em Crônicas do Cotidiano

Desforra

— …então, senhor, estamos entrando em contato para informá-lo que dentro de poucos dias o senhor estará recebendo em sua residência o nosso cartão de crédito (insira a bandeira favorita aqui) e poderá começar a usufruir dele instantaneamente.

— Bom, vou receber porquê? Eu não solicitei nada.

— Correto, senhor. Embora o senhor não tenha solicitado o cartão, devo lembrar que se trata de uma oferta pela qual o senhor não pagará anuidade e ainda poderá desfrutar de diversos benefícios.

— Mesmo assim eu não tenho interesse, obrigado.

— Bem, senhor… O cartão já foi enviado. Para não usá-lo, basta que o senhor não o desbloqueie.

— Neste caso vou acionar o PROCON.

— PROCON? Porquê, senhor?

— Como eu disse antes, vocês me enviaram algo que eu não pedi. Desta forma, me sinto no direito de denunciá-los.

— Um momento, senhor. Estou cancelando o envio do cartão.

— Ué? Você não disse que o cartão já tinha sido enviado?

Embora pareça uma piada, eu realmente me vi obrigado a travar este diálogo há cerca de dois anos atrás com um atendente de telemarketing desses que acertam o horário que estamos em casa justamente aos domingos ou feriados e que, além disso, ainda tentam te empurrar cartões de crédito.

Notaram como, quando eu mencionei o PROCON, a prosa mudou de rumo? Pois então. Sempre achei essa história de cartões não solicitados um abuso das instituições bancárias — sem mencionar a cara-de-pau deste e de outros atendentes de telemarketing —, e olha que nesses vários anos, já recebi contatos de praticamente todas elas neste sentido. Mas finalmente chegou o payback time.

Digo isso porquê acabo de ler que o HSBC foi multado em mais de meio milhão de reais esta semana por conta de um envio de cartão de crédito não solicitado a um cliente. Não teve choro, nem vela: O banco tentou uma série de alegações mas a justiça não deu mole. Mesma coisa com o Unibanco, que segundo a mesma nota da Folha, também recebeu no início do mês a ordem de desembolsar R$ 709 mil pelo mesmo motivo.

Embora ainda caibam recursos — e provavelmente, depois desses, mais recursos ainda — é uma prova de que, quando um consumidor quer e vai   luta, consegue que algum direito seu seja respeitado. Neste caso, o órgão que está do nosso lado é o DPDC — Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor.

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Comentário

  1. No fim do ano passado eu abri um processo contra o Banco do Brasil também. Quando abri uma conta lá, recebi o cartão do banco conjugado comum cartão de crédito, mas a mocinha disse que se eu não habilitasse ele serviria apenas como cartão do banco.

    Funcionou bem durante um ano, até que recebi uma cobrança de anuidade. Eu não paguei, e no mesmo seguinte recebi uma segunda cobrança, descobrindo, também, que eles tinham descontado a primeira direto da minha conta e que estavam me cobrando multa pelo atraso no pagamento. Deixei correr alguns meses e a dívida só foi aumentando.

    Chapei o processo e entramos em acordo na conciliação.