em Crônicas do Cotidiano

A MAD voltou dos mortos!

Capa da nova MAD #1Se você tem entre duas décadas e meia e três de idade, pelo menos, já deve ter ouvido falar da revista MAD. Conhecida pelo conteúdo em que são retratados desde quadrinhos até sátiras políticas e paródias bem-humoradas de filmes, a revista é um verdadeiro clássico criado em 1952 pelos americanos Harvey Kurtzman e William Gaines. No Brasil havia deixado de existir no ano de 2006, depois de mais de 30 anos de edição em três editoras distintas: Vechi, entre 1974 e 1983, Record, entre 1984 e 2000 e finalmente a Mythos, a partir de 2000 e até o seu término.

Resolvi escrever sobre a revista porquê há mais ou menos uns 8 dias, enquanto passava pela frente de uma banca de jornal, descobri — com supresa e, até mesmo, uma certa felicidade — que a MAD ganhou mais uma chance. Está ressuscitando dos mortos pela quarta vez, desta vez pelas mãos da Panini, que eu considero ser uma editora de qualidade excelente pelo material que normalmente produz.

É óbvio que eu resolvi comprar a revista. Naquele mesmo dia em que a vi. A decisão, aliás, me custou um monte de comentários do tipo “Ihhh… olha o cara, lendo MAD…”, mas todos eles vindos de pessoas que não puderam esperar para, pelo menos, folhear a nova revista. Da época em que eu costumava comprá-la e a edição era da Record, duas diferenças básicas são perceptíveis. A primeira, para melhor: A revista está com as páginas internas 100% coloridas — como ocorre com os gibis. Esse é um avanço interessante, e torna a leitura mais agradável, na minha opinião.

A outra diferença é para pior: O número de páginas está menor. Pelo que andei verificando, apesar de não ser contemporâneo do trabalho da editora Mythos, estava em 48 e passou para apenas 40. Na época da Record, por exemplo e se não me engano, esse número era bem maior. A meu ver isso pode muito bem ser o reflexo de uma época em que vivemos atualmente, onde tudo é reduzido — e o preço, mantido, senão aumentado. É o que ocorre com vários produtos, desde leite em pó — mais leve — até papel higiênico — com menos metros por rolo.

Sobre esta questão, achei uma entrevista muito legal com o editor da revista MAD no Brasil, o cartunista carioca Otacílio d’Assunção, que, é claro, ficou conhecido de uma geração sem número de fãs apenas por seu prenome, Ota. Em trechos desta entrevista, Ota dá outra explicação para a diminuição no número de páginas, que é até mesmo óbvia: Quando os leitores vão ficando escassos, as editoras param de investir. Não dá pra custear tudo sozinho, e assim a coisa pára. Segundo ele mesmo diz, “…cada editora que entra oferece menos que a outra. Então não tem como eu montar uma redação para fazer a revista. Agora dou assessoria, faço a seção de cartas e a parte de traduzir e adaptar a Panini faz“.

Seja lá como for, não dá pra negar que vários elementos da revista que cresceu comigo — e da qual fiz diversas coleções, inclusive dos famigerados Encalhes da MAD, em que diversas edições eram empacotadas para ficarem numa só — estão mantidos. Participações clássicas como as dos cartunistas Sérgio Aragonés e Don Martin, e também a ridícula Dobradinha MAD — sem a qual a revista nunca mais seria a mesma — continuam presentes, para alívio dos fãs. No final das contas, eu concordo com o que diz o próprio Ota na entrevista: A MAD é, acima de tudo, uma revista jornalística. Sobreviveu a décadas a fio, criticando, satirizando e acompanhando tendências da moda, culturais e políticas. É imperdível, pra quem já conhecia e pra quem, por ventura, ainda não a conhece… 🙂

ATUALIZAÃ?â?¡Ã?Æ?O: O Kadu encontrou algumas ridículas dobradinhas MAD interativas que estão hospedadas diretamente no site do The New York Times. Vale   pena conferir!

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Comentário

  1. Tu me fez lembrar minha infância agora… lembro-me da sátira (do filme) O Peidador, nunca mais vou esquecer, pra mim a mais engraçada.
    Abração

  2. @Neto: A edição de reestréia tem dois filmes, Netão: O primeiro deles é Harry Podre e a Bosta no Tênis, e o segundo é Meu nome não é Enjôohnny. Impagáveis, como todas as sátiras deles…

    Abração, cumpádi!

  3. @Kadu: Cara, muito, muito, muito legal!! E eu já atualizei o post com o endereço… por falar nisso, a MAD nova tá com uma dobradinha sobre cultura japonesa… 🙂 Só não digo aqui o que é, pra não estragar a surpresa, claro!

    Falou!