em Crônicas do Cotidiano

Envelheci. Meu blog também.

Meu compadre Neto Cury mandou muito bem num dos últimos textos que escreveu, descrevendo as fases do blogueiro e seu inadiável — é a natureza, afinal, não é mesmo?envelhecimento. Aliás, mandou tão bem que eu fiquei me perguntando se este blog já está usando bengala e tomando cuidado para não tropeçar nas longas barbas brancas da senilidade.

Uma experiência fascinante é a de ler — como recomenda o Neto — os arquivos antigos do seu próprio blog. Já há algum tempo, mesmo sem ter lido o texto dele, eu já venho carregando este hábito. É impressionante como você se enxerga passando pelas etapas. Alguns textos dos primórdios da minha vida blogueira, por exemplo, são totalmente iniciantes. Muita bobagem, coisas parecendo diário de adolescente e vááááários links para notícias. Há muitas coisas que escrevi, inclusive, que talvez pensando melhor hoje eu nem escrevesse.

Mas a vida é assim, e há também em meus arquivos os textos de aprendiz. Corri atrás de muita coisa: Sempre gostei de escrever e procurei aliar esse meu gosto   atividade de blogar. Criei uma espécie de blogoterapia e meti as caras. Ganhei alguns amigos — entre eles, um dos primeiros, o próprio Neto —, fãs, e tudo mais. Graças   essa fase descobri como aplicar o conhecimento que eu tenho profissionalmente — e pessoalmente, é claro — ao blog, e com isso o meu lugar no mundo blogueiro e o meu fiel público, se é que posso dizer assim.

Finalmente, me vi na fase que o Neto batizou de fundamentada. Eu sei o que quero escrever, e  s vezes até para que público escrever. Descobri a duras penas como ignorar comentários idiotas e como responder aqueles que são de gente que tem o que dizer. Conquistei ainda mais amigos assim, e descobri o quanto é duro manter um ciclo de amizades blogueiras.

Nesta última etapa parti até mesmo para colocar anúncios no blog. Ganhei uns trocados e depois tirei os anúncios. Porquê? Eu mesmo me pergunto isso até hoje. Talvez pelo fato de sempre ter encarado isso tudo aqui como um super passatempo, uma verdadeira terapia, como já disse antes. De qualquer forma é nessa fase fundamentada que vem o mais gostoso, a independência blogueira, por assim dizer.

Daí vem o envelhecimento. É faculdade. Trabalho. Dívidas. Filhos. Qualquer um que já passou por pelo menos uma dessas etapas sabe o que quero dizer. O tempo acaba, é aí que concordo 1000% com o texto do Neto. Quando comecei a escrever aqui há alguns anos, já era casado. Mas iniciando no trabalho e com a faculdade no começo, era mais fácil arrumar tempo, elaborar textos detalhados e tudo mais.

Anos depois, ou seja, agora, tudo mudou. O meu filho, por exemplo, me ocupa muito tempo, e sou obrigado a reconhecer que é menos tempo do que eu gostaria, porquê o resto é consumido por trabalho e cansaço. Isso me fez vestir a carapuça — e talvez pensar em empunhar uma bengala blogueira — porquê muita coisa que eu escrevi mais recentemente foi uma chatice. Coisa de velho, mesmo. Blogueiro velho. Por isso, eu acho até que devo desculpas aos que gostam de vir aqui e ler o que eu escrevo.

Aliás, como qualquer velho, por assim dizer, já perguntei a mim mesmo mais de um milhão de vezes se eu não deveria parar isso aqui tudo. Largar mão. Todo blogueiro, independente da fase em que está, já se perguntou isso. É uma decisão complicada e difícil, pois por um lado pode-se ganhar uma certa liberdade ao abandonar os artigos e editoriais, mas por outro pode-se sentir uma falta violenta disso tudo.

Por ora, no entanto, decidi não parar. No fundo, no fundo, eu gosto disso aqui. gosto dos textos que faço, mesmo que alguns não gerem sequer um comentário. Gosto dos meus tutoriais, e admito até que alguns deles são, antes de ser para os amigos leitores, pra mim mesmo. Mas foi assim, com esse meu jeito de escrever e pensar, que, até agora, a Internet e o blog só me renderam bons contatos e amizades que eu não trocaria por nada.

Assim sendo, mesmo que eu esteja de bengala e barba branca na blogosfera, tendo envelhecido, acho que vocês vão ter que continuar a me engolir por pelo menos mais um tempo. Se me derem licença pra isso, é claro…

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Comentário

  1. Excelente texto! De fato, blogs envelhecem e, em um determinado momento, morrem. O que eu já conheci de blogs bacanas que hoje não passam de meras lembranças não é brincadeira! Por outro lado, já vi alguns poucos blogs que, tal como se tivessem encontrado uma fonte da juventude, voltaram à ativa de uma maneira incrível. Acho que, em relação a nós mesmos, os blogs têm a vantagem de poder contar com um certo nível de rejuvelhecimento, mesmo quando seus respectivos donos mudam sua rotina e o seu jeito de pensar.

    Até mais!

  2. Primeiramente agradeço as citações, e depois agradeço novamente por somar mais conteúdo ao meu texto vazio, na realidade eu gostaria de ter escrito tudo o que você escreveu aqui 😀

    Abração