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Efeito Twitter: Será o fim do blog convencional?

Eis um fenômeno no mínimo muito interessante: Boa parte dos autores de blogs que eu costumo acompanhar diminuiu a freq¼ência de postagem de artigos nos últimos meses — embora eu não saiba precisar desde quando — e, mesmo quando este intervalo ainda apresenta uma certa regularidade, é claramente perceptível que o tamanho dos textos está menor.

Em contra-partida, o número de atualizações nas contas de um certo serviço de microblogging destes mesmos autores aumentou exponencialmente no mesmo período: Enquanto alguns lembram a si próprios que precisam voltar a escrever no blog, outros parecem já ter abolido a ferramenta para se concentrar nestas atualizações. Isso é algo ao que resolvi batizar de Efeito Twitter. Mais um dos efeitos da vida moderna, chego cada vez mais   conclusão de que tal efeito pode realmente acabar com um blog convencional. Mas porquê estou dizendo isso?

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Porquê vejo que enquanto manter um blog convencional normalmente implica em noticiar, resenhar, comentar ou descrever acontecimentos, livros, filmes, experiências pessoais e sabe-se mais qual outra sorte de coisa, normalmente gerando textos mais elaborados e pesquisados, de tamanho médio a longo, manter um microblog normalmente envolve a atualização de acontecimentos cotidianos e de status compartilhados com uma rede de amigos reais e/ou virtuais instantaneamente, ou seja, não é preciso pesquisa alguma, e você pode escrever o que lhe vem na telha imediatamente.

Neste cenário, é muito mais fácil e rápido — e talvez, divertido, mesmo — responder a pergunta padrão do Twitter, “What are you doing?” (“O que você está fazendo?”), que admite apenas 140 caracteres de comprimento. Logo, aliás, você se dá conta de que não está apenas escrevendo o que está fazendo, mas também dando sua opinião sobre o programa de TV que está no ar, sobre aquele filme que assistiu há pouco ou livro que acabou de ler. Além disso, a coisa é tão prática que, com extensões e ferramentas apropriadas, logo você tem um repositório de links a la del.icio.us, ou ainda uma lista de músicas ou fotos. Possibilidades virtualmente ilimitadas.

E o que dizer dos comentários? Afinal de contas, são eles uma parte vital do ciclo da blogosfera: Quando alguém escreve um texto em um blog convencional, quer provocar opiniões de seus leitores, não é mesmo? Ocorre que  s vezes mesmo o texto mais bem elaborado do universo pode não gerar um único comentário, enquanto que um comentário rápido do tipo “Tá rolando o maior barraco no BBB 8” — embora não responda   pergunta “What are you doing?”pode gerar dezenas de reações em poucos minutos. Comentar num microblog é mais rápido e mais prático, e ainda gera aquela sensação de rede social.

Eu realmente acredito que uma mudança de comportamento está se operando na blogosfera, e não apenas no cenário brasileiro: Acredito que, daqui a algum tempo, muita gente pode eventualmente deixar ferramentas robustas como o WordPress de lado graças ao Efeito Twitter. Visando algo mais simples e rápido, talvez essas pessoas migrem definitivamente para o serviço, ou acabem se acertando com ferramentas intermediárias — de tumblelogging, um intermediário entre blog convencional e microblog, que associa textos curtos a imagens ou outros tipos de mídia em cada post — como permite o Chyrp, contribuindo para que o modelo de blog convencional atual nunca mais seja o mesmo.

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Comentário

  1. Opa Daniel!

    Primeiro de tudo, Feliz 2008!

    Eu sou suspeito pra falar pois não uso o twitter, mas pelo que vejo o pessoal falar e pela sua descrição do “modus operantis” vejo que ferramentas como esta só contribuem para o crescimento da superdosagem de informação e da pior qualidade… Por que?

    Porque é necessário estofo cultural para ejacular textos de modo insano e estes serem 40% (uma taxa aceitável!)proveitosos…

    Não vou nem entrar na questão da perda de produtividade de quem entra numa de seguir outros 30 ejaculadores precoces de textos…

    Deve rolar muita diversão e “miolo de pote”, sem dúvida…mas eu ainda prefiro seguir os textos que passaram por um mínimo de reflexão, autocrítica e burilamento…

    Continuo achando que o twitter é um hype que não serve *pra mim*

    • @Sérgio

      Antes de tudo, é claro, um feliz 2008 pra você também!!

      Vamos lá: Quando escrevo os meus próprios artigos, procuro fazer exatamente o que você menciona: Acrescentar a eles um mínimo de reflexão e de crítica, associados a um pouco (pelo menos) de pesquisa. Desta forma, não preciso nem dizer que continuo preferindo os textos elaborados, é claro.

      O mérito do Twitter, a meu ver, está justamente na propensão à descontração: Quando você quer um monte de “miolo de pote”, despretensiosamente, pode com certeza recorrer a ele para conversas rápidas… No mais, o blog convencional continua sendo a minha praia…

      Abraço, e volte sempre que quiser, ok?

  2. Eu fui citado? WOW, que honra!!
    Bem, mas falando sobre o efeito twitter e blogs, eu acho que encontrei a ferramenta perfeita para me manifestar constantemente sem abandonar o barco depois de algum tempo. Acho que você acompanhou os vários fins e recomeços do meu blog né? O fato é que nem sempre tenho tempo (confesso que é mais paciência mesmo) para escrever sempre. Gosto, acho legal mas não sou persistente, o que me condeno muitas vezes. Aí veio o twitter e conseguiu acabar com esse meu problema pela praticidade e rapidez. O que eu penso eu falo, simples assim. Confesso que muitas vezes queria que tivesse mais de 140 caracteres, mas é bom que aprendo a sintetizar minhas idéias.

    []s e parabéns mais uma vez pelo ótimo blog =)

  3. O “fim” com certeza é exagerar. Uma pequena redução na frequência é aceitável, mas os bons blogueiros sabem que seu maior público ainda é nos blogs convencionais, e dificilmente deixará de ser desta forma.

  4. Não sei escrever textos curtos, hehehe. Esse é meu principal problema com o Twitter. Sinceramente não vejo graça naquilo, mas seria uma idéia interessante como pequenos pensamentos em uma caixa na página principal do blog, como acontece com o Cocadaboa. As vezes são pequenas observações que não vão render um post, mas não vou criar outro endereço só para isso.
    Mas, tenho observado que o leitor anda com uma certa preguiça também. Textos mais longos geralmente não rendem comentários enquanto coisas idiotas e curtas são as mais comentadas. Isso é preocupante.

  5. @aissegoo

    Achei fundamental para o meu artigo citar o seu exemplo. O que eu acho importante é exatamente o que você disse: Encontrar a forma correta de se expressar. Desta maneira, tudo é válido, principalmente se você se sente à vontade com a freqüência com que divide suas idéias on-line.

    Como eu disse, me sinto pouco à vontade em escrever pouco, e necessariamente gosto de fazer minhas pesquisas antes de escrever. É por isso que eu não me adapto muito bem ao Twitter, embora eu tenha uma conta lá e até divida o que escrevo aqui no próprio blog. Mas cada um é cada um, não é maravilhoso? 🙂

    No mais, um abraço, e volte sempre que quiser 🙂

  6. @Thiago

    Confesso, realmente, que exagerei ao falar sobre o “fim” do blog convencional, mas é mais uma força de expressão do que qualquer outra coisa. O fato é que uma mudança está em curso, embora você tenha razão quando diz que os blogs convencionais jamais deixarão de ter público fiel.

    Abração, e volte sempre!

  7. @Gilson

    Eu também não sei escrever textos curtos (você já deve ter percebido, é claro). Por vezes sinto falta de mais de 140 caracteres no Twitter, e por isso não me adapto tão bem à ele, hehehehe.

    Ao registro de pensamentos curtos no blog, pelo que sei, chama-se asides. São aqueles posts curtinhos que realmente não rendem um post oficial: Concordo que não é preciso um endereço extra para isso, pois através de plugins das próprias ferramentas de blog como o WordPress é possível atingir este resultado.

    De certa forma, pode ser mesmo que o leitor ande com uma certa preguiça: Ao se deparar com um texto mais longo, ele nem se dá ao trabalho de ler. Isso tem a ver com o autor, pois ele precisa tentar prender sua audiência, mas também acredito ter a ver com um quê cultural. O brasileiro pouco lê as mídias mais convencionais. Vai ficar lendo na internet? Mas este assunto, mesmo preocupante, fica pra outro post… (e já me rendeu mais uma idéia que vou tentar desenvoler).

  8. ah se fudê! escrevi um puta texto e quando publiquei deu pau… >:(

    Enfim, não acho que o twitter tenha modificado minha maneira de blogar, e acho que também não afetará futuramente.

  9. Olá

    Gostei do seu texto e gostaria da sua permissão para reproduzi-lo no meu blog de trabalho o Caldeirão de Idéias, http://nteitaperuna.blogspot.com, pois ele traz uma posição que eu tenho acompanhado e é real.

    Somente posto textos com autorização do autor e cito a fonte e os créditos da matéria. Espero poder contar com a sua permissão.

    Abraços

    Robson Freire