em Crônicas do Cotidiano

Será que eu venderia o Yahoo!?

[social_web_link][/social_web_link]O cenário é o seguinte: Estamos em 1994 e você e seu amigo acabam de se formar em uma das universidades mais conceituadas do mundo. A internet é uma coisa ainda extremamente insipiente, pouco conhecida das grandes massas, e logo surge a idéia de criar um índice de sites organizados segundo uma hierarquia para aquela que se tornaria a cada vez maior rede mundial de computadores. O nome escolhido para batizar tal índice é, acreditem, Jerry’s Guide to the World Wide Web.

Logo mais vocês resolvem mudar o nome do serviço para Yahoo!, por gostarem de sua pouca sofisticação. No final deste mesmo ano, mesmo com o site hospedado em uma URL difícil de memorizar, http://akebono.stanford.edu/yahoo, vocês já receberam mais de um milhão de acessos e se dão conta do potencial comercial da invenção. Cruzando acidentalmente com a Sequoia Capital, uma empresa cujos investimentos de maior sucesso incluem a Apple Computer, Atari, Oracle e Cisco, vocês chegam a um acordo e, em abril de 1995 fundam a Yahoo!, com um investimento inicial de quase US$ 2 milhões.

Poderia ser a sua história com um amigo. Poderia ser (quem dera) a minha própria história e a de um amigo. Mas na verdade foi esse o começo da história de Jerry Yang e David Filo, que, já nos dias atuais, são reconhecidamente responsáveis por uma empresa líder nos ramos de comunicação, comércio e mídia via internet, oferecendo serviços diversos a mais de 345 milhões de pessoas todos os meses.

Eis que a Microsoft resolve oferecer US$ 44 bilhões pelo Yahoo   vista, para, segundo ela, se posicionar melhor nos mercados de serviços on-line e de busca. Quando li essa notícia em voz alta, aqui mesmo do meu computador, para meus colegas de trabalho, surgiu a polêmica. Um disse: [hi]“No lugar deles, eu venderia na hora”[/hi], enquanto o outro disse “Eu não. Nem todo mundo pensa assim, pois, para alguns, o importante não é tanto o ganhar dinheiro, e sim o status”.

44bibrl.jpg

Vender me tornaria bilionário instantâneo: Com 44 bilhões de verdinhas teria, pelas contas de hoje, mais de R$ 78 bilhões na conta da noite pro dia e poderia não só me aposentar e ir viver numa ilha deserta, como também levar junto comigo várias gerações da família. Aliás, com tanto dinheiro, poderia formar uma pilha com 8800km de comprimento — considerada uma espessura de 0,2mm por nota de dólar —, que embora demasiadamente alta, ainda ficaria 331.200km distante da lua [foot]Obrigado pelo fantástico raciocínio, Mr. Anderson![/foot], mas isso é uma outra história.

Para quem quer dinheiro vivo, é a pedida certa.Não vender me deixaria, como disse meu amigo, com o status. No melhor estilo vaga de estacionamento reservada, escritório com nome na porta e secretária, convites para eventos e palestras e muito mais. Também me permitiria desenvolver o negócio ainda mais, ou seja, vejo que seria a opção mais passional, para um verdadeiro geek.

É difícil se colocar no lugar dos caras. Será que eu venderia o Yahoo! ou ficaria com ele pelo menos por mais algum tempo? Honestamente, é a tal da história. O dinheiro pode certamente cegar, e a primeira coisa que me passou pela cabeça enquanto escrevia foi vender, provavelmente pedindo participação nos lucros posteriores. E vocês, o que fariam?

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Comentário

  1. É como você disse, é difícil se colocar no lugar dos caras que estão ali no dia-a-dia da empresa, mas depois de vários bilhões oferecidos pela MS (inclusive com ágio de 62% esta última vez), eles, pela primeira vez, disseram que avaliariam a oferta, ou seja, parece que a coisa não está muito bem no Yahoo!, que demitiu centenas mês passado.

    Depende de muita coisa tomar uma decisão como esta. Vender uma empresa pioneira no seu segmento, uma empresa que você criou absolutamente do nada a pouco mais de 10 anos atrás valer $44 bilhões hoje, deve ser um grande orgulho Yang e Filo, mas vai saber como andam as contas do Y!

    Se fosse uma empresa sólida, com futuro esplêndido ainda ser traçado e dando rios de lucro eu não venderia, seria como perguntar para Page e Brin se eles venderiam o Google hoje, mas, caso eu venda, uma participaçãozinha nos lucros (nem que for de 1%), sem dúvida não é má idéia =)

  2. Neto Cury » Puxa, Netão!! Eu não sabia disso não…!! Mas é como diz aquela velha história: se as coisas estão nesse pé, é chegada a hora de vender, se for isso mesmo que eles quiserem fazer. Afinal de contas, a próxima oferta corre o risco de não ser tão boa assim… é a lei do mercado 🙂

    Abração!

  3. kadu » Pois é, Kadu… eu acabo de responder o comentário do Neto onde ele disse que a oferta no passado já foi o dobro. Eu não tinha me atentado neste detalhe, mas vocês dois têm razão: Tudo depende de como andam as pernas do empreendimento. Se as finanças realmente estiverem ruins pode ter sido culpa de um pouco de preciosismo dos donos, mas nunca vamos saber, não é? Resta esperar o desfecho da história…

    Abração!!

  4. Olá,
    Eu venderia com a condição de que eu fosse contratado para continuar trabalhando lá com direito a voto nas decisões da diretoria. Seria mais seguro, pois vai que se estoure uma segunda bolha na internet que faça empresas virtuais falirem ou terem suas ações desvalorizadas.

  5. Eduardo » Tem razão, Eduardo. Nunca se sabe quando uma instabilidade vai surgir no mundo virtual, e nesse caso é melhor ter algo com o que se precaver, não é mesmo?

    Obrigado pela visita e volte sempre que quiser, ok?
    Abração!