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Odores Registrados

Quem é que nunca viu pelo menos um programa na televisão onde o protagonista, ao passar por alguma situação aromaticamente desconfortável, fosse qual fosse o motivo, disparasse a já conhecida frase, afirmando, para alívio dos telespectadores, que ainda bem que a televisão não transmitia cheiro? Confesso que, em algumas vezes, eu mesmo comemorei tal fato.

Se a televisão vai continuar assim no futuro — um aparelho que não possui a capacidade padrão de transmissão de aromas — é complicado dizer. Não é a recente — e finalizada — discussão sobre padrões de televisão de alta definição no mundo e no Brasil que determinará tal coisa. Nem espero que esse tipo de recurso esteja disponível nas próximas gerações da raça humana. Mas um grupo de engenheiros japoneses do Instituto de Tecnologia de Tóquio, pelo menos, parece estar bem próximo de dar um passo que levará a este resultado no futuro.

É que estas pessoas estão construindo um gravador de odores. A idéia parece bizarra à primeira vista, eu imagino que vocês possam estar pensando: Mas a questão é que a intenção dos pesquisadores é gravar odores tanto quanto se gravam, atualmente, vídeo e som.

Se você é daqueles que adora o perfume que a sua namorada usa ou, quando sente o cheiro de seu prato favorito, consegue reconhecê-lo mesmo a quilômetros de distância, a invenção japonesa virá bem a calhar: permitirá que, ao apontar o gravador de odores para qualquer coisa, um cheiro característico seja gravado, analisado eletronicamente e depois reproduzido através de um conjunto de ingredientes químicos atóxicos.

O que me impressiona em um sistema destes, caso venha a se concretizar um gravador de cheiros, são suas aplicações um pouco mais avançadas: As pessoas poderão comprar um perfume, por exemplo, e antes de efetivar a compra, saber de antemão que gostarão do produto. A mesma coisa, vocês podem imaginar, se aplicará a restaurantes e lanchonetes, que poderão demonstrar os aromas de cada um de seus pratos para atrair novos clientes e até mesmo fidelizá-los. E, é claro, indo um pouco mais além, também há aplicações no campo da medicina, ou no treinamento de animais como cães farejadores, por exemplo.

Em resumo, na minha opinião, o gravador de odores é mais uma dessas idéias malucas que aparecem vez por outra por aí e que a gente realmente sente vontade de que sejam levadas à cabo, pra que se possa desfrutar dos resultados. Quem sabe, aliás, um desses gravadores, quando disponível, numa versão provavelmente modificada, possa reproduzir os odores ruins do dia-a-dia — chulés, bafos e tantos outros, desagradáveis —, uma vez gravados, transformados em coisas boas, não é mesmo? Invertendo a polaridade, quem sabe…

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