relutante e não migrou de outras ferramentas — ou pelo menos duplicou o seu perfil pode acabar achando interessante.

Então, sem mais delongas, aqui está o meu guia extra-oficial para plurkeiros. Espero que gostem dele e me ajudem a enriquecê-lo com sugestões, uma vez que certamente este será um trabalho em constante atualização.

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Unificar a língua portuguesa não vale o esforço

Eu costumo comentar com amigos, de vez em quando, que nós brasileiros podemos nos considerar pessoas abençoadas pelo simples fato de sabermos falar a língua portuguesa. Sempre digo isso porquê nunca considerei nosso idioma — falado por mais de 230 milhões de pessoas em 9 países em que é o idioma oficial — um idioma fácil de se aprender.

Não é preciso que eu diga. Por mais que eu acredite que emprego bem a escrita do português, por exemplo, há certas frases e palavras que me causam dúvidas tão grandes que muitas vezes penso em não utilizá-las. Na mesma medida, todos nós sabemos o quanto compreendemos e empregamos bem o idioma, e que para qualquer número de pessoas que consideremos que falem ou escrevam bem em nossa língua, haverá um número pelo menos três vezes maior de pessoas que a falam ou escrevem mal. Isso acontece porquê as regras são inúmeras, e nem sempre nos lembramos de todas elas.

[flv:http://danielsantos.org/midia/EFCGJ_T_831618_flvbl.flv 480 368]

Tendo falado sobre estes pontos, me sinto obrigado a comentar que, desde o último dia 23 de maio, quando foi ao ar a reportagem do Jornal Nacional que eu reproduzo acima, anunciando a unificação da língua portuguesa em quatro países membros da CPLPPortugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe — que eu estou deveras incomodado com esta questão. Assim como citado na tal reportagem, numa língua tão rica como a nossa, em que as dúvidas são mais do que normais, qual será o impacto de termos que reaprender a escrever? Mais importante ainda, será que vale o esforço?

Segundo o meu entendimento da questão, os signatários desta unificação do idioma estão defendendo tal proposta basicamente para facilitar a compreensão do idioma de maneira global.

É realmente verdade que há diferenças entre algumas palavras do português, dependendo de onde ele é falado. Um amigo meu lá do trabalho, por exemplo, que teve a oportunidade de trabalhar para uma empresa portuguesa, sempre nos diverte citando uma série de diferenças entre as palavras lusitanas e as brasileiras. O pequeno almoço, o puto — que em Portugal designa uma criança pequena — e as letras e gue, que por aqui são o jota e o , respectivamente, são exemplos dessas diferenças entre as palavras do português falado em Portugal e o português brasileiro.

Para mim, no entanto, apesar de correr o risco de parecer simplista, estes exemplos são apenas regionalismos. O que eu quero dizer é que, para mim, o português brasileiro difere do português lusitano na mesma medida em que há diferentes palavras e expressões — menino e guri, calçada e passeio — dentro do próprio Brasil.

E como unificar estes regionalismos para facilitar a compreensão universal do português será impossível, o foco da medida que foi aprovada e deve entrar em vigor por aqui a partir de 2009 é nas diferenças de fonética e léxico das palavras. Com relação  s mudanças no Brasil eu acho que já passava da hora dessas:

  1. Cai o trema. Que bom, já vai tarde. O que eu já vi de gente que escreve tranquilo e linguiça ao invés de tranq¼ilo e ling¼iça garantirá que a regra seja cumprida por uma grande parcela da nossa população que, no final das contas, agradece pela oficialização do desuso de um sinal gráfico desses, que está na berlinda há tempos.
  2. Passam a fazer parte oficialmente do alfabeto as letras K, W e Y. O alfabeto passa a ter 26 letras. Essa também é uma regra, para mim, criada com a finalidade de cumprir tabela. Já temos nomes próprios com essas letras, e gente usando K, W e Y adoidado.

No entanto, me incomodam o fim do acento agudo nos ditongos abertos oi e ei — idéia e heróico viram ideia e heroico —, o fim do acento circunflexo em palavras com duplo o e evôo e vêem viram voo e veem — e até mesmo a mexida nos acentos diferenciais — aqueles que servem para mostrar que para e pára são coisas distintas — e nos hífens.

Esse meu incômodo parte principalmente do fato de que já usamos grafias diferentes há praticamente cinco séculos, e, se a questão é unificar, deveriam ser aceitas todas as formas de se escrever em português já existentes. Parece bobagem, porquê na prática ficaria tudo igual, mas basta pensar que hoje, apesar das pequenas diferenças, qualquer brasileiro consegue pegar um livro escrito em Portugal, lê-lo e entender o que se passa, e vice-versa.

Me senti mais tranq¼ilo ao ouvir ontem, enquanto ia para o trabalho de carro, que o escritor Ruy Castro, jornalista que colabora como colunista da Band News FM de São Paulo, vai ao encontro de alguns desses pontos que eu citei, e ainda por cima compartilha de outro incômodo que tenho. A seguir eu disponibilizo esta coluna dele.

[audio:http://danielsantos.org/midia/Ruy_Castro_Band_News_FM_030608_reforma_lingua_portuguesa.mp3]

Já que é inevitável, Portugal — onde apenas 1,6% das palavras devem ser alteradas — pediu vários anos para se adaptar   unificação, enquanto que, por aqui, pedimos apenas um ano e meio. Isso significa, como diz o Ruy, que alguém deve estar pensando em faturar em cima dos montes e montes de dicionários e livros que deverão ser inutilizados para que as novas regras possam começar a valer, pelo menos por escrito.

O fato é que, mesmo que alguém queria relevar essa minha última colocação porquê pode parecer muito com uma teoria da conspiração, continuo achando essa unificação uma coisa desnecessária. Talvez não para as gerações futuras, mas, por ora, para a média da população brasileira, já tão carente de cultura em geral, será um obstáculo a mais a ser superado na comunicação, representado nesta medida que necessitará de investimentos que poderiam estar sendo realizados em outras carências que bem sabemos serem bem mais importantes do que esta.

Dançando no tapete!!

Hoje cismei que queria dançar.

Vejam bem, eu sempre danço quando escuto uma música legal, mas dessa vez eu quis fazer isso em um lugar diferente. Papai e mamãe tem um tapetinho de dança que eles usam de vez em quando no video game, e foi ali que eu resolvi dançar.

Vejam só como foi que eu me sair. Não é por nada não, mas eu mandei muito bem!!!!

[flv:dancando.no.tapete.flv 480 368]

Sendo menos produtivo com o FireNES

Quem nunca usou um emulador na vida que atire a primeira pedra!

Para quem não sabe, emulação é um termo da Ciência da Computação que descreve a capacidade que um dispositivo ou programa possui de reproduzir o comportamento de outro dispositivo ou programa. Normalmente, esta técnica é utilizada para transpor barreiras que, não fosse por esta técnica, seriam intransponíveis: Por exemplo, pode-se conseguir executar o Windows dentro do Linux através de um emulador, ou fazer impressoras de outras marcas funcionarem com programas escritos para os modelos da HP.

QEMU rodando Windows XP no Ubuntu

Mas é aos gamers de plantão que uma das utilidades mais populares da emulação interessa: É ela quem ajuda na execução dos clássicos de consoles de outrora — como o Atari ou o Mega Drive — nos sistemas computacionais mais modernos. A lista de títulos de emuladores disponíveis é imensa, e mal caberia neste artigo: Basta dizer que o interesse pela coisa é tão grande que praticamente qualquer console que se pense possui, atualmente, pelo menos um emulador.

E eis que os emuladores chegaram ao Firefox: Descobri hoje, por acaso, uma extensão chamada FireNES, que permite justamente a emulação do console Super NES dentro da raposa de fogo. A instalação do plugin ocorre como qualquer outra para o browser, com a única ressalva de que precisei me registrar no addons.mozilla.org para poder seguir adiante com o processo.


O emulador é baseado no vNES, e se utiliza de uma máquina virtual Java para rodar os jogos. A lista de games, aliás, conta com mais de 2500 títulos no repertório, o que certamente garante a diversão de gregos e troianos sem que eles precisem baixar os famosos ROMS.

Passei pelo menos duas horas jogando clássicos como Galaga, Elevator Action e Bomberman, além de muitos outros:

Road Fighter rodando no FireNES Galaga rodando no FireNES Super Mario 3 rodando no FireNES

Embora a jogabilidade geral seja muito boa, é meu dever fazer algumas ressalvas que considero importantes:

  • Os jogos são executados em um popup a partir do Firefox e, mesmo com sua abertura automática depois de selecionado um título, é necessário clicar na parte interna da janela para que os comandos de teclado comecem a funcionar. Esta parece ser, tipicamente, uma limitação do engine do emulador;
  • Alguns jogos têm uma resposta lenta demais aos comandos, o que pode prejudicar um pouco a experiência de quem está jogando;
  • Alguns dos mais de 2500 títulos que estão na lista de jogos simplesmente não funcionam. Eu, pelo menos, não consegui rodar alguns;
  • A página do site da Mozilla onde se pode fazer o download do FireNES cita que o plugin é compatível com o FF 3.0, o que, pelo menos por enquanto, não é verdade: Neste caso os jogos, ao serem executados, acabam por exibir uma tela acinzentada sem som e sem imagem. De qualquer forma, o FAQ oficial do desenvolvedor atesta que eles esperarão até a versão final do novo FF 3.0 para verificar eventuais problemas de compatibilidade.

Mesmo com essas ressalvas, creio que realmente valhe   pena experimentar o FireNES. Alias, eu o vejo como uma excelente oportunidade para diminuir a produtividade no escritório, e para passar momentos divertidíssimos em frente ao computador de casa. Já está entre as minhas extensões favoritas…