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Capturando regiões da tela no Ubuntu

Quem me conhece pessoalmente sabe que meu trabalho atual envolve uma série de atividades relacionadas   documentação de processos e ferramentas, e   criação de how-to’s. Mesmo aqueles que não me conhecem em pessoa e me acompanham apenas aqui pelo blog há algum tempo já sabem que aqui não é muito diferente: Eu vivo tentando explicar detalhadamente muita coisa em cada artigo que escrevo, pra ajudar o máximo de pessoas, porquê no fundo eu gosto muito disso.

No meu modo de encarar a coisa, explicar envolve ilustrar, e ilustrar qualquer procedimento de informática implica em capturar imagens da tela, os famosos screenshots. Dependendo do que se deseja fazer, estes screenshots podem ser da tela toda, de janelas ou de regiões específicas, sejam elas retangulares ou com formato livre.

Recentemente, ao começar a utilizar novamente o Ubuntu, percebi o quanto os dois últimos tipos de captura que citei me fariam especial falta, já que normalmente quero chamar a atenção para detalhes específicos de alguma coisa quando estou escrevendo aqui no blog. A opção padrão do GNOME, localizada em Aplicações ââ? â?? Acessórios ââ? â?? Capturar imagem da tela não conta com a possibilidade de selecionar regiões para captura, o que na prática, se mantida esta única opção disponível, faz com que seja preciso obter uma tela ou janela inteira primeiro, para depois editá-la, por exemplo, com o GIMP, recortando apenas o necessário.

Navegando por aí acabei encontrando um site onde são apresentadas diversas maneiras para se capturar telas no Ubuntu. Dentre estas diversas maneiras, excluindo-se o utilitário padrão que acabei de mencionar, várias realizam a captura pelo terminal ou abrindo o GIMP, o que não é nada prático na minha opinião, e a grande maioria acaba sendo útil apenas para capturas da tela ou janela toda. Mesmo a mais promissora, uma extensão para o Firefox, embora conte com a possibilidade de capturar regiões da tela, faz isso apenas para páginas da web.

Assim, sobram-me duas alternativas para resolver o problema de conseguir capturar apenas regiões específicas da tela.

A primeira delas, a alternativa fácil. Por fácil, quero dizer instalar no GNOME um utilitário originalmente desenvolvido para KDE, o KSnapshot. Para isso, como sempre, basta executar um único comando como root através do terminal:

sudo apt-get install ksnapshot

Após a instalação, o KSnapshot estará disponível no menu Aplicações ââ? â?? Gráficos, e você poderá utilizá-lo para capturar regiões da tela normalmente, pois um cursor em forma de cruz aparecerá caso esta opção seja selecionada. Outro ponto positivo do programa é sua capacidade de salvar as capturas de arquivo em diversos formatos — JPG, PNG, GIF, etc — diretamente, sem a necessidade de um programa adicional ser usado.

KSnapshot

No entanto, a ferramenta ainda não torna possível capturar regiões desenhadas   mão livre — o que, apesar de não ser algo muito corriqueiro para mim, pode fazer falta para alguém. Isso me lembra da segunda opção que me veio   mente para capturar regiões da tela, sendo que esta envolve um utilitário freeware para Windows, e o uso do WINE, ou seja, é a mais longa e mais complicada.

Para mim, um programa Windows indispensavel é o FastStone Screen Capture, um utilitário que captura imagens, a exemplo do KSnapshot, em diversos formatos diferentes, e que é capaz de fazê-lo baseado em janelas ou em regiões, mas que vai um pouco mais além neste ponto, pois permite a seleção de regiões irregulares da tela.

O FastStone Screen Capture era freeware até sua versão 5.3, após o que os autores resolveram cobrar por ela. Embora ela seja excelente, muita gente pode não querer pagar o preço e, felizmente, nestes casos, ainda é possível encontrar para download a última versão freeware que eles disponibilizaram.

Nesta segunda alternativa para capturar regiões de tela no Ubuntu, será preciso realizar o download desta versão do FastStone Screen Capture, deixando-a numa pasta local, ou mesmo na rea de Trabalho por ora. Em seguida, será preciso instalar o WINE.

Para quem não sabe, WINE é um aplicativo que serve para executar programas do Windows. Sua sigla, recursiva, significa Wine Is Not an Emulator, já que realmente não se trata de emular nada, e sim de implementar e utilizar uma camada de compatibilidade open source totalmente desenvolvida para fornecer implementações alternativas das DLLs e processos usados pelo sistema operacional da Microsoft.

Eu resolvi seguir aqui os passos descritos em um ótimo tutorial que encontrei para instalação do WINE:

Antes de qualquer coisa, é importante adicionar o repositório de software do próprio WINE, para que se possa obter a sua versão mais recente e acessar também todas as atualizações futuras. Para isso, basta que se abra uma janela do terminal, digitando:

wget -q http://wine.budgetdedicated.com/apt/387EE263.gpg -O- | sudo apt-key add -

A seguir, deve-se adicionar este repositório   lista de repositórios do sistema. Na mesma janela de terminal, digite:

sudo wget http://wine.budgetdedicated.com/apt/sources.list.d/hardy.list -O /etc/apt/sources.list.d/winehq.list

Em seguida, parte-se para a atualização da lista de repositórios do sistema:

sudo apt-get update

E finalmente instala-se o WINE:

sudo apt-get install wine

Uma vez que o processo de instalação tenha sido concluído, pode-se acessar as opções de configuração do WINE executando-se o comando a seguir, ainda no terminal. É claro que a partir dai o programa e seu configurador também estarão disponíveis no menu Aplicações, sob o título Wine.

winecfg

O mais legal do WINE é que, uma vez na sua instalação do Ubuntu, pode-se executar os instaladores feitos para Windows como se fossem programas normais dentro do Linux. Assim, dar um duplo clique no instalador e seguir o processo de instalação do FastStone, por exemplo, terminará instalando arquivos e pastas em um diretório especial da sua pasta home, sem que isso interfira em mais nada.

Instalação do FSCapture no WINE

Para usar o FastStone Screen Capture depois de sua instalação, basta procurar por ele no menu Aplicações ââ? â?? Wine ââ? â?? Programas e clicar sobre o ícone correspondente   aplicação. Ela ficará residente no system tray do Ubuntu, de onde poderão ser usadas suas opções quase que normalmente.

Digo quase porquê há algumas limitações provenientes do fato de que o WINE é uma espécie de execução aproximada ao Windows. Conforme citado no Wine AppDB — banco de dados de aplicativos que são ou não compatíveis com o WINE —, o Faststone Capture 5.3 possui algumas restrições sendo executado nas distribuições Linux:

  • Não é possível capturar a janela ativa, já que isso captura na verdade o Wine System Tray.
  • Capturar uma janela selecionada resultará na captura de todo o desktop.
  • Os atalhos acabam não funcionando porquê conflitam com os atalhos padrão da aplicação Capturar imagem da tela.

Ainda assim, a finalidade principal que queríamos alcançar, a de suprir a capacidade de capturar regiões — principalmente irregulares — da tela, funciona perfeitamente, além das ferramentas de desenho do programa, que de quebra permitem acrescentar efeitos como setas, legendas ou figuras geométricas  s capturas realizadas, sejam elas retangulares ou de formato livre.

Além disso, embora as limitações acima possam parecer fatais, para quem segue este método mais complicado, há a possibilidade de utilizar dois bônus que acompanham o FastStone Screen Capture: O primeiro, um color picker, que pode ser útil para descobrir o código hexadecimal de qualquer cor exibida na tela atual, e o segundo um screen magnifier, para ampliar regiões da tela temporariamente, o que pode ser útil, por exemplo, para a gravação de screencasts.

Isto dito, basta escolher com qual opção você quer ficar. Seja ela a mais fácil ou a mais complicada, o importante é que ambas funcionam otimamente…

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  • Paula Soares

    Imperdível: RT @Bob_Fernandes RT @LulaMarques Muito calor e paquera de Sarkozy com mulher do ministro do STF http://migre.me/6z5

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