Autocódigo

Alguém já se referiu a você dizendo que Fulano é capaz de fazer isso com as mãos amarradas nas costas? Acho pouco provável que não. Quando eu trabalhava mais aprofundadamente com programação, algumas pessoas chegaram a usar esta frase para se referirem à minha facilidade com a criação de códigos para a resolução dos mais diversos tipos de problema. Obviamente, a coisa não passa de uma mera expressão, uma figura de linguagem. Afinal, quem é que já viu alguém programando com as mãos amarradas, ainda mais nas costas, não é mesmo?

Mas talvez possamos adicionar uma certa realidade a esta expressão. É que um novo software de reconhecimento de voz chamado VoiceCode promete permitir aos programadores que criem seus programas sem a necessidade de encostar um dedo sequer em seus teclados.

A novidade, criada em conjunto por pesquisadores do National Research Council of Canada e da Universidade da Califórnia, visa ajudar principalmente as pessoas que sofrem com lesões por esforço repetitivo (LER): Só nos EUA, 100 mil programadores sofrem com dores nos músculos, tendões e nervos de seus braços e costas, já que passam a maior parte de seu tempo utilizando um teclado e realizando digitação.

Os criadores do VoiceCode admitem que existem vários softwares de reconhecimento de voz que podem ajudar as pessoas a utilizarem o computador, mas dizem que nenhum é capaz de converter o que um usuário diz diretamente em sintaxe de linguagem de programação. A ferramenta, que atualmente funciona apenas com Python, pode ser extendida para outras linguagens. Para digitar um comando como if (regAtual < maxReg) then, por exemplo, bastaria o usuário dizer If registro atual menor que o máximo de registros, then.

A única barreira para que mais pessoas possam testar o programa é o tempo que leva para sua instalação: Quase um dia inteiro montando as peças. Para os líderes do projeto, alguém com lesão por esforço repetitivo teria grandes problemas para fazer uma montagem dessas. Mas dos males, o menor: Tenho certeza de que, com tanta nanotecnologia disponível, essa barreira será derrubada logo, logo... E quando isso acontecer, embora eu não sofra de LER, talvez até compre um equipamento desses...

ScanR?

É extremamente comum, durante o meu trabalho, que eu me engaje em uma ou outra discussão sobre os mais variados assuntos. Como nos é exigida, o tempo inteiro, a capacidade de realizarmos brainstorms, o mais comum é que comecemos a fazer anotações, quer em folhas de caderno, flip charts ou nos quadros brancos das salas de reunião da empresa. Independentemente de onde anotamos nossas idéias, no entanto, um problema em comum sempre aparece: O retrabalho.

É que as idéias, descritas em papel ou em quadros, precisam ser transportadas para o computador, ou seja: Aquilo que foi obtido manualmente precisa ser transformado em um produto digital, para que apenas a partir de tal ponto seja aproveitado em um documento, planilha ou apresentação. Como acredito que usar o computador diretamente nas discussões atrasa o processo de brainstorm, a brincadeira mais comum que presencio quando uma reunião acaba é alguém perguntando se dá pra tirar uma foto do flip chart ou do quadro branco, para aproveitamento direto em meio digital. Apesar de causar muitas risadas do pessoal em geral, tal pergunta parece ter ganho uma resposta à altura.

Digo isso por conta de um serviço que descobri, chamado ScanR. Seus desenvolvedores são capazes de lhe enviar por e-mail um documento legível em formato PDF — gerado através de processamento de imagens e de alta tecnologia em extração de dados — com o conteúdo de qualquer imagem gerada através de câmera digital, mesmo aquela que está embutida em seu telefone celular, desde que ela possua pelo menos 1 Megapixel de resolução.

Sendo assim, se eu fizer uma discussão e dela sair um quadro branco lotado de anotações, me parece que meu único trabalho será realmente levar à cabo a brincadeira que tanto fazemos na empresa, e tirar uma foto do que tivermos anotado. Enviando o resultado para o serviço através de e-mail, tenho apenas que esperar entre 1 e 5 minutos antes de olhar minha caixa de entrada e recuperar um documento PDF. O ScanR é gratuito mas, embora seus criadores digam que o serviço sempre terá uma versão neste formato, não me espantaria que, muito em breve, passasse a ser um serviço pago, ainda mais se a qualidade final for realmente próxima da que eles anunciam. Devo fazer um teste e lhes direi o que descobri.

Meus 10 meses na Páscoa!

Hmmmmmm… Me respondam rapidinho se tem alguma coisa que seja melhor do que fazer aniversário em pleno domingo de Páscoa? Eu mesmo posso responder pra vocês, e a resposta é não! Aproveitei muito meu aniversário de 10 meses, já que passei ele todinho comendo chocolate — virava e mexia eu pegava uns pedacinhos pra poder me deliciar…

Mas vou contar pra vocês como foi que tudo aconteceu… Não acordei e logo de cara fui comendo todo o chocolate que eu podia… Primeiro mamãe e papai me mostraram o ovo que tinham comprado pra mim (aquele ovo Trakinas que eu já estava esperando desde antes de ontem, quando, aliás, comecei a comemorar a minha Páscoa adiantada). Me puseram sentadinho no sofá e eu, é claro, abri um sorriso enorme, mal podendo esperar pra poder abrir e “atacar”. Vejam só:

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Logo que papai e mamãe me ajudaram a abrir meu ovo, comi uns belos pedacinhos… E é claro, o que eu posso dizer é que um era mais gostoso que o outro!! Fiquei tão feliz, mas tão feliz, que papai e mamãe tiraram mais algumas fotos só pra poderem registrar o tamanho da minha felicidade. E ela era proporcional   “sujeira” que eu fiz pra comer meu ovo, dêem uma olhadinha pra comprovar:

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Mas esperem um minutinho!! Como eu escrevi no título, nem tudo neste dia se resumiu   minha primeira Páscoa e   comemoração repleta de chocolate que eu tive… Também foi o dia do meu aniversário de 10 meses!! E presente melhor que comer chocolate pra poder comemorar essa data, só mesmo parando um minuto e tirando uma foto bem bonita com a minha mamãe, pra poder registrar pra sempre:

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Bom, agora eu já vou! Até a próxima, pessoal!!

Páscoa adiantada!

Ovo de Páscoa do XandeE eu comecei a comemorar minha primeira Páscoa antes da hora! É que na semana passada ganhei um ovo de chocolate da minha vovó Helena e do meu vovô Fernando. E minha mamãe, querendo saber qual seria minha reação ao comer um ovo desses, resolveu abri-lo antes da hora. Preciso dizer que eu adorei essa idéia? Em menos de cinco minutos, como minha mamãe me deixou bem   vontade, com pedaços de chocolate na minha mãozinha, eu já estava todo lambuzado!

Mas digam a verdade pra mim: Tem jeito melhor de comer chocolate — que eu, desde já, digo pra vocês que amo de paixão — do que desse jeito, fazendo sujeira pra todos os lados? Depois que eu comi um pouco do ovo da vovó, mamãe guardou o resto, que é pra eu poder comer daqui a dois dias, quando é a Páscoa de verdade. Mal posso esperar pra poder comer mais chocolate! Hmmmmmmmm…

O que eu mal posso esperar pra fazer também é abrir o outro ovo de Páscoa que eu ganhei, dessa vez da minha mamãe e do meu papai. É um ovo Trakinas (será que tem algo a ver comigo?), e está guardado aqui em casa, pra eu poder comer também no domingo agora. Estou lambendo os beiços toda vez que passo pelo ovo… Assim que eu abrir eu conto pra vocês como foi me deliciar nessa minha primeira Páscoa, tá bom?

Filhos via GPS

A Fox exibe um seriado humorístico estrelado pela cantora norte-americana de música country Reba McEntire, que leva seu próprio nome. Em um dos episódios da sitcom, Driving Miss Kyra, ela presenteia sua filha adolescente com um novíssimo telefone celular. Mas a intenção real de Reba é localizar sua filha, através de um software rastreador contratado junto à operadora celular.

Mas isso não é apenas coisa de comédia enlatada norte-americana. É cada vez maior o número de pais que procuram serviços similares, muitas vezes precisando recorrer a empresas terceirizadas, para utilizarem o celular de forma a descobrir o paradeiro de seus filhos. Por sinal, a Sprint Nextel, empresa dos EUA, anunciou uma novidade que deve esquentar este mercado. O Family Locator Service, que começará a ser comercializado hoje, permitirá o acompanhamento da localização dos filhos através de qualquer dispositivo sem fio.

O sistema, que utilizará o Sistema de Posicionamento Global — ou GPS — para auxiliar os preocupados pais, permitirá que se descubra a posição de qualquer pessoa — e não apenas das crianças — através do monitoramento de até 4 aparelhos celulares. Também será possível emitir alertas, caso a criança se encontre em uma localização diferente a que se espera dela. Assim, quem quiser faltar à aula pra jogar futebol, por exemplo, terá que se entender mais tarde em casa com seus pais. O celular da criança, por sua vez, também receberá o alerta de que seus pais tentaram localizá-la e, assim, poderá ligar para tranquilizá-los.

Ao custo de cerca de US$ 10, o software da Nextel pode ser baixado por seus clientes e contará inclusive com a possibilidade de avisar aos pais que seus filhos estão próximos da residência de algum maníaco sexual — desde que este esteja com seu endereço registrado pela polícia norte-americana.

Particularmente, acho que isso demonstra a violência do mundo em que vivemos hoje. Não podemos confiar apenas em preceitos básicos do ser humano, como a convivência familiar, respeito e educação. Quer dizer, meu pai e minha mãe sempre me perguntavam onde eu ia e sempre me pediam pra ligar se algo acontecesse, ou ao menos pra dizer se cheguei bem onde estivesse indo, e eu sempre fiz isso.

Agora, com a procura por este tipo de tecnologia realmente aumentando daqui pra frente, parece efetivamente que uma das saídas pra algumas pessoas será tornar-se escravos de aparelhos wireless para localizarem seus filhos. No episódio da série que mencionei, a filha de Reba, Kyra, descobre que está sendo rastreada e deixa o seu celular novo em folha com a amiga, indo pra outro lugar qualquer, e deixando a mãe de cabelos em pé. Como é uma comédia, tudo acaba bem e as duas se encontram, aliviando as preocupações. Mas e na vida real?

Propaganda do Mal

Apesar de fazer já algum tempo, acredito que todo mundo — ainda — deva se lembrar do caso da vendedora Simone Cassiano da Silva. Esta cidadã cometeu, no último dia 28 de janeiro, um dos atos mais criminosos em que se pode pensar contra a vida de uma criança. Jogou sua filha recém-nascida na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, dentro de um saco plástico ao qual estava amarrado um pedaço de pau. Sua intenção era clara e, felizmente, para a criança, seu choro foi ouvido por um casal que passava próximo ao local, que chamou ajuda e assim acabou providenciando seu salvamento.

Tenho um amigo que me diz sempre que utiliza a TV, ou a mídia em geral, para se distrair dos problemas. Sua escolha é a mesma de muitos outros amigos que tenho, e também de milhões de brasileiros que têm o direito de — como meu amigo diz — assistirem apenas à coisas divertidas, pois o mundo já é cheio demais de problemas para que ag¼entemos sofrimento via satélite tal qual os transmitidos por certos programas sensacionalistas que não preciso citar aqui. Mas é bom lembrarmos, vez em quando, que somos humanos e que, como tais, não podemos deixar coisas assim ocorrerem com nossos semelhantes. Depois que me tornei pai, por sinal, este sentmento se tornou ainda mais forte em mim do que já era.

Citei Simone e seu bebê descartado porquê uma notícia que li esta semana me deixou igualmente indignado. Na Tailândia, a empresa farmacêutica Schering, uma grande multinacional responsável inclusive pela fabricação de remédios no Brasil, propôs uma campanha publicitária no mínimo de gosto duvidoso: Colocará “bebês” em lixeiras próximas às universidades e determinados outros locais no país, de forma a anunciar um de seus produtos: um anti-concepcional.

A idéia dos publicitários foi espalhar pelas ruas da capital Banckok diversas lixeiras equipadas com sensores. Ao detectar a passagem dos pedestres, o dispositivo emite o som de um choro de criança, simulando o abandono que acontece dia-a-dia no país e fazendo referência à gravidez indesejada.

Ora, que me perdoem. Sou o primeiro a erguer a bandeira da liberdade de expressão e incentivo muito a criatividade, pois acho que ela é uma das molas que impulsiona a humanidade adiante. Mas este tipo de coisa me dá nojo. Ainda mais se você lê um pouco mais sobre a Tailândia e descobre que, por lá, três bebês reais são realmente jogados nas lixeiras todos os dias. Essa nova propaganda só pode ser prejudicial a todos. Principalmente às mães, que logo que engravidem, se sentirão, ao menos em minha opinião, mais incentivadas a se desfazerem de seus bebês, as maiores vítimas — e as que nenhuma culpa têm — desta situação. É uma vergonha.

Baliza Automática?

Já pararam pra pensar no número de pessoas que, ao tirarem sua carteira de motorista, pecam no exame ao serem solicitadas para encaixar o carro entre as balizas, simulando uma situação em que, mais tarde, na vida real, estariam estacionando no meio da rua? E tem também muita gente que, depois de anos de carteira, perde a paciência ao tentar estacionar seu carro em algum lugar mais movimentado ou fechado, acabando por procurar vagas mais abertas, ou estacionando em vagas de shopping centers, supermercados e outros centros comerciais que, teoricamente, são mais fáceis.

Não se pode culpar nenhuma dessas pessoas por conta deste tipo de situação. Devo eu mesmo confessar que, embora dirigir esteja entre uma das minhas atividades favoritas, também não posso dizer que estacionar seja algo que me faça vibrar de emoção. Mas pode ser que, muito em breve, eu e as pessoas que citei tenhamos uma novidade a ser comemorada: Na Grã-Bretanha, a Toyota começou a comercializar modelos híbridos que, por US$ 700 a mais, podem contar com um módulo de estacionamento assistido, ou seja, um computador faz todo o trabalho sujo de esterçar o volante e endireitar o carro pelo motorista, enquanto ele pode se sentar e relaxar. É possível assistir a um vídeo da manobra no próprio site onde vi a notícia.

Com o módulo de estacionamento assistido, a única responsabilidade real do motorista ao estacionar fica no controle da velocidade de seu próprio carro, que anuncia, através do próprio computador de bordo, quando a manobra de estacionamento está concluída. Estes novos modelos devem chegar muito em breve aos Estados Unidos e, quem sabe, pintarão aqui no Brasil logo em seguida, tirando de nossas costas o peso de estacionar, e marcando mais um ponto no jogo da tecnologia, que facilita nossa vida cada dia mais.