em Tecnologia

Papel que Fala

Quando eu era criança e não existia Internet nem muito menos câmeras digitais, me lembro que uma das minhas maiores diversões ao tirarmos fotos em casa era buscá-las na Fotoptica, onde normalmente mandávamos revelá-las, por ficar na rua de trás de casa. Digo isso porquê acompanhando o envelope com as fotos vinham uma ou mais cartelinhas de adesivos com balões de fala, pensamentos e onomatopéias: A minha diversão era transformar as fotos em verdadeiras fotos que falam.

O tempo passou, a moda das fotos que falam também, e a tecnologia foi avançando cada vez mais, a ponto de agora surgirem os verdadeiros papéis que falam.

Uma startup havaiana chamada Labels That Talk criou um software que permite a impressão de códigos de barra de alta densidade em tiras de papel capazes de armazenar mensagens gravadas em áudio: Basta digitalizar o papel com qualquer scanner e ele reproduzirá a mensagem. Atualmente cada tira de papel da empresa tem a capacidade de 8 kilobits, o que é suficiente para 10 segundos de áudio.

O idealizador do projeto, Ken Berkun, diz que pensou na filha pequena, que adora ver fotos com o pai, e em como seria legal que cada foto pudesse “dizer” o que está retratando. A meu ver na verdade, além disso, as aplicações práticas são enormes:

  • As indústrias farmacêuticas poderiam acoplar avisos aos remédios destinados aos pacientes, com certas instruções ou normas de segurança;
  • Os ingressos de espetáculos, filmes ou eventos esportivos poderiam informar aos compradores como chegar aos seus assentos;
  • Em supermercados e demais lojas de grande porte, os produtos poderiam informar seus preços automaticamente, o que ajudaria pessoas com deficiência visual, por exemplo;
  • CDs e DVDs nas prateleiras das lojas ou locadoras poderiam reproduzir trechos de seu conteúdo automaticamente, servindo como preview. Neste caso, assumo, é claro, que o armazenamento de vídeo também seja possível, como evolução natural da idéia.

A principal diferença entre a idéia da Labels That Talk e outras soluções que também procuram incorporar mídia a etiquetas, como os Memory Spots, da Hewlett-Packard – que podem armazenar de 256 kilobits a 4 megabits de dados, inclusive vídeo e imagens – está no preço: A solução da HP, baseada em um chip de memória flash NAND, é mais cara do que a impressão direta em papel, podendo custar de 10 a 50 centavos de dólar quando chegarem ao mercado.

Um último ponto muito relevante: As negociações da Labels That Talk incluem alguns fabricantes de celular: Desta forma, não devemos nos espantar se a idéia realmente se tornar popular daqui a algum tempo. Com pessoas levando scanners portáteis em seus telefones móveis, as possibilidades são ainda mais gigantescas!

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